quinta-feira, julho 27, 2006

EU SOU MAIS PORTUGUÊS DO QUE TU


Ainda na sequência do circo exageradamente montado à volta do Mundial de futebol e da nossa selecção, queixava-me a um grupo de amigos da demasiada importância que se dava ao futebol. Parecia que a salvação da pátria estava nos pés dos jogadores e deles dependia o nosso futuro. Tinha ouvido (nem imagens conseguira ver) que Francis Obikwelo vencera uma prova de um campeonato de atletismo (já nem sei onde) com uma excelente marca. Ou seja, tratava-se de uma óptima notícia para o país que não foi devidamente aprofundada, porque estava tudo mais ocupado a tentar saber se já não havia borbulhas na cara de Cristiano Ronaldo.
Na sequência, alguém disse:
— O Obikwelo não é propriamente português!
Claro, tem toda a razão! Se, ao menos, Obikwelo tivesse nascido numa aldeia remota da Beira Interior como o português Deco… De facto, não há quem tenha percurso de vida mais lusitano do que aquele jogador.
Quando nasceu, a madrinha deu-lhe o nome da organização que defende os direitos do consumidor português. Depois, aos seis anos de idade, o pequeno Deco já levava um rebanho de ovelhas a pastar na serra. Carregava um cestinho, no qual acomodava o almoço: pão saloio com um bocado de morcela no meio, regado com um bom tintol!
Foi, mais ou menos, por esta altura que uma equipa de reportagem da TVI o descobriu e deu a conhecer ao país o quanto aquele miúdo gostaria de deixar a vida de pastor para jogar futebol num dos três grandes.
Apesar de Obiwelo e Deco não terem nascido em Portugal, são duas pessoas que optaram por envergar a camisola das quinas e as vitórias dos dois deviam ser comemoradas de maneira igual.

Maria Ortigão



terça-feira, julho 25, 2006

FUI COMPRAR CUECAS



Influenciada por uma rubrica radiofónica de Nuno Markl, reparei que eu também precisava de uns fundilhos novos. O humorista português lamentou ter pedido aos familiares que lhe deixassem de presentear com roupa interior no Natal e nos anos. Contudo, via-se, agora, à míngua de boxers. Além disso, incluía-se naquele grande lote de homens que simplesmente não consegue ir comprar aquele tipo de vestuário.
Como não sou homem e não tenho qualquer tipo de problema em adquirir cuecas, fui em demanda das santas ceroulas. Já em casa, enquanto arrumava as minhas novas aquisições, apercebi-me de que o IVA cobrado por aquele pedaço de pano com elástico é de 21%! Então, os nossos governantes entendem que as cuecas não são um bem de primeira necessidade? Nunca pensei que fossem adeptos da filosofia do “ao fresco”. Tem estado calor e a temperatura média do planeta vem aumentando nestes últimos anos, mas Portugal transformado num grande Meco é uma imagem muito nua!

Maria Ortigão

quinta-feira, julho 20, 2006

IMPRESSIONANTE IMPRESSÃO



É impressão minha ou há uma guerra algures no planeta?
É impressão minha ou um país, tendo todo o direito de eliminar grupos terroristas que atentem contra a sua integridade, está a arrasar outro país?
É impressão minha ou esse tal país, em vez de bombardear alvos terroristas, está a acertar mais na população?
É impressão minha ou as autoridades internacionais estão pacatamente a assistir ao fogo-de-artifício?
É impressão minha ou o país que está a ser atacado está a responder mais fortemente do que o esperado?
É impressão minha ou o ódio não pára de crescer e não é com conflitos que se vai a algum lado?
Deve ser só impressão minha, porque, até agora, o mundo inteiro não está muito preocupado… Vamos ao que interessa, qual é o próximo jogo da selecção nacional?

Maria Ortigão

PONTAPÉS NA GRAMÁTICA E NÃO SÓ XVII


1. Cláudio Ramos, essa pessoa que aparece na televisão disse na brincadeira:
“— O meu sonho era casar com o Armando Gama!”

Comentário: Apesar de estar a mangar, acho que a verdade já andou mais longe.


2. O campo de Auschwitz mudou oficialmente de nome. Agora é Ex-Campo Nazi Alemão de Concentração e Extermínio em Auschwitz – Birkenau.

Comentário: Está decorado? Na próxima aula, quem não souber o nome todo daquele espaço vai ter de o escrever 50 vezes.

3. Catarina Furtado, apresentando o “Dança Comigo”:
“— Esta noite, vamos ter um grandessíssimo espectáculo de dança!”

Comentário: O superlativo absoluto sintético regular dos adjectivos forma-se juntando –íssimo, -érrimo ou –ílimo ao fim da palavra. Quando o adjectivo formar o dito superlativo com –íssimo e terminar em vogal, essa vogal cai para receber a nova partícula. Portanto, a grande retira-se o e final (grand-) e junta-se a marca de superlativo adequada (-íssimo), o que dá grandíssimo, a forma correcta.


4. Anda, por algumas regiões balneares do interior, uma biblioteca móvel com o objectivo de emprestar livros e cultura aos que por lá passarem. Um jornalista perguntou a um indivíduo o que pensava desta iniciativa. Resposta:

“— Acho muito bem, até porque os níveis de alfabetismo são muito altos por aqui!”

Comentário: Vá rapidamente à biblioteca consultar um dicionário.

Maria Ortigão

terça-feira, julho 18, 2006

COÇA ONDE PUDERES


As traseiras da minha casa dão para um pequeno campo que, de vez em quando, serve de pastoreio a vacas e cavalos. Assim, em algumas Primaveras, posso ver bezerros e potros a saltitarem, tão fofinhos! Este ano, com pena, não houve bebés a quem dar uma couve ou uma cenoura, mas os adultos são igualmente engraçados.
A vaca, com a precisão de um relógio suíço, às 18 horas, dá uns valentes mugidos que ecoam bem alto, reclamando água do dono. Ele traz, então, um balde com o precioso líquido ou encaminha a bichinha para um riacho que passa lá perto.
A égua, que me calhou este ano, é um equídeo muito pacato e sossegadinho em comparação com os do passado. Mas, certo dia, estava bastante agitada. Seria do calor? Também teria sede? Curiosa, fiquei a observar o que ela fazia. Encaminhou-se ligeirinha para um monte de silvas, virou-lhe o rabo e toca a balançar-se, direita-esquerda-esquerda-direita… Portanto, como tinha comichões no traseiro e lá não chegava, inteligentemente, procurou maneira de resolver o seu problema: roçar o rabiosque continuamente contra os espinhos de uma planta para, desta maneira, aliviar a urticária.
Animais irracionais, “my ass”!

Maria Ortigão


PARA MIM? NÃO ERA PRECISO!


Sou fã das crónicas semanais de Zé de Bragança, na revista “Notícias Magazine”. Este domingo, escreveu sobre presentes e favores.
Dizia que “No passado, a aceitação de gratificações e presentes constituía infracção disciplinar muito grave punida com sanções severíssimas” para evitar “a existência de uma contrapartida antecedente ou futura.” Não sei onde exactamente situaria Zé de Bragança o passado a que se refere, mas, quando andava na primária, lembro-me perfeitamente de que a minha mãe ficava fula por ver algumas das outras mães a porem na mão da professora um ramo de flores, uns ovos caseiros, umas alfaces, uns chocolates…
Mais à frente, o cronista afirmava que “Portugal é o país do favor.” e que recentemente “a mais idiossincrática tendência portuguesa para o presente agudizou-se. (…) Com o advento da democracia esta prática – que sempre existiu – transformou-se em cultura.” Como estas palavras são tão certas! De facto, depois da primária, nunca mais vi (pelo menos, tão descaradamente) professores presenteados.
No entanto, já no novo milénio e numa instituição pública de ensino superior, contemplei, perto do Natal, a secretária de uma professora a encher-se de pequenos embrulhos brilhantes à medida que os alunos iam entrando na sala. Recordo-me de ficar pasmada, pois pensava que aquilo se tinha extinto. Não faço ideia de quais eram exactamente as intenções dos presenteadores nem se a presenteada correspondeu às expectativas dos primeiros. Sinceramente, não quero saber, porque se as minhas desconfianças fossem confirmadas…

Maria Ortigão



sábado, julho 15, 2006

Imoral

Absolutamente imoral, que os jogadores portugueses de futebol peçam para não pagar impostos de prémios de jogo.
1º Porque eles têm mais possibilidades que o resto de nós;
2º Como se atrevem, depois de o apoio que receberam dos portugueses (e não só), a pedir o semelhante quando o povinho se esforça tanto para manter os seus ao dia?!
Deviam ter vergonha, mesmo! E serem insultados! (Ai, q ainda me confundem com um certo autarca...)
M.Q.
P.P.: Acho que deviam pedir desculpas públicas, mas lá se releva e não há revolução.

terça-feira, julho 11, 2006

E DEPOIS DO MUNDIAL



1. “Forza Italia”

Depois da desilusão do último jogo de Portugal (foi mesmo uma desilusão ficar com o quarto lugar e sofrer três golos, não vamos tapar o Sol com a peneira), vi com muita expectativa e alegria a final do Mundial.
Aqueles italianos são “belissimi” e até nem jogaram tão na “retranca” como é costume. É uma equipa cheia de bons talentos que devem ser devidamente apreciados!
No final, visão das visões, até apareceu um jogador italiano em cuecas! Haverá melhor selecção (a seguir à portuguesa)?

2. A sobrevivência da espécie
Fiquei chocada por ver um jogador da classe e experiência do Zidane, no seu jogo de despedida, a fazer aquela agressão. O espírito animalesco possui-o e, qual veado com cio, atirou-se à cabeçada (se calhar, não queria sujar as mãos) ao seu rival, na esperança de seduzir a fêmea da sua predilecção, carinhosamente chamada Bola.
Obviamente foi expulso e, depois, não tão obviamente foi considerado o melhor jogador do Mundial! Então, tanta coisa com o “fair play”, o Cristiano Ronaldo até nem foi eleito o melhor jogador jovem, porque se atirava muito para o chão e era dissimulado, e a FIFA não leva em linha de conta a atitude altamente reprovadora do jogador francês?
E quem ficou em segundo lugar? Deve ter sido o Rooney, pois, afinal, o que conta é andar à estalada. Pena é que o Petit tenha estado tão em baixo de forma, caso contrário ainda poderíamos ter um português na corrida.
Lamento que os senhores do futebol só agora tenham mudado os seus critérios de avaliação, uma vez que o João Vieira Pinto e o Sá Pinto seriam sérios candidatos à bola de ouro! Enfim, os portugueses já estão habituados a serem injustiçados… é a sina dos pequeninos.

3. Doce normalidade
O Mundial acabou. Voltamos à crise, aos incêndios, às fábricas que ameaçam com despedimentos em massa, aos atentados terroristas um pouco pelas Arábias… Ah, doce normalidade!
4. Queriam, não queriam?
A Federação Portuguesa de Futebol teve a lata de sugerir que o Estado deveria perdoar os impostos aos 50 mil euros (quantia irrisória!) de prémio que os jogadores receberam. Mas nem que eles tivessem trazido a taça! Andam milhões de portugueses a poupar e a pagar a crise e eles metiam tão fartamente ao bolso. Era o que mais faltava.
Há ainda quem venha dizer que a vida de futebolista é curta, que depois precisam de rendimentos… Que amealhem, que não desbaratem balúrdios em carrões, em casarões e que não façam férias luxuosas e, com o que recebem (salários, dinheiro da publicidade e dos direitos de imagem), conseguem uma reforma muito melhor que a do comum português.

Maria Ortigão

sábado, julho 08, 2006

Irritantes

Aqueles conjuntos de palavras que devemos (re)escrever [nos comentarios, etc.] "para nossa segurança". Um teste de criptologia e de paciência!
M.Q.

Paradoxal

O Porto tem Metro de superfície, Espinho (terá) comboio subterrâneo.
M.Q.

quarta-feira, julho 05, 2006

Coisas do Mundial

Acho inadmissível que se abram telejornais com resultado futebolísticos quer seja da 1ª liga ou do Mundial, com trasferências e afins. Acaso não há conflitos no Mundo, crianças que morrem a fome ou que são maltratadas por quem as deveria proteger?! Já para não falar da situação política-económica-social do país.
1.- Lembrando-me do coreano que ao marcar o golo decisivo contra a Itália viu seu contrato suspenso resolvi colocar a seguinte dúvida (Não fui a tempo) : Se o Cristiano marcar o golo decisivo, sai do Manchester? Não marcou o golo decisivo mas marcou o último penalty, e ainda portou-se mal como de costume. O que vale é que há interesse do Real, vejamos se vai porque quer e deve, ou se o Manchester para não dar aquele ar de amuo o retém.
2.- Alguém viu (na t.v.) a Merche nas bancadas?
3.- Desde quando é notícia como os portugueses festejam a vitória por esse paía fora?!
4.- Porquê o povinho gosta de gritar Portugal?! Aproveitem o tempo de antena para dizer qualquer coisa, mas não gritem!
5.- É do interesse geral/Nacional saber que Scolari até comungou?!
6.- De facto quando não se podem ver as grandes penalidades, contar os nossos acertos e os falhanços deles (NOSSAS DEFESAS) é complicado... achava que já iamos no 6º.
7.- Agora, deixo-me invadir da febre e sonho com a vitória final, mesmo sabendo q a desilusão é maior. (Até me incluo na conjugação pronominal!)

Ave Maria, Ave Maria!!!
M.Q.

terça-feira, julho 04, 2006

ENQUANTO A PEDRA VAI E VEM…


Americanos e iraquianos publicaram uma nova lista de pessoas procuradas por vários crimes. Desta feita, querem prender quem incita à violência. Coitado do nosso presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, que já tem o FBI à perna depois de ter mandado apedrejar os inspectores ambientais. Uma vez que apedrejar é quase uma tradição muçulmana e a Al-Quaeda é uma organização terrorista muçulmana, Bush somou dois mais dois e o português está na lista negra.

Maria Ortigão

MUNDIAL, O PERTURBADOR DE MENTES



1. Zanga familiar

Ainda faltava algum tempo para o jogo Portugal – Inglaterra e o meu pai, na cozinha, afadigava-se a arranjar a máquina de costura da minha mãe. Parecia ser um conserto pouco complicado, mas acabou por se prolongar.
Entretanto, o duelo esperado já estava a começar; o meu pai enervava-se, porque não via o jogo nem conseguia dar conta da reparação; a minha mãe chateava-se, pois não tinha a máquina pronta nem o “habilidoso” se concentrava; eu não conseguia escutar a televisão, porquanto a discussão começava a estalar. Encontrava-me na sala e tinha a porta, que ligava as duas divisões, aberta para que o meu pai pudesse ouvir os comentários, uma vez que não temos televisor na cozinha. Transcrevo, agora, parte do diálogo:
Pai: Ó “Maria Ortigão”, põe a televisão mais alta!
Mãe: Tu ‘tás mas é c’o sentido na bola!
Pai: Ainda ‘tou aqui, não ‘tou? Isto não é fácil!
Eu: Assim não consigo ouvir se os jogadores sabem ou não dizer “egrégios”!
Depois de alguns arrufos (nada de grave, todavia distribuíram-se alguns cartões amarelos), o meu pai chegou, por fim, à sala no momento em que o Tiago falhou uma oportunidade de golo. Então, surpreendido com a titularidade daquele jogador, perguntou-me quem estava ele a substituir. Eu não sabia. Seria o Petit? Eu também não sabia, mas pensava que o sarrafei… quer dizer, o Petit estava a jogar.
— Porra, também não sabes nada! ‘Tás a ver o jogo p’ra quê? – resmungou o meu pai.
Estupefacta, pedi desculpa por não ter conseguido decorar algo tão importante e fundamental para a existência humana como o era o onze inicial português mais os homens que tinham ficado no banco!
Esta história é a prova de que futebol em excesso pode provocar a desagregação familiar. Valeu-nos S. Ricardo que, com as suas mãos, operou o milagre da vitória e a harmonia voltou a reinar cá em casa.



2. O vencedor que é vencido e o vencido a vencedor
Após o jogo, estalaram os festejos e a alegria um pouco por todo o lado. E esse um pouco por todo o lado também chegou a França (próximo adversário do nosso país), onde um emigrante disse para as câmaras de televisão:
— Que Portugal ganhe, mas que a França ganhe na final.
Ora, se Portugal ganhar, a França não vai à final. E se a França ganhar na final, quer dizer que derrotou Portugal na meia-final. Em suma, um dos dois vai ter de perder. É o que eu digo, futebol em excesso prejudica o raciocínio.

Maria Ortigão