segunda-feira, outubro 30, 2006

sexta-feira, outubro 27, 2006

Brutalidade contra as mulheres

Li aqui e resolvi participar aqui: http://www.es.amnesty.org
Sejam pacientes e votem.
P.P.: Interessante que na página portuguesa da citada organização internacional isto não seja uma prioridade!
Manuela Queirós.

terça-feira, outubro 24, 2006

A CORRENTE

Com algum atraso, também vou responder à corrente que a Cristina nos enviou. Por isso, aqui ficam seis coisas de que gosto muito:

Gosto de ler;
Gosto de felinos;
Gosto de ver o Sol nascer;
Gosto de teatro;
Gosto de pantufas;
Gosto de ananás.

Como temos de enviar a corrente para outro "blog" e como somos duas, tomámos a liberdade de enviar para dois conhecidos. celeman e MRA é a vossa vez de revelarem os vossos gostos.


Maria Ortigão

quinta-feira, outubro 19, 2006

Mais vale tarde que cedo *

Recebo um mail... uma corrente: 6 coisas. Fui ver o que tinham escrito... e pensei: Boa! São coisas sobre ela, (...).
Falei com a Maria:
-Mas é sobre nós!.
- Não sei, fiquei com a ideia que seriam as duas coisas.
Lá confirmei. E eis ilustrada a minha primeira e "tan" grande característica e que por isso mesmo deve ser a única: a Confusão (generalizada).
Manuela.
Mas se atentarem no texto encontram outras características minhas.
Então, não acharam?!
2.- prosa/vocabulário.
3.- alusão à T.V. / mania da piada.
4.- meu nome é real.
5.- erros ortográficos! Não acharam nenhum? Detesto ser previsível!
Um extra: Porque eu sou generosa (afinal vão muitos mais que seis!) Os binómios! Já viram um balança a tentar escolher alguma coisa?!


* Resquícios

Ainda a música e seu real valor

... fui à Fnac comprar um cd de uma banda chamada Jin Dungo por 16,90€. Cd que já esteve, noutra loja, a menos de 10€ e que já esteve à venda, pela própria banda!, na rotunda da Boavista por 6€ e qualquer coisa.... (ao que parece). Agora digam-me: Quem fica com os 10€ de diferença entre a primeira e última alternativa?!
M.Q.

O valor da música

... e ela, reparou nas ilhas de cd's com descontos, procurou... Opções? Várias! Até que reparou num cd de música portuguesa (um talento da "Operação Triunfo") a 0,99€. Pouso--os, pensou na vergonha que deve ser ver assim um cd seu, e saiu vexada.

Manuela.

terça-feira, outubro 10, 2006

OLÉ!



Não gosto de touradas. Não percebo que objectivos têm. Não concebo como é possível alguém se entusiasmar com tal “espectáculo”. Penso que já basta os animais terem de morrer para nos alimentar, sendo, por isso, totalmente desnecessário torturá-los de um modo bárbaro e sanguinário.
Mas cada um é como cada qual, há quem diga.
No programa “A Voz do Cidadão”, abordou-se o tema das touradas, porque a RTP, sobretudo durante o Verão, recebe bastantes cartas e “e-mails” quer a condenar quer a incentivar a transmissão televisiva das corridas de touros. Promoveu-se, assim, uma série de entrevistas entre aqueles que estão contra e os que estão a favor. Muito bem, é importante ouvir os argumentos de ambas as partes para depois os analisar devidamente. O problema é que o tempo de antena dado aos apoiantes das touradas foi escandalosamente superior ao dos que reprovam tais actos. Convenhamos que, desta maneira, torna-se um pouco difícil abordar a questão com o mínimo de objectividade.
E foi entre o incrédula e o muito divertida que ouvi as razões dos aficionados. Decidi comentar algumas. As primeiras duas são já um clássico, enquanto as duas últimas não cabem na cabeça de ninguém.


1. A tourada é uma arte e uma tradição.

Consultei a lista das actividades que são mundialmente consideradas como arte e, claro está, não encontrei a tourada. Pode-se pintar um quadro sobre a tourada, fazer um bailado ou uma ópera (ex.: “Cármen”), escrever livros (ex.: Hemingway) ou realizar filmes, mas andar a espetar bandarilhas em animais não é arte.
No que toca à tradição, fiquem-se pela tradição do bolo-rei no Natal e pelo Algarve em Agosto e deixem os bichinhos em paz.
Na “Declaração Universal do Direitos do Animal”, pode ler-se que “o respeito pelos animais, por parte do homem, está relacionado com o respeito dos homens entre eles próprios.” e “A experimentação animal que implique um sofrimento físico e psicológico é incompatível com os direitos do animal quer se trate de experimentações médicas, científicas, comerciais ou qualquer outra forma de experimentações.” Fazer desta “Declaração” uma tradição era mais interessante.
2. A tourada não é uma luta, é um confronto.

Ah, pois! Agora ficou tudo mais claro. Se tivessem dito logo isso, as minhas reticências em relação à tourada desapareceriam num instante. A diferença entre luta e confronto é óbvia… está-se mesmo a ver que é em… no coiso… enfim, lutar não é o mesmo que confrontar, porque… são duas palavras distintas, pois… uma tem duas sílabas, a outra tem três… e tal…


3. O touro só sofre durante uns dez minutos.

Eu ainda estava a tentar descobrir o que distinguia luta e confronto, quando apareceu um jovem, bastante atraente, a dizer que o touro tem uma vida boa nos campos desde o nascimento e que, na arena, só sofre durante uns dez minutos! Se, um dia, encontrar este rapaz na rua e começar a pontapeá-lo e a socá-lo, ele que não se preocupe, porque só vai sofrer durante uns dez minutos. E o que é isso comparado com a vida boa que teve desde o nascimento?


Maria Ortigão

terça-feira, outubro 03, 2006

O VERDADEIRO GIL VICENTE




Segunda e última parte

No fim da primeira parte, Mestre Gil ficou a saber que alguns dos grandes problemas do século XVI se arrastaram até aos nossos dias.

MO: Vejo que o Mestre está um pouco desapontado…

GV: É verdade. Não compreendo como um país, embora pequeno, não consiga aproveitar melhor as suas qualidades. Os governantes deviam ser mais assertivos nas decisões que tomam e mais rápidos também.

MO: Oh! Rápidos são! Ainda há pouco tempo, o ministro da Economia foi apanhado a 200 Km/h.

GV: 200 km/h? Quantos cavalos tem o veículo do ministro?

MO: Não percebo muito de mecânica, mas, sendo um topo de gama, terá algumas centenas de cavalos.

GV: Centenas de cavalos? Meu Deus!

MO: Não pense que é uma carruagem puxada por tantos cavalos. Os tempos mudaram e os veículos modernizaram-se. Apesar de se ter mantido a palavra cavalo, agora significa potência. Depois eu mostro-lhe um automóvel.

GV: Se ainda me lembro dos meus conhecimentos clássicos, automóvel indica algo que se move sozinho.

MO: Precisa de combustível e de ser conduzida, mas, sim, anda sozinho.

GV: Parece-me bruxedo!

MO: Não é bruxedo, é ciência. Aliás, actualmente, as bruxas preferem ser chamadas de astrólogas.

GV: Como?

MO: No fundo, é um eufemismo.

GV: Essa gente pouco temente a Deus! Aproveitam-se dos mais fracos de espírito para fazer fortuna. Vão todas pingar nas chamas da ilha perdida.

MO: O Mestre Gil leva mesmo a sério o caminho que a alma toma depois de o corpo morrer. Todavia, nem tudo vai mal neste país. Por exemplo, de dois em dois anos, há a festa do futebol.

GV: Começo a perceber que esse jogo é muito importante.
MO: Sem dúvida. O país pára quando há campeonatos da Europa e do Mundo.

GV: Por falar em mundo, já lhe foram descobertas todas as partes?

MO: Sim. Agora, que já não há mais que descobrir na Terra, o Homem anda em busca de novos planetas e, quem sabe, de novas formas de vida.

GV: É fenomenal a capacidade de inovação do ser humano. Voltando à festa do futebol, gostava de saber como se organizam os festejos no século XXI.

MO: O essencial, que são os comes e bebes, mantém-se. As ruas são enfeitadas com as cores nacionais, o vermelho e o verde. E a população junta-se, gritando e festejando pela noite dentro as vitórias da equipa de Portugal.

GV: No fundo, não me parece muito diferente daquelas que aconteciam no Paço. Pelos vistos, a alegria é intemporal. A única coisa que mudou foi as cores da bandeira. Não sei se gosto.

MO: A minha mãe, que é entendida nessas coisa do “chega a agulha e afasta o didal”, diz-me frequentemente em surdina que o verde não combina muito bem com o vermelho e que o amarelo, então, estraga tudo. Bem, gostos não se discutem. O facto é que a festa do futebol foi incentivada pelo treinador da equipa, um nativo da Terra de Vera Cruz.

GV: Não me espanta. Desde que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil… Se me permite uma inconfidência, há quem diga que D. Manuel I já sabia da existência dessas terras e que se estava na iminência de se conhecer um novo continente. Naquela época, os portugueses eram sabidos! Não eram como os castelhanos que acreditaram no parvo do Colombo quando ele disse que tinha chegado à Índia! Isto veio a propósito de quê?

MO: Ia a dizer qualquer coisa sobre a Terra de Vera Cruz…

GV: Ah, claro! Depois de ter lido a carta que Pêro Vaz de Caminha enviou a D. Manuel I, vi logo que aqueles indígenas eram danados para a brincadeira!

MO: A sério?

GV: Não leu? Tem lá textualmente que “Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas.”

MO: (risos) Boa, Mestre! Ainda está em forma! E assim chegamos ao fim desta agradável conversa. Mais uma vez obrigada por se ter disponibilizado a viajar no tempo.

GV: O prazer foi todo meu.

Depois deste diálogo, levei o Mestre a dar uma voltinha de carro. Nos primeiros minutos, esteve sempre bastante nervoso, pensava que tudo era obra do Demo e chegou a gritar umas quantas vezes “Aqui d’el rei!” Por fim, acabou por serenar quando se apercebeu que, tal como na sua época, os motoristas se insultavam, pensavam que eram óptimos condutores e que a culpa era sempre dos outros.
A grande conclusão a que se chegou, após cavaquear com Gil Vicente é que Gil Vicente não tem nada que ver com o que está a acontecer ao Gil Vicente.


Maria Ortigão