terça-feira, agosto 30, 2005

POETA PRESIDENTE OU PRESIDENTE POETA


Eu apoio incondicionalmente Manuel Alegre na corrida à presidência. Os portugueses só têm a ganhar com um presidente que também é poeta, que sabe verdadeiramente dar expressividade às palavras e enriquecer as suas intervenções com belas figuras de estilo.
Por exemplo, Manuel Alegre podia fazer os seus discursos em verso. Quem sabe se os momentos altos da vida portuguesa – incêndios, falta de civismo, baixo índice cultural, incompetência política generalizada, os frangos de Ricardo… – não dariam uma boa epopeia. Invocava as Tágides e escrevia:

As burlas e os roubos assinalados
Que, da ocidental fogueira Lusitana,
Por apitos muito mal investigados
Passaram ainda além da Santa Pachorrana,
Em cunhas e desfalques esforçados,
Mais do que prometia a mente humana,
E entre ladrões remotos edificaram
Novo conluio, que tanto sublimaram.

Também poderia escrever composições mais simples:

Anda Sócrates a passear
e Portugal fica a tostar.

O PS a Soares apoio prometeu,
pus as mãos na cabeça e disse: “Ai, Jesus, que lá vou eu!”

Portugal está sem dinheiro,
andando os políticos num bandalheiro.

Salve-nos o Santo Futebol
da falta de carcanhol.

Maria Ortigão

“NOITES RITUAL ROCK”


1. A idade não perdoa.

A dura realidade é que estou a ficar velha. A vida segue o seu curso natural, por isso ando muito melancólica. Já suspeitava desta inevitabilidade, pois pequenos episódios sussurravam ao meu ouvido “És do século passado! Se te olhares bem no espelho, vais ver, logo na frente, um fio de cabelo branco!” Na realidade, sou do tempo em que Herman José ainda tinha piada; deixei de perceber alguma gíria da juventude como “beca”, “gera”, “MC” (lido em inglês) ou “grupes” (de notar que adaptei o melhor que pude a escrita àquilo que ouço); sou do tempo em que o verbo era “estar” e não “tar”; dizem que, de longe a longe, a História acaba por se repetir e é o que está a acontecer com os prováveis candidatos à presidência da República, Cavaco Silva e Mário Soares, ou seja, assisto a um acontecimento que deveria ocorrer daqui a muito tempo…
Porém, se dúvidas houvesse quanto ao meu envelhecimento, dissiparam-se completamento durante as “Noites Ritual Rock”. Logo para começar, não conhecia quase nenhuma das bandas do cartaz, portanto, ia um pouco às escuras.
Depois, para me sentar na relva ou no chão de pedra do Palácio de Cristal, usava o programa para não sujar as calças. Neste acto, há muitas semelhanças com os idosos que tiram do bolso um lenço para se resguardarem, enquanto de sentam num banco de jardim.
Durante a actuação dos “Cool Hipnoise”, estava a mexer um bocadinho o corpo (sim, porque um velho tem dificuldades em dançar) e tive uma cãibra na perna esquerda.
Finalmente, após dois dias de concertos, fiquei cheia de dores de cabeça.
Em suma, há coisas para as quais já não tenho idade. Devo encarar a realidade e ir inscrever-me na próxima excursão da Junta de Freguesia e visitar as instalações do lar de idosos mais perto. No entanto, lá no fundo, penso que o meu caso ainda não está perdido. António Lobo Antunes disse que se começou a sentir velho quando encontrou no bolso de, se não me engano, um casaco migalhas de bolachas. Ora, o facto de eu deixar pacotes de bolachas vazios nas carteiras não é a mesma coisa, pois não?



2. Sandocha, a exterminadora implacável!

Durante as duas noites de concertos, o cheiro a charro foi presença constante. Ao invés, não se podia entrar no Palácio com uma sandocha e uma lata de refrigerante. Conclusões óbvias: fumar charros é bom, comida é perigosa; para Ivo Ferreira aquele recinto era um paraíso terrestre.
Ainda na entrada, fui revistada. Talvez as autoridades andassem à procura de um perigosíssimo rissol ou de umas ilegais fatias de presunto. Mas fui revistada de uma maneira muito especial, porque se limitaram a apalpar a minha carteira. Não a abriram, não olharam para o seu conteúdo. Apenas pegaram nela como se pega numa bolsa de dinheiro para lhe sentir o peso.
No recinto, os polícias mantinham-se afastados da multidão, formando grupos de animada cavaqueira. Percebe-se, pois, que a união faz a força!
Para terminar, deixo mais uma prova da falta de civismo que grassa nos portugueses, sobretudo entre a juventude, o que ainda é mais grave. O chão, em frente ao palco principal, estava pejado de copos de plástico. Considero esta atitude uma falta de respeito em todos os níveis, porque se polui um dos melhores sítios verdes do centro da cidade do Porto, porque é desagradável caminhar por entre este tipo de destroços, porque o local estava bem servido de contentores para o lixo e porque simplesmente não é coisa que se faça. Por outro lado, havia quem conseguia dirigir-se até aos contentores, mas apenas para deixar o copo em cima da tampa! A Manuela queria deitar o seu copo no lixo, contudo, se levantasse a tampa, os dejectos caíam todos no chão.
Sinceramente, não percebo qual é a dificuldade em levantar uma tampa! Lembram-se do Gervásio, o macaco que, em duas horas, aprendeu a separar o lixo? Se o Gervásio consegue, por que motivo os outros macacos não conseguem?


3. Cartaz.

Com muita pena minha, logo no primeiro dia, perdi os “Worsong”, uma banda que musica poemas de Fernando Pessoa e Al Berto. Por isso, começámos por ver os “Plaza”. Quando entraram no palco, a minha garganta involuntariamente produziu um som estranho, que a Manuela soube interpretar muito bem, dizendo qualquer coisa como “Enganámo-nos e viemos parar a um espectáculo de ‘travestis!” De facto, os músicos apareceram vestidos com fatos brancos e adornados com cachecóis de plumas igualmente brancos. Depois, o vocalista tinha uns invejáveis movimentos de anca… Bem, mas o que interessa não é a forma, é o conteúdo. Gostei de algumas músicas, só que outras eram demasiado “pop” e electrónicas. Devo dizer que faço parte de um grupo bastante restrito que não gosta de música de dança, “house” e outras do género, cuja batida se assemelha, na minha opinião, a um bater contínuo com a cabeça na parede. De realçar também que não percebi 90% das letras…
Para mim, os “Supernada” salvaram o festival. Gostei muito, porque revivi o bom velho e puro “rock”. E cantado em português, o que já começa a ser uma raridade neste tipo de bandas!
Os “Cool Hipnoise” também nos brindaram com temas em português, dos quais gostaria de salientar os seguintes versos: “A terra dos sonhos está a sonhar com a guerra/ E de uma mentira fez uma bandeira…” Pois é, para desespero de muita gente, a banda do “funck é memo bom” é marxista/leninista/bloquista!
Queria também deixar uma nota sobre os “Wrygunn” que, segundo o programa, são uma das melhores bandas portuguesas ao vivo. Quanto a isso, não tenho dados suficientes para me pronunciar. Saliento apenas o facto de que conseguiram bater o recorde do maior número de repetição de um refrão por música. Se a intenção era que o público ficasse com as músicas no ouvido, conseguiram!


P. S.: Se, em algum momento desta farpa, fui algo resmungona, não liguem, pois os velhos costumam ser assim!


Maria Ortigão


quinta-feira, agosto 18, 2005

“VOX POPULI”

Recentemente, Valentim Loureiro apelidou Marques Mendes de “pequeno ditador”. As razões de tal epíteto prendem-se com o facto de o major querer concorrer às autárquicas mesmo sem o apoio do PSD.
Desta vez, não me irei pronunciar sobre o assunto. Decido fazer uma auscultação popular, ou seja, convido os nossos leitores a escolherem de entre três provérbios aquele que se adequa mais à já famosa zanga entre os dois sociais-democratas.
As hipóteses de escolha são:

a) Muita parra, pouca uva.
b) Ri-se o roto do esfarrapado e o sujo do mal lavado.
c) Amor com amor se paga.
d) Outro provérbio que julguem mais adequado.

Agradeço todas as contribuições.

Maria Ortigão



terça-feira, agosto 16, 2005

RECORDANDO EÇA…



Não gostamos de celebrar a morte de ninguém, preferindo deixar os festejos para a data de nascimento. Apesar da inevitabilidade da perda do génio às mãos da mortalidade, sempre pensamos na sorte que nos foi propiciada pela sua passagem. Portanto, a melhor forma de homenagear Eça de Queirós no aniversário da sua morte é deixar aqui um pedaço da sua genialidade.


“A câmara municipal de Lisboa, diz-se, compenetrada da necessidade iniludível de melhorar as condições da cidade trata com toda a solicitude de fazer a aquisição - de um leopardo. Diz-se ainda que depois procurará alcançar - para completar a obra da regeneração municipal - araras do Brasil.
Respeitamos a câmara. Todavia, parece-nos discutível esta maneira zoológica de pôr alguma ordem na confusão do município. Porque não se nos figura lógico que a 300.000 habitantes - que pedem higiene, limpeza, ruas, polícia, iluminação, passeios – a câmara responda no seu zeloso cuidado - com um bicho dentro de uma jaula!
A cidade realmente, não oferece um aspecto próspero.
A iluminação é ligeiramente sepulcral: o gás, mostra-se inferior em seus serviços ao antigo candeeiro de latão; às vezes nas principais ruas, parte dos candeeiros repousam - apagados, e os que velam bocejam uma luz expirante.
Monturos de caliça e de pedregulho tomam das ruas um espaço abusivo: por­que se o entulho tem um certo direito a estar parado nas ruas vendo as senhoras que passam, parece que não deve pelo menos privar de igual regalia os habitantes que pagam décima.
As ruas, pela sua limpeza, mereceram de nós a designação mordente que lhes ficou - canos do avesso: as que são calçadas, com a chuva tomam o aspecto delicado de uma missanga de charcos: os macadames depois de se terem desfeito no verão numa atmosfera de pó fétido, apressam-se no inverno a reabilitar-se mostrando que são, como outra qualquer vereda, capazes de saber exercer a profissão de lameiro. A glória da capital, o Aterro*, a maravilha, é ladeado ao seu comprimento, de duas suaves circunstâncias: o cheiro da imundície dos canos; e o pó da houille* das fábricas, dando assim a perspectiva de uma sociedade gentil, rica e dandy * - que passeia, no aparato da riqueza e nos vagares do luxo - com a palma da mão sobrei boca e o lenço no nariz!
As obras que a câmara constrói são talvez excelentes: mas ela vai-as erguendo tanto em segredo, tão resguardadas das curiosidades ávidas, que muita gente supõe que a câmara abre as suas ruas, planta as suas árvores, alarga os seus passeios, limpa, areja, formoseia - na sala do concelho, debaixo da mesa, em sessão secreta!
(…)
Lisboa é a cidade mais suja da Europa: a própria Constantinopla, com o torpe desleixo turco, a própria Atenas, com a indolente miséria grega - são mais limpas. E se não fosse o Tejo, que lhe faz uma certa toilette, se não fosse um sol maravi­lhoso, que tudo alegra, doira, esbate - Lisboa, aqui ao canto, junto do mar, como um cano, seria a sentina da Europa.
E perante este estado o município penetrado da sua responsabilidade, e resolvi­do a dotar a cidade de condições habitáveis - o que lhe dá? - Um leopardo.
Ora confessemo-lo: é talvez interessante, mas não é excessivamente prático estefacto:
A fera em substituição da obra pública.
Porque a verdade é que quando se expuser, convincentemente à câmara, que a cidade de noite está escura, - a câmara não pode em sua honra - em vez de mais gás, adquirir mais leões: pelo menos é estranho, que reclamando os habitantes da rua de tal, mais um candeeiro - a câmara lhes envie um crocodilo!
Não queremos mal às feras: e quanto mais conhecemos os homens mansos, mais estimamos os bichos bravos.
(…)
A câmara na sua inteligência deve compreender que:
O bicho não é inteiramente o equivalente do edifício.
Nunca a câmara viu por exemplo S. M. El-rei passar a rua a cavalo no banco ultramarino! Portanto não é justo que nas praças, em lugar de dar ao habitante fatiga­do o assento de um banco de pau - se lhe ofereça o dorso de um rinoceronte
Porque deste modo toda a cidade seria em breve mordida - pelos melhoramen­tos municipais. Seria desagradável que os jornais noticiassem: «Ontem, a última obra em construção, devorou, na rua nova da Palma, uma criança de cinco anos: via-se depois aquele impudico melhoramento público, lamber os beiços, de regalado...»
Que a câmara medite e se lembre - porque a sua inteligência é para muito - que se ela der o exemplo funesto de substituir as construções pelas feras - pode levar o habitante a substituir as feras pelas instituições. E no dia seguinte àquele em que a câmara para mandar abrir um chafariz, comprar, em substituição, um elefante - qual­quer sujeito, em vez de dizer ao criado:
- Ó António, põe o selim no russo... pode esquecer-se a ponto de gritar:
-Ó António, aparelha a câmara.
O que seria de um real mau gosto, e prejudicaria os interesses constitucionais!”
Aterro*: local ocupado hoje pela Avenida 24 de Julho, em Lisboa.
houille* : carvão de pedra.
dandy * : peralta.

As Farpas, coordenação de Maria Filomena Mónica, Pricipia

PONTAPÉS NA GRAMÁTICA E NÃO SÓ XIII


1. No concurso O Elo Mais Fraco, pergunta-se:
“— Em que cidade Camões perdeu o olho?”
Resposta:
— Aveiro!

Comentário: O nosso ilustre poeta estava a tentar abrir uma daquelas pipas de ovos-moles, quando a tampa lhe saltou para o olho.


2. Insigne professora de Linguística Portuguesa da Faculdade de Letras do Porto:
“— Chomsky preocupava-se com as questões cerebrais do cérebro!”

Comentário: Só pode ser um intelectual.

3. Amigo:
“— Não serve apanhar uma bêbeda para esquecer uma mulher!”

Comentário: Nota-se que alguém já está com uns copitos a mais!


4. Amiga:
“— Em casa de duque não se passa fome, ou, para rimar, em duque de casa fome não se passa!”

Comentário: Temos uma grande poetisa ou andou a beber uns copos com o amigo anterior!

Maria Ortigão

VAI PELA SOMBRA!

Já que estou numa de encontrar algo positivo naquilo que, na minha opinião, é negativo, aproveito para dizer que descobri uma utilidade para os “outdoors”, esses cartazes gigantescos de propaganda política.
Apesar de os considerar poluição visual, pois temos de levar com as imperfeições faciais dos candidatos em larga escala, a verdade é que, com este calor, num descampado, a sombra proporcionada pelos candidatos é óptima!
Parece que já estou a ver o próximo Direito de Antena:
“Jovem, se queres um país desenvolvido, sério e sem crises põe-te à nossa sombra! A melhor de todos os partidos!”

Maria Ortigão

ANTI-BUSH q. b.


Na sequência de algumas farpas, ficou a sensação de que eu só gosto de dizer mal do presidente dos EUA. Nada disso. O problema é que Bush só faz trapalhadas (palavra muito em voga nos meios políticos de hoje). Todavia, se aquele político fizesse algo interessante… sei lá, demitir-se… eu seria a primeira a aplaudir a sua medida!
Felizmente ou infelizmente, não foi necessário ir tão longe, porque, segundo a comunicação social, o presidente norte-americano deu a sua autorização para se investir mais e desenvolver pesquisas que envolvam fontes de energia renováveis e que reduzam a poluição e a dependência do petróleo. Nem queria acreditar no que ouvia. Afinal, os milagres existem! Por isso, publicamente, expresso o meu maior agrado por esta medida.
Estava eu ainda em pleno devaneio, a flutuar entre anjos celestes, quando ouvi o resto da notícia. Não só administração americana vai apostar em energias renováveis, como também o vai fazer em energia nuclear. O dia fez-se noite, os anjos transformaram-se em demónios e eu caí aos trambolhões pela escada da felicidade abaixo… O senhor Bush tinha de estragar tudo! Enfim, ninguém é perfeito, mas no meio daquela imperfeição ainda se aproveita alguma coisa.
O grande problema é que há demasiados países com capacidade para fazer bombas atómicas (se é que já não as têm) e sem capacidade para aprender com os erros do passado. Agora, o Irão, país cada vez mais ultraconservador e fundamentalista, caminha ao lado do rio nuclear… EUA, França, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e sabe-se lá mais que países estarão muito perto desse rio.
Só espero que o nosso mundo, que começou com um grande BANG, não termine num grande PUM!

Maria Ortigão


sexta-feira, agosto 12, 2005

A Publicidade, essa crónica social!

Joel Neto cronista da GR disse que é boçal andar a repetir frases de publicidade. Fui ao dicionário. A palavra para mim, soa muito pior do que parece! No início acha-se piada, qualquer um numa noite com os amigos já repetiu uma frase... é claro, que "enche". Mas como outras manifestações artísticas são o reflexo de uma sociedade; são a diferença entre: levantar, mudar de canal, "tirar o som"... Por isso merecem ser destacadas pela sua originalidade:

1.- A frase "Ó palhacitos, querem ver o Natal dos Hospitáis ao vivo?" Pela referência a essa instituição nacional que é o dito Natal.

2.- E pelo ambiente cool, de verão: "Não quero rasca...." duma certa operadora de telemóveis com 3 letras. A música em si, deveria ser nomeada para um globo da SIC.

3.- «...Vi o que fazes com as laranjas; se eu te trouxer uma vaca, tiras-lhe o leite?»


M. Q.

P.P.: Sujeito à sucessivas actulizações- se houver vontade.

Recomendado

(Para quem acha os textos da Maria longos...) Muito bom.
http://depositolegal.blogspot.com/2005/08/miguel-sousa-tavares.html
M.Q.

quinta-feira, agosto 11, 2005

Fogo! ao fogo.

Alguém se lembra que há uns meses atrás os telejornais abriam dizendo: «Portugal está pronto para combater incêndios»? Pois é, tem sido o que se vê! Farto-me de clamar por autonomia. Podem responder que é muito fácil sendo "treinador de bancada/blogosfera". Porque em Portugal fala-se de combate à incêndios e não de prevenção! Será que não é possível fazer inventários sobre os terrenos "não agrícolas", responsabilizar os donos pelas limpezas (num prazo X, antes da época de fogos!, sob pena de multa Y- já que gostam tanto de multas e há que encher os cofres do Estado), disponibilizar meios e ajuda para quem não possa e estabelecer programas para [jovens] voluntários (eu sei que há, mas mais parecem planos pilotos do que iniciativas nacionais) . Na prática: freguesias fazem o tal estudo e em comunicação com os quartéis de Bombeiros ou otras autoridades competentes falam às escolas, (associações desportivas, culturais...)
Nos noticiários ouve-se dizer depois de dias de inferno «... vão ser tomadas medidas para a adquisição de meios aéreos...» isso não devia já ter sido feito? Na altura em que se deliniava o tal plano que deveria preparar Portugal? Qual era a vossa ideia: Correr á frente das chamas?! É certo que o atletismo é uma disciplina com tradição em Portugal mas parece-me um exagero.... Submarinos!!!*
Ouço o ministro dizer «... o fogo à nossa porta é sempre o mais importante...», é preciso ter coragem para dizer uma coisa dessas: «nossa porta!»
E para concluir, levar até as últimas consequências as investigações e respectivas punições. Investigar todos aqueles que poderiam usufruir com os incêndios. Até os pilotos dos tais meios aéreos que o Estado não tem e insiste em alugar! Parece que há gente que coloca a hipótese de lançar uma bomba para poder ganhar 800.000 contos por hora!
Manuela Queirós.
* Isto não é um tratado anti-Portista, se alguém me vem com "esquerdismos" leva! Cada ministério tem os seus orçamentos, certo. Mas há prioridades!

quarta-feira, agosto 10, 2005

Revolta dos Pastéis de Nata

Este programa surge na cena nacional como uma lufada de ar fresco, novidade em fim, não o acho excepcional ou particularmente bom, tem os seus momentos. E é preciso destacá-los:
O de semana passada, que é o término de uma temporada, foi o melhor da tal. "Green cald", "as meiazinhas", "eu martelo en ti"... mas há um momento genial que deve figurar nos anais do humor ao lado da "Guerra" de Raul Solnado e quem sabe até acima, aquando do programa de "Turismo" O "Lx m à m"- Lisboa metro à metro. "olhem pra cima, estamos a ver o Marquês!" Eis minha singela homenagem e reconhecimento.
M. Q.

Insight

Zé de Bragança escreve assim: «Também não surpreende que não se sintam vinculados a uma disciplina partidária imposta por personalidades pardas, incapazes de conquistar a direcção de um modesto grupo de folclore.» (in NM 31-07-05 "Os quatro cavaleiros do Apocalipse"). Agora percebo, afinal, porque não me sinto motivada pelas figuras-chave da política nacional.
M. Q.

Pré-pré-campanha

Que nós não temos pachorra para os cartazes já dizemos. Que as eleições são em Outubro- salvo erro- que a campanha é de um mês -salvo erro- e que existe pré campanha todos sabemos, mas o que justifica que os cartazes sejam colocados em Julho ou antes? Não há uma organização que me proteja desta tortura?
Há um outdoor do Menezes, cheio de letrinhas que formam frases... Colocados à face da estrada que deviam ser retirados, pois se o pessoal tenta ler aquilo corre sérios riscos de provocar um acidente e se pára para ler faz uma fila do caraças que aquilo como o nome indica é grande que se farta e está cheio "da obra do Menezes".
M. Q.

Cavaco vs "Só Ares"

Venho atrasada eu sei, não pretendo fazer um tratado acerca das presidenciais apenas futurologia- para mim- estou a treinar para frequentar Casas de Apostas. Cavaco ganha porque apesar de toda a popularidade do "Só Ares" ele já está muito velhinho e na actual crise Cavaco tem o perfil de "Messias" que pelo menos não deixa esbanjar muito dinheiro.
M. Q.

Alterações na Volta

A Volta a Portugal vai passar a integrar uma prova de contorno de rotunda mais a sua variante de contra-relógio dado a abundância deste elemento urbanístico.
M.Q.

terça-feira, agosto 09, 2005

JÁ NÃO HÁ PACIÊNCIA!

Senhores leitores, estou tão fartinha de tudo isto! Para mim, chega! Esta será a última farpa que tem como objectivo comentar determinados comentários que me escrevem. Faço-o por uma razão muito simples: estes debates tiram-me tempo para escrever outros textos muito mais interessantes. Comentarei apenas aqueles que eu achar dignos de resposta. Sendo assim, vou tentar ser o mais sucinta possível (quando digo isto, é certo e sabido que vai ser uma farpa enorme!):

a) O que me deixou verdadeiramente chateada convosco, no meio de isto tudo, foi o facto de começarem a fazer comentários no espaço da fotografia de José Rodrigues. Sabem o que me custou encontrar uma imagem dele e o que me custou ao quadrado colocá-la no “blog”? Se quiserem, eu até crio um espaço só para vocês dizerem mal de mim, aqui no “FarpasXXI”, mas deixem o Zé em paz!
b) Filipe, eu magoei? Lê atentamente os teus primeiros três textos do início desta polémica e vê se descobres quem magoou quem!
c) Dizem vocês que eu sou arrogante. E os vossos comentários estão repletos de… sensibilidade, delicadeza, simpatia? Houve até, no passado, alguns que roçaram a má educação. Mas eu é que sou arrogante, é claro.
d) Segundo a vossa brilhante associação de ideias, quem não concorda com a política da administração Bush é rotulado de marxista/leninista/bloquista???!!! E também posso ser trotskista ou estalinista ou maoísta ou qualquercoisaparecidista?
Quem defende um homem que:
- mentiu ao mundo sobre as armas de destruição massiva iraquianas;
- resolveu invadir e iniciar uma guerra sem qualquer avaliação da ONU, ou melhor, avaliação houve, mas como não foi favorável aos americanos…;
- impôs a democracia (o que é, em si, antidemocrático) num país oprimido pela ditadura, mas que se esquece que há outros países que mereciam igualmente uma mãozinha na sua luta;
- não se preocupa com o ambiente, não se apercebendo de que é um problema supranacional;
- defende tanto a liberdade de expressão, mas “convida” os actores, na grande noite da Academia, a não se pronunciar sobre a situação política do país e, para evitar que alguém não se limite a agradecer à família, amigos e tartaruga do vizinho, transmite a cerimónia com alguns segundos de atraso;
- tenta proibir que cheguem aos “media” as fotografias, em que os seus soldados violam a Convenção de Genebra;
- “and sói one, and sói one…”

Quem defende um homem destes – dizia eu – também deve ter direito a uns quantos rótulos ou não?
Já disse várias vezes, mas parece que ainda não perceberam bem que: eu NÃO sou marxista, NÃO sou leninista, NÃO sou bloquista, NÃO pertenço a nenhum partido político NEM quero pertencer.

e) Não li o protocolo de Quioto. O que sei é pela boca de alguns governantes mundiais que o discutiram. Se o que se pretende com aquele protocolo não é diminuir a poluição, prevenindo que os desequilíbrios ambientais se acentuem ainda mais, peço desculpa, pois estava enganada, eu e o resto do mundo.
Senhor Escrevinhador, uma pessoa muito sábia e competentíssima naquilo que faz disse-me que se um texto estiver bem escrito, é compreendido por todos. O que é preciso é atenção, análise aturada, empenho e “trabalho, trabalho, trabalho”. Até agora, tem resultado, mesmo naqueles mais científicos. Resta saber se resultará também com o referido protocolo.

f) Já todos perceberam que temos opiniões diferentes. Nenhum dos argumentos que me apresentaram me convenceram, por isso, enquanto eu achar que a política de Bush desrespeita os valores humanos, os valores democráticos e o ambiente vou continuar a criticá-la.

Resumindo, sobre este assunto fechei a loja. Por mim, podem fazer o que quiserem. Podem comentar, podem argumentar, podem boicotar o “FarpasXXI”, podem-me chamar de burra, ignorante, arrogante, dizer mal de mim à vontade, mas, POR FAVOR, evitem o trinómio marxista/leninista/bloquista e NUNCA MAIS invadam o espaço do Zé!

Maria Ortigão



TGV: TOTÓS A GRANDE VITESSE


Gostaria de saber quem beneficiará do TGV em Portugal, um país tão grande, e qual será a utilidade de se fazer um aeroporto que dista 45 km de Lisboa. Para cada uma destas grandes obras só encontro uma razão válida. Assim, o TGV pode levar mais depressa às escolas os professores que estão colocados a quilómetros de distância dos seus lares. Com a OTA, quem vai lucrar mais serão os taxistas, porque o taxímetro não parará até chegar aos Jerónimos.
O governo até teve a coragem de introduzir algumas mudanças necessárias e teve de subir o IVA, porque o país está em crise e precisa desesperadamente de dinheiro. Vai daí, numa piada santanista, Sócrates resolve gastar milhões e milhões em estruturas megalómanas. Será este o tão falado choque tecnológico? Lá que foi um choque, foi!
Toda a gente sabe que o dinheiro deve ter aplicações mais urgentes. De repente, lembro-me logo que o Sport Clube de Cascos de Rolha e o Cu de Judas Associação Desportiva precisam já de estádios de futebol com capacidade para 80 mil espectadores.
Londres ganhou a realização dos Jogos Olímpicos, porque não houve ninguém com liderança suficiente de levar em frente uma interessantíssima candidatura dos Açores. Eu ainda dei uma vista de olhos pelos rascunhos açorianos e lembro-me de propostas fantásticas como:
- provas de natação na Lagoa das Sete Cidades;
- saltos para a água desde o Pico até ao Atlântico;
- triplo salto a começar em S. Miguel, seguindo-se o primeiro salto para a Terceira, o segundo para Corvo, o terceiro para S. Jorge e a caixa de areia nas Flores;
- para a cerimónia de encerramento, aproveita-se um vulcão em erupção e temos um belo fogo-de-artifício.

Se os nossos governantes quiserem gastar dinheiro em projectos desajustados e disparatados, deixo aqui a minha contribuição.


Maria Ortigão

PEQUENOS GESTOS

Há uma grande superfície comercial que disponibiliza transporte gratuito aos utentes. Uma iniciativa destas deve ser aproveitada. É o que faço.
Pois, um belo dia, usufrui deste serviço. A camioneta ia quase lotada e, na última paragem antes de chegar ao destino, encheu por completo, ficando mesmo algumas pessoas de pé. Destas destacou-se uma mulher de meia-idade, com grandes dificuldades de locomoção, porque o lado esquerdo do seu corpo estava quase paralisado. À boa maneira portuguesa, os utentes limitaram-se a olhar fixamente para a deficiência da senhora e para as suas tentativas de equilíbrio, mas não houve ninguém que lhe cedesse o lugar. Cedi eu.
Depois das compras, as pessoas dirigirem-se para a paragem e formam uma fila. Desta vez, eu estava mais para o fim da fila e pensava que teria ir de pé. E ia. Porém, quando entrei na camioneta, alguém chamava insistentemente: “Menina, menina!” Aquela senhora, a quem eu tinha dado o meu lugar, apesar de a camioneta já estar cheia, tinha-me guardado, de propósito, um lugar à sua beira.
Quem acabou de ler este texto tem agora um sorriso estampado no rosto, tal como eu na viagem de regresso!
Maria Ortigão

Ainda sobre bombas -Nucleares

No Japão- muito vasto, eu sei- há um museu/memorial da Paz/sobre os aconteciemntos de 6 de Agosto de 1945. Os miúdos ("locais") e não só claro, vão ver os efeitos da Bomba Atómica. Não consegui evitar o pensamento de que não são os japoneses que lá deviam ir; eles que sofreram com isso, que mesmo sem representações sólidas têm uma memória colectiva, relatos... mas sim os americanos- não pretende ser uma generalização ofensiva.
Tinha escrito isto antes de ler o comentário do Sr. Anónimo (não é gozo, os meus pais educaram-me bem -agora sim isto é piada, não porque não seja educada, embora muita gente daqui não deva achar, basta!) Não é resposta ao seu comentário, nem pretendo responder-acho. Porque como diz Boss AC: "hip hop é ter direito de discordar" (ou algo assim), e eu digo que todos temos esse direito. Queria também pedir que paressem de dizer o que "nós" (a Maria e eu) pensamos, dizemos; leiam interpretem então como queiram, mas não nos venham imputar as vossas conclusões acerca do que escrevemos. Gostamos muito de ser lidas, gostamos de ter comentários (mais contra do que elogios, em fim- princípio da nossa sociedade; nimguém gostou das minhas piadas de benfica Campeão ou do "Protesto") mas escrevemos para nós-acho.
Manuela e quem sabe Maria.

sábado, agosto 06, 2005

6 de Agosto de 1945

« Little boy, nome sinistro para uma bomba que ia matar milhares de pessoas, rebentou a 580 metros de altitude, mesmo por cima do hospital Shima, com uma força correspondente a 15 mil toneladas de TNT. Uma bola de fogo com uma temperatura de vários milhões de graus centígrados no momento da detonação, registando sete mil graus centígrados passados 0,3 segundos, e lançando raios térmicos que iriam queimar carne humana a uma distância de 3,5 quilómetros. Quinze por cento de energia foi libertada como radiação, seguida imediatamente por uma explosão de ar vindo da atmósfera superaquecida que viajou à velocidade de 28 metros por segundo mesmo a três quilómetros do hipocentro, arrasando praticamente tudo o que encontrou à frente.
Yasuhiko Takeda
Nascido em 1932, tinha 12 anos na altura do bombardeamento de Hiroxima.
«De repente, um clarão. Uma luz branca azulada que cegava. Por um instante, os carris, as carruagens, a plataforma, tudo desapareceu da minha vista. Depois a explosão. A pele da minha barriga parecia que se ia rasgar e cuspir os meus intestinos. Partículas cor de laranja avançavam lentamente. De repente, aumentaram e trasformaram-se numa enorme massa de fogo que caía sobre sobre nós. Colunas de chamas saíam da terra em remoinho soltando setas de luz de todas as cores. Beleza feroz e terror indizível! Comecei a sentir arrepios de frio por todo o corpo e a tremer. Virei-me e pensei: tenho de fugir! O abrigo antiaéreo estava cheio de gente, por isso enfiei-me debaixo de um banco com as mãos a tapas os ouvidos. Ouvia "za za za za", com os disparos de uma metralhadora, eram as potentes ondas de choque.» »
In Notícias Magazine, # 688. Páginas 38 e 44.
Manuela Queirós e Maria Ortigão.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Impressões de uma manhã de verão (05-07-05)

...essa mancha castanha que alastra...
...que parece tornar a distâcia entre o céu e a minha cabeça mais curta...
...que trasforma o meu dia em noite...
...os velhos na esquina que espreitam o Apocalipse...
...os novos de telemóvel em punho fotografam o que nunca antes viram...
e
... esse teu... bafo... quente estéril, que me envolve e sufoca...
M.Q.

quinta-feira, agosto 04, 2005


Aqui está o meu amigo Zé!!!

E agora?

Na véspera da última edição do "Comércio do Porto" [acho eu] um bloquista [acho] apela a que se esgote a edição. E pergunto eu, para quê? Acaso isso demoveria a administração de fechar a dita redacção? Comprá-la sim, por respeito e solidariedade, colecção.... Agora, demagogia pura e dura?! Sou de esquerda sim, não necessáriamente bloquista como está na moda afirmar. Vou acreditando em algumas pessoas. Nunca nos partidos. [O paradoxo, se é que existe devate-se depois.] O Bloco vai perdendo o seu estado de graça. Não posso fazer parte do PCP porque me nego a ser "funcionária" e não poder objectar contra sua estructura, ser chamada de renovadora (o que muito me apráz) , levar com um processo disciplinar ou ser expulsa de algo que escolhi! Fiquei sem opções à esquerda. E agora?
M. Q.

Coisas que eu aprendi em Portugal

Que existe mesmo um céu de fumo, um azul-cinza.
Que os eucaliptos são como as Fénix.
Que a cinza cai na cidade (quase) como flocos de neve.
Que o dourado que transforma a paissagem num Outono forçado por força do dramatismo só pode perder o seu encanto.
Isto não é uma manifestação contra o país que me da guarida; se eu não aprendi isto no meu é porque não estou lá, não porque eles sejam melhores que vocês, embora me pareça que a dimensão catastrófica dos acontecimentos não têm esta dimensão "lá".
M.Q.