domingo, outubro 30, 2005

Penso que...

a entrada em museus deveria ser gratuita (pelo menos) para estudantes. (E que tal terceira idade?) Mostrava-se o cartão e: " sim, sr. faça usufruto de toda a cultura que temos para si". Acaso não é uma parte importante da educação... formação pessoal... assistir à exposições? Pelo menos poderiam colocar mais um dia de utilização gratuita durante a semana; porque eu n gosto das confusões matinais dominicais que acontecem em Serralves, todos ao molho... (E SÓ AOS DOMINGOS DE MANHÃ?) Isso: a cultura, as visitas aos museus que tanto gostam de apregoar que os portugueses não frequentam mas que os números mostram que têm aumentado, isso, também não conta para que Portugal fique bonito nas estatísticas desta nossa União?!
My favorite spot: http://www.cpf.pt gosto da mística do lugar, da história, gosto das escadas, do átrio... uma amante da liberdade como eu não deveria preferir uma cadeia... amo fotografias... espero que não seja só porque a entrada é gratuita. Sempre que tenho tempo, este lugar acolhe-me.
M.Q.

Divulgação cultural:

http://www.cinanima.pt ou www.mutlimeios.pt, ainda não há resumos o q é uma chatice porque quem não conhece nomes não pode escolher conforme duração ou nacionalidades... Mas o importante é que está aí um significativo acontecimento cinematográfico neste deserto.
M.Q.

terça-feira, outubro 25, 2005

M. FUN


Não é segredo para ninguém que eu gostaria muito que o próximo Presidente da República fosse Manuel Alegre. Que bonito que era termos um presidente poeta!
Fiquei a saber que um dos responsáveis pela campanha do meu candidato será Pacman, vocalista dos “The Weasel”. Penso que será uma parceria interessante, porque, de maneiras diferentes, são ambos mestres da língua e no modo como a exploram. E o facto de Manuel Alegre contar com uma personalidade que é um ícone para a juventude portuguesa, pode aproximá-lo daqueles para quem já é um “cota”.
Tenho a certeza de que Pacman vai operar um rejuvenescimento na imagem do poeta.
Para começar, há que actualizar um nome tão banal, como é o de Manuel Alegre, para algo mais sonoro, mais moderno do género M. Fun. Será mais emocionante, na abertura de um discurso, ouvir-se dizer: “Iô, iô, iô! M. Fun ‘tá na área!”
A indumentária também deverá ser diversificada. Nada de fatos e gravatas pesadões. A partir de agora, só bonés com pala ao lado, camisolas de basquetebol, calças de gancho descido e chapas ao pescoço.
Nos discursos, usar e abusar de calão, de “iôs” e evitar palavras com mais de cinco sílabas.
Para já, Pacman tem vindo a modificar algumas composições poéticas de M. Fun, para as tornar mais interessantes. Vejamos como ficou “Trova do vento que passa”:

Som do people que passa

Pergunto ao people que passa
novas do meu cota
e o people cala a desgraça
o people nada me desboca;

Iô, iô, iô

Pergunto às damas que levam
tanto hip hop à flor das águas
e as damas não me sossegam
levam hip hop deixam mágoas.

Iô, iô, iô
(…)

Ninguém diz puto de novo
se novas vou pedindo
nas mãos vazias do people
manquei minha gera florindo.

Iô, iô, iô

E a night está a bombar por dentro
do people do meu cota
peço novas ao people
e o people nada me desboca.

Iô, iô, iô
(…)

Mas há sempre uma light
dentro da própria desgraça
há sempre um man que semeia
hip hop no people que passa.

Iô, iô, iô

Mesmo na night mais bera
em tempo de servidão
há sempre um man que resiste
há sempre um man que diz não.

Iô, iô, iô
Hãhã, hãhã

Maria Ortigão



PONTAPÉS NA GRAMÁTICA E NÃO SÓ XVI


1. Apresentadora do programa “Quem Quer Ganha”, falando com uma telespectadora ao telefone:
“— Poderia baixar o som do volume do televisor?”

Comentário: Compreende-se. O som da área é muito mais suportável.


2. Amiga:
“— No segundo ano da faculdade, que ninguém me chame semipu… Quero ser pu… por inteiro!”

Comentário: Isto é que é uma mulher de tomates!

3. Eu:
“— Já viste os suspensórios daquele carro?”

Comentário: Se algum dia me acontecer algo com o carro, está visto que preciso de ligar à Marta.


4. Amiga:
“— Estás a brincar ou estás a gozar?”

Comentário: Que reinação!

Maria Ortigão

ELEIÇÕES À PORTA – O QUE FAZER?


Ainda bem que, em Portugal, há eleições livres, o que quer dizer que vivemos numa democracia. Mas as campanhas e as pré-campanhas, cada vez mais pré e cada vez mais agressivas, cansam-me tanto!
Estamos quase a entrar na pré-campanha para as presidenciais e o “lixo” das autárquicas está a ser limpo a um ritmo muito lento. Sempre que saio e entro em casa ainda tenho de me deparar com a face risonha do eleito presidente da Junta de Freguesia. Deve ser de propósito para prolongar o sabor da vitória! Só faltava virem tirá-lo do poste telefónico às tantas da noite e fazer um barulhão como quando o colocaram lá.
Contudo, como eu não estou para suportar mais semanas de grandes cartazes, pequenas cartas recebidas na caixa do correio, promessas vãs… Decidi que vou emigrar para um país que viva em ditadura, durante o próximo período. Assim, não corro o risco de aturar campanhas, pois não há eleições.
Posto isto, só falta decidir o país contemplado. Cuba? Não, como a Manuela me fez ver, não passaria por um alonga campanha, mas teria de ouvir os longos discursos de Fidel Castro. Enfim, era pior a emenda que o soneto.
Se for para algum país islâmico, daqueles bem fundamentalistas, teria de usar toneladas de roupa para ficar bem tapadinha. Além disso, não gosto de calor e, por lá, as temperaturas são muito elevadas.
África? Não basta o calor, ainda tem humidade, o que me deixa o cabelo muito volumoso e frisado.
Afinal, o destino de sonho está mais perto do que eu pensava. Vou já começar a fazer as malas. Pessoal, até breve! Rumarei à Madeira!

Maria Ortigão



segunda-feira, outubro 24, 2005

Rabiscos...

Estava eu parada mais uma vez por causa das inumeras obras realizadas na estrada quando me apercebi que um cartaz de campanha do Bloco estava pintado de branco, aí pensei: finalmente estão a tirar os cartazes! Mas o meu cérebro, esse maravilhoso mundo de sinapses presenteia-me com o seguinte:
«... os cartazes depois deveriam servir para alguma coisa, já que somos obrigados a aturá-los; olha que bem ficavam um grafittis aí- eu sou adepta da modalidade quando exercida em condições- foi aí que vi o fogo-de-artificio provocado por tais ligações químicas, a Manuela que não se conforma em desperdiçar 5€ em tais elementos resolveu: que nas próximas autárquicas vai embelezar todos essas figuras-a expressão cabeça de cartaz acenta-lhes que nem uma luva- vou-me divetir à grande!»
Vandalismo não, liberdade artística!
Me aguardem de marcador em punho!
M.Q.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Eu e as autárquicas...

Uma série de apontamentos:
- Não concordo com a expressão "ganhamos ou perdemos" câmaras. Sei que é gíria, que há coisas mais importantes, mas devia ser: fomos eleitos para os cargos que nos propusemos ou não! Ganhamos! Da-lhes mesmo ar de quem está aí pelas "oportunidades de carreira", para não ser ofensiva.
- As reações do Valentim deram-me uma ideia engraçada: os dirigentes políticos deveriam "soprar ao balão" e fazer controlo anti-dopping; já se sabe que no seu caso é tudo (anti-) natural.
- Jorge Coelho, numa tentativa de desdramatizar, dizia: o PS obteve resultados parecidos com os de 2001, resultados esses que levaram à fuga de A. Guterres!, lembram-se? (É claro que o caso não se põe nesta legislatura q ainda começa, era o que mais faltava, andarem a brincar ao "demito-me por tudo e por nada"; sejam homens, cumpram os seus desígnios).
- Manuel Maria Carrilho: «... acho que é nosso dever votar...» (eu não votaria num candidato que não tem certeza acerca da pedra basilar da democracia).
- Que eu saiba só se deve buzinar em caso de emergência, o que dizer à noite? Eu conheço gente que não aceitam que se buzine num casamento porque acham foleiro- todos de acordo-, mas essa mesma gente não se coibe de buzinar que se farta nas caravanas políticas e nas comemorações nocturnas. À quem me quiexo?
- Para saber resultados das câmaras (algumas claro, que o Menezes nem teve direito a total cobertura- será porque davam a vitória como adquirida?) é preciso estar com- muita!- atenção à t.v.- que aquilo é tudo muito confuso. Para saber os resultados da sua "freguesia" basta esperar pelas buzinadelas e vir à janela! «ouvir os cães que ladram enquanto a caravana passa».
- Quanto aos brindes, já disse, acho absolutamente desnecessários. Era bonito q todos se juntassem e decidicem que não davam nenhuns, que apenas partilhariam a sua memsagem política.
- Sou contra também o "circo que entretem o povo"- conjustos musicais, arma-se o arraial e já está-algumas delegações nem aparecem. Não há uma entidade que delimite as actividades partidárias de campanha, não deveriam ser acções de instrução?
- Abomino: aclamar dirigentes, bandeiras, palmas e cânticos; recepçõe e séquitos.
- Discursos interrompidos por vocalizações de siglas partidárias.
- Não percebo porque no domingo, numa freguesia populosa e fortemente automobilizada, onde as secções de votos estão concentradas num único local, e que detem um posto da GNR não havia quem organiza-se o trânsito/estacionamento ou estabelecessem um percurso circular de sentido obrigatório, fechando alguns sentidos nalgumas ruas. Não me levem a mal, eu acho que a GNR deve servir para coisas mais importantes que ordenar o estacionamento, mas há pequenos caos que podem ser evitados.
- Abomino que na segunda rodada de cartazes de campanha apareçam mulheres, só para mostrar a presença feminina.
Conclusões:
Situações de privilégios monetários e outros, imunidades... são resquícios daquele poder caciquista, terra-tenentista, como quiserem, de elites que não souberam limpá-lo de seus defeitos e que soube muito bem conservar suas falhas como porta de saída de emergência. Não houve ninguém que chegasse ao poder e achasse vergonhoso os balúrdios que auferem e propusessem uma redução, nem mesmo os de esquerda! Daí que o limitação de mandatos só surja agora e como forma de retirar certas figuras do poder.
Não se deveria introduzir uma obrigatoriedade de dar baixa nos cadernos eleitorais de idosos que não se possam deslocar ou que tenham capacidades para votar? Todos esses contam como abstenção?
Também não percebi, ainda, porquê numa sociedade altamente burocratizada como esta-onde o que não falta são documentos identificativos- temos de ter cartões eleitorais não deveria chegar ser maior de idade- num aparente juizo perfeito- e apresentar o B.I.- q penso ser o docuemnto máximo? Naturamente há obrigatoriedade de actualizar os dados e de ter atenção as datas de término de validade. Ainda que a obrigatoriedade de inscrição nas juntas continue a vigorar o B.I. deveria servir. Impressionante como num país com tão maus resultados na matemática se gosta de estatísticas!
Há figuras que pelo seu mediatismo não podem ser levadas à serio, o caso do M. M. Carilho, pré-conceito eu sei, mas é assim que pensa a "arraia miúda" e, é assim que trabalham os dirigentes de campanhas. Assim, o (F.) Assis não era concorrência para o (R.) Rio.
Notas "engraçadas": Sim, que isto de ficar horas agarrada a televisão para ser informada tem que ter as suas benesses...
Carilho não saber da mulher no momento dos agradecimentos.
Carrilho fazer menção à JS (com os seus rídiculos cantos) e quando o Carmona "aparece" tem a sua juventude em coro futebolístico adaptado.
Sócrates foi inteligente ao dizer que ler nas entrelinhas era oportunismo político.Os jornalistas como sempre podiam fazer melhores questões.
E pergunto:
- Pode-se usar patentes militares depois da expulsão do exército? Li q "o major" tinha sido expulso, já na altura, por situações dúbias: ficar com ganhos/sobras, comissões...
M. Q.

terça-feira, outubro 11, 2005

ELEIÇÕES: PARA QUANDO O SOSSEGO?


1. Cinco dias antes das eleições


Conselho de amiga: se querem manter a sanidade mental, não saiam de casa dias antes de qualquer eleição. É que, lá fora, encontram uma selva e nós, os eleitores, somos a presa. De facto, os partidos e os respectivos candidatos aproveitam para queimar os últimos cartuchos e andam, quais baratas tontas, de um lado para o outro completamente frenéticos.
Ora, eu, a Manuela e outros amigos cometemos o grave erro de pormos os pés fora de casa, nesta altura.
No percurso, feito de automóvel, encontrámos uma caravana de um partido. Ele era carros que nunca mais acabavam, buzinadelas insistentes, apitos, bandeiras, palavras de ordem, música em altos berros… E nós, parados, à espera que acabassem de passar. Até que o candidato parou de propósito para nos deixar seguir a marcha. O que eles não fazem para nos caçar mais uns votos!
Pensávamos, com alívio, que o pior tinha passado. Todavia, o mundo é cruel! Mais à frente encontrámos a caravana rival. Como um azar nunca vem só, ficámos imediatamente atrás do camião de caixa aberta que fechava o cortejo e… prova cabal de que Deus não existe… a rua era de sentido único, logo, não podíamos ultrapassar. Infelizmente, esta caravana andava a passo de caracol, parava para dar brindes aos transeuntes e nós certamente que passámos como apoiantes daquela candidatura. Que vergonha!
Mas há mais… O camião de caixa aberta levava um grupo de pessoas a gritar, a apoiar, a cantar, a incentivar ao voto no candidato… Eu resolvi não me ficar e, tal como já tinha feito com a caravana anterior, também gritei as minhas palavras de ordem: “Ladrões! O que vocês querem é o dinheiro dos pobres!” A Manuela estava muito preocupada, porque pensava que, por minha causa, ainda íamos todos para a esquadra. Não percebo a razão. Então, se eles podem gritar mentiras (vulgo promessas), que mal tem em eu dizer verdades?
Não resisto a contar só mais um episódio com o objectivo de aliviar (sim, esta é a palavra mais correcta!) a tensão. No aglomerado de pessoas que se encontrava no camião, destacou-se um rapazito que confirmou que isto de andar em campanha pode dar grandes apertos (outra palavra muito bem escolhida!). O “piqueno”, sentindo o chamamento da Mãe Natureza e não o podendo ignorar mais, não teve outro remédio senão expelir do seu corpo o líquido sobejo. Pois foi ali mesmo, do alto do camião para a estrada, que o moçoilo completou mais um ciclo do corpo humano. Achei o momento artístico, na medida em que me fez lembrar aqueles belos repuxos de água, nos quais um menino nu dá o seu contributo para o pequeno lago. Também foi interessante a atitude da (suponho) progenitora. Procurando dar alguma privacidade a tão íntimo acto e procurando, ao mesmo tempo, evitar qualquer salpico indesejável, colocou a bandeira do partido a servir de guia ao repenicado jacto. Ah, as crianças…

2. Um dia antes das eleições

Devia ser dia de reflexão todos os dias. Quem é que já não estava farto de comícios e cartazes? Contudo, para mal dos nossos pecados, as presidenciais são daqui a poucos meses e nem vamos ter tempo para respirar.
Tinha-me apercebido de que esta campanha, que agora termina, havia sido muito aparatosa, porque cada vez se vêem mais cartazes, panfletos, brindes, músicos para animar as festas… Afinal, estamos ou não em crise? Foi, então, que vi, na comunicação social, quanto os partidos gastaram. Assim como a santa Fatinha nem sequer conseguiu pronunciar a infame cor, eu também não consigo escrever o número consumido. Mais estupefacta fiquei, quando soube que cada português contribuiu, em média, com cinco euros para aquele número! Eu dei cinco euros para aquele folclore todo? Sinto-me tão enganada, tão usada, tão revoltada! Para as campanhas arranja-se logo dinheiro, pelo contrário para pôr aquecimento numa escola ou para tapar um buraco do saneamento (só para citar alguns exemplos) é um “Ai, Jesus!”, porque não há dinheiro, estamos de tanga. Pois é, a crise não toca a todos!
Além disso, se o período de campanha eleitoral é de duas semanas imediatamente anteriores ao escrutínio, só deveria ser ocupado esse tempo, ou seja, era bom que se acabasse com a pré-campanha. Quinze dias chegam e sobram para os políticos apresentarem as suas propostas. Era melhor para todos, pois, assim, poupava-se dinheiro, os políticos não se cansavam tanto e, sobretudo, não nos cansavam tanto.



3. Na noite das eleições: a vitória dos três mosqueteiros

Fátima Felgueiras, Isaltino Morais e Valentim Loureiro conquistaram as suas câmaras. Só faltou o d'Artagnan Avelino Ferreira Torres.
Aqueles mosqueteiros são a prova de que o crime compensa. Mas, enfim, estamos em democracia e foi o povo que os elegeu. Ao contrário de alguns analistas políticos, não considero que a população daquelas localidades seja a grande culpada por eleger pessoas que estão a contas com a Justiça. O problema está no sistema (espero que Dias da Cunha não se importe que eu esteja a usar a sua palavra preferida) que permite que arguidos se candidatem a um cargo de responsabilidade.
Fátima Felgueiras teve a distinta lata de, no seu discurso vitorioso, falar de ética e moral. Se calhar, comprou-as nalguma loja brasileira e pensa que ninguém sabe o que são! Para além disto, a sua candidatura chamou-se “Sempre presente”! Os dois anos que esteve foragida, no Brasil, foram uma ausência presentificada ou uma presença na ausência ou uma aupresência?
Valentim Loureiro, depois de ter mostrado muito mau feitio para com o pobre do homem que lhe tentava arranjar um microfone, abriu-se num sorriso e fez um discurso digno de um militar que tinha acabado de tomar pela força o poder, num qualquer país do hemisfério Sul.
No entanto, o melhor da noite ficou a cargo de Rui Rio, que teve a honra de nos presentear com a sua melodiosa voz, cantando “A Portuguesa”.
Como dizem os títulos de algumas cartas electrónicas, isto é “Portugal no seu melhor”!


Maria Ortigão

Heróis e sociedades

«Revolucionario ou reformador- o erro é o mesmo. Impotente para dominar e reformar a sua própria atitude para com a vida, que é tudo, o homem foge para querer modificar os outros e o mundo externo. Todo o revolucionário, todo o reformador, é um evadido. Combater é não ser capaz de combater-se. Reformar é não ter emenda possível.
[Ébrias de uma coisa incerta, a que chamaram «positividade»,] essas gerações criticaram toda a moral, esquadrinharam todas as regras de viver, e, de tal choque de doutrinas, só ficou a certeza nenhuma, e a dor de não haver essa certeza. Uma sociedade assim indisciplinada nos seus fundamentos culturais não podia, evidentemente, ser señao vítima, na política, dessa indisciplina; e assim foi que acordámos para um mundo ávido de novidades sociais, e com alegria ia à conquista de uma liberdade que não se sabia o que era, de um progresso que nunca definira.»
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego, nsº 160 e 175.
M.Q.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Razões pelas quais eu adoro o seu génio:

«O Savedra do "Século" tinha-lhe dito: o amigo é o nosso Shakespeare! O Bastos da "Verdade" tinha afirmado: és o nosso Scribe! Houve uma ceia. E tinham-lhe dado uma coroa.
- E serviu-lhe-acudiu Julião.
- Perfeitamente; um bocadinho larga..
(pág. 423)
O mesmo parente.
M.Q.

O que Eça escreveu:

«-A que horas queria você que chegassemos? Às horas da tabela, talvez! Doze horas de atraso, essa bagatela! Em Portugal é quase nada...
- Houve algum transtorno? ...
(...)
- O transtorno nacional! Descarrilou tudo!»
(pág. 446)
«Mas quem diabo se lembra de vir a Portugal? Estrangeiros? É justamente o que me espanta! - E encolhendo os ombros com rancor: - É o clima, é o clima que os atrai! O clima, este prodigioso engodo nacional! É um clima pestifero. Não há nada mais reles do que um bom clima!... »
(pág. 447)
in "O Primo Bazilio", E. Queirós.
M.Q.

Urge

proteger-nos da publicidade, sem eliminar a possibilidade que "não-registados" comentem na blogosfera.
M. Q.

terça-feira, outubro 04, 2005

ESTÁ AQUI UM MAU AMBIENTE!


1. Estamos a derreter


O pólo Norte está a derreter e com fortes probabilidades de desaparecer nos próximos anos, muito por culpa dos gases nocivos, que são lançados para a atmosfera e que provocam e agravam o efeito de estufa. Desaparecendo aquela mancha de gelo, desaparecem os animais que lá habitam. Para além disso, os raios solares deixam de ser reflectidos no gelo e passam a aquecer directamente as águas, o que está na base do aumento de furacões e tempestades tropicais.
Por sua vez, com mais gelo derretido, o nível do mar aumenta, ameaçando as zonas costeiras. De facto, há um ano e meio, pude observar, “in loco”, algumas praias muito danificadas. No distrito de Aveiro, o areal está a desaparecer e o mar começa a engolir a terra envolvente, “construindo” falésias que ameaçam ruir a qualquer momento.
Todas estas alterações estão também na origem de secas em alguns pontos do globo (nós, portugueses, sabemos bem o que é) e chuvas torrenciais noutros.
O que foi escrito até agora está de acordo com as declarações de dois cientistas, chefes de uma vasta equipa norte-americana de analistas ambientais.
Para mais informações, recomenda-se o visionamento de episódios de “National Geographic” e “Hora Discovery”, repletos de depoimentos de cientistas.



2. Poupar água

Pois é, agora que vivemos uma seca, é que nos lembramos de poupar água. Apesar de tudo, mais vale tarde do que nunca.
Não sei se já alguém se lembrou disto, mas aproveito para deixar aqui um método que eu e a minha família adoptamos para poupar água e consequentemente na carteira. Assim, sempre que é necessário abrir a torneira e deixar correr a água até que saia quente (para lavar os dentes, para tomar banho, para lavar a louça…), em vez de a deixarmos sumir-se pelo cano abaixo, deita-se para um balde. Eu, que só tomo banho de água bem quentinha, consigo encher mais de meio balde!
Depois, a água armazenada é utilizada para lavar a casa de banho ou o chão da cozinha, para regar as plantas, enfim, para tudo aquilo que é necessário um pouco de água.
Acreditem, resulta mesmo!

Maria Ortigão


PONTAPÉS NA GRAMÁTICA E NÃO SÓ XV


1. Entrevistado no “Jornal da Tarde”:
“— Se somarmos todos os ‘itens’ (pronunciado à inglesa ‘aitens’)…”

Comentário: A língua inglesa está cada vez mais presente nas nossas vidas, mas não vamos exagerar. A palavra “item” chega-nos sem alteração ao português, logo, o [i] lê-se sempre [i], nunca [ai]. Temo que, em breve, também teremos o “aidem” e o “in vaitro”!


2. Insigne professor de Literatura Brasileira da Faculdade de Letras do Porto:
“— Os índios cultivavam animais!”

Comentário: Professor … para ministro da Agricultura, já!

3. Amigo:
“— Qual é a diferença entre o ‘Calimero’ e a ‘Ovelha Maia’?”

Comentário: Uma simples troca de “mééé´” por “bzzz”!


4. A minha mãe:
“— Não sei a que horas acaba o fim do jogo.”

Comentário: Só no final é que se saberá.

Maria Ortigão

MAIS POLITIQUICES


1. Um Rio descontrolado


Rui Rio, candidato à Câmara Municipal do Porto, foi duramente apupado numa visita a um bairro portuense. Por ter notado um número, na sua opinião, anormal de camisolas e bandeiras do PS nos que o criticaram, resolveu afirmar que o partido rival estaria envolvido nos insultos de que foi vítima. Como já perdi, há muito tempo, a confiança nos políticos, devo dizer que não me espantaria nada que o Partido Socialista andasse realmente a fazer jogo sujo com o intuito de prejudicar a coligação oponente.
No entanto, será que Rui Rio não pensou que a população poderia simplesmente estar descontente com a sua política?

2. Assustamos ou pregamos cartazes?

Passa da meia-noite. As bruxas saíram, há pouco, dos seus repelentes covis e pavoneiam-se nas suas vassouras, prontas para fazer maldades e assustar os pobres mortais. A noite é-lhes propícia com a Lua cheia, uma certa neblina e um piar longínquo de aves de mau agoiro.
As indefesas criaturas humanas, julgando-se a salvo, nas suas humildes casas, dormem o sono dos justos, alheadas ao terror que se aproxima.
Os monstros nocturnos já vêm a caminho, deixando um rasto gelado nos corações de quem os escuta.
De repente, escolhem o alvo e atacam-no sem dó nem piedade. É uma casa familiar sem defesas suficientes para resistir à brutal investida de tais horrores. Os humanos acordam sobressaltados com um barulho que se assemelha a um bater contínuo e portentoso na parede. Parecia que os seres nocturnos esburacam os muros, visando penetrar na habitação e arrancar os seus ocupantes do calor do lar. Entretanto, a pequena família tiritava num abraço impotente. O que é isto? Porquê nós? O que nos querem?
Mas o pai da família, inspirando um sopro de coragem, dirige-se para a porta, enquanto os membros os tentam impedir, implorando-lhe para que não os abandonasse. Tremendo como varas verdes, o homem entreabriu a porta e espreitou… Oh, que visão infernal! Que trevas cortantes! Era… um grupo de três pessoas que pregavam, no poste telefónico, um cartaz de um candidato à Junta de Freguesia. Nesse cartaz, liam-se as qualidades do candidato: “empreendedor, humanista e solidário”. Penso que bastava “barulhento”.

Maria Ortigão

BANDA SONORA ESTOMACAL


Durante um espectáculo (cinema, teatro…), um telemóvel a tocar incomoda muita gente.
Durante um espectáculo (cinema, teatro…), uma pessoa atender o telemóvel, que estava a tocar, incomoda muito mais.
E se durante um espectáculo (cinema, teatro…), um espectador se lembrasse de dar um sonoro e longo arroto? E se eu disser que este cenário hipotético se tornou realidade, durante uma peça de teatro a que assisti?
Respostas possíveis:
a) Nã! ‘Tás a gozar!
b) Acho muito bem que se mostre apreço pela refeição tomada!
c) Ninguém lhe bateu?
d) Se tivesse comido feijoada, podia ter sido muito pior!

Maria Ortigão



E O DIÁRIO CONTINUA…



Ontem, no “Jornal de Notícias”, Manuel António Pina escrevia, no espaço “Por Outras Palavras”, assim:




Aventura no Estado (happy-end)

«Resumo do episódio anterior: para poder receber o que o Estado lhe devia, o herói, vencido a primeira e penosa prova a da entrega do Requerimento, aventurara-se nos labirintos da Segurança Social do Porto em busca do Velo de Oiro, a prometida Certidão!, tendo descoberto, ao fim de mês e meio, que “elas”, de tarde, desligam o telefone e, de manhã, não atendem... O herói continuava a telefonar mas o mais que conseguia, entre piiiiis e música de Vivaldi, era: “A sua chamada encontra-se em linha de espera” ou “Lamentamos mas não foi possível atender a sua chamada”. Até que, um dia, uma voz humana surgiu do outro lado da linha: “Vou ver se encontro alguém…” E pouco depois, finalmente, aparecia Alguém! Mas tudo o que Alguém tinha para lhe dizer era que esperasse… Fizera, pobre dele, a circum-navegação da Segurança Social e voltara ao mesmo sítio, isto é, a sítio nenhum!
Tomou então a mais temerária das decisões e rumou ao Cabo das Tormentas da Rua das Doze Casas, onde naufragam todos os dias as esperanças de milhares de “beneficiários”. Na sala de espera, de papelinho na mão, uma multidão aguardava. Como o poeta, também ele “nunca pensara que a morte tivesse levado tantos”… Dirigiu-se ao balcão e clamou: “Quero o livro de reclamações!” Foi o “Abre-te, Sésamo!” Veio imediatamente um responsável recebê-lo, contando-lhe coisas terríveis da vida daquele lugar do fim do Mundo.
E, de repente, emergindo, como Vénus das águas, de um mar desencontrado de papéis e “dossiers”, apareceu a Certidão!»


Porra! E eu que não me lembrei de pedir o livro de reclamações!


Maria Ortigão

domingo, outubro 02, 2005

Direito de Resposta

Passei agora mesmo pelo vosso blogue, que há muito não visitava, e vi que havia lá um post que me interpela. [Para evitar chatices, respondo aqui.] Antes de mais, gostaria de dizer que subscrevo tudo o que diz o tal de António Pedro Ribeiro, excepto a generalização apressada do termo "Esquerda" que o indivíduo tem por hábito fazer. O resto, subscrevo tudo, sobretudo a arrogância/ignorância dos>comentadores de serviço. Também eu não reconheço a ninguém o direito de dizer que eu não me preocupo com o Futuro do planeta e das gerações vindouras. Por isso, os comentadores que lá comentaram bem podem recolher o dedinho acusatório e inquisitorial. Mas como discutir ideias é sempre bom, cá vai o que acho sobre o que a Manuela diz e pergunta: O problema de Quioto não se compreende sem duas questões prévias:
a) O aquecimento global que actualmente se verifica é fruto da acção humana?
b) Se sim, o protocolo de Quioto é a melhor, ou mesmo a única forma>de o combater? Os ambientalistas "hard" e certa Esquerda respondem, sem vacilar, Sim. O problema, como muito bem diz a Manuela, é que não há "o" estudo que o mostre. Ainda há meses, vi na SIC-Notícias um fulano dizer que uma parte dos cientistas acha que, na realidade, o impacto humano no Clima é pouco, e que estas alterações se devem a mudanças naturais no planeta. Mas se a questão é polémica, o que se devia fazer era investigar, ouvir, e não berrar e acusar. O problema é que, desde certa Esquerda até certos ingénuos, passando pelos comentadores de farpas xxi, o que normalmente se faz é berrar, fazer piadas de taberna, acusar os que poem objecções de serem terroristas do ambiente, insensíveis, etc. Em poucas palavras, distinguir os "bons" dos "maus". É o exercício favorito dos ignorantes e dos cínicos, mas devia ser evitado. Acontece é que uma parte dessa casta tem objectivos bem concretos: atacar os EUA e o Capitalismo. Para isso, o ambiente é só um pretexto e uma arma de arremesso. Ora, o>caso Quioto caiu-lhes como mel na sopa. Começam por atacar a não - assinatura do protocolo, passam dai a generalizações abusivas sobre Bush, depois generalizam abusivamente sobre os EUA, as empresas, etc. O ambiente é só um pretexto nisto tudo. Mas vejamos a questão Quioto. Em primeiro lugar, é verdade o que disse o António Ribeiro. Eu não sei se o tal Celeman e outros que tal faziam ideia, mas é mesmo verdade que Bill Clinton assinou o protocolo, mas não o levou ao Senado. Ou seja, na prática, Clinton apenas fez uma manobra de diversão. Porque competia ao senado uma última palavra. Por isso, mesmo se Bush quisesse, não podia rectificar o protocolo sem que o Senado dissesse também sim. Os sujeitos que gostam de dizer que atacam Bush e não os EUA deviam estar um pouco mais informados sobre o que é e o que não é responsabilidade exclusiva do presidente Americano... Mas ler custa tempo, e "é evidente" que Bush é uma nódoa... Depois, há aqui algo de fundamental. O que, pelo menos uma parte da admnistração republicana, disse, foi que Quioto implicaria demasiados danos na economia americana. Aqui, a retórica dirá: mas o>ambiente, o planeta é mais importante!. Resposta: que fazer dos possíveis desempregados e baixa de produção acarretada hipoteticamente por Quioto? Os "ambientalistas hard" iriam chorar lágrimas por isso? Não. Iam assobiar para o lado. De resto, vários Paises, embora assinando Quioto, parece que o não estão a cumprir. Por que é que os ambientalistas não erguem a voz contra eles? E, bem>vistas as contas, não será preferível, primeiro preparar a indústria, e depois reduzir a emissão de poluentes? O que implica, neste momento, a não assinatura do protocolo. Mas são perguntas, porque eu continuo sem ler Quioto, e aposto um dedo em como nenhuma das pessoas que escreve em farpasxxi, autoras ou comentadores, o leram. Comentários para quê? E que dizer de um acordo que os EUA celebraram com Paises asiáticos sobre a emissão de poluentes? E que dizer da evidência de que as florestas Americanas estão muito melhor preservadas que as Europeias? Isso não interessa? A conclusão a tirar é que Quioto se tranformou numa arma de>arremesso contra Bush. Mas não contem comigo para atiçar dedos inquisitoriais. A mim, Deus não me concedeu o dom de julgar as intenções dos outros, chamando-lhes de insensíveis face às gerações futuras. Se há aí gente a quem Deus concedeu esse dom, que continue assim. O mundo precisa deles. Mas um pouco mais de rigor e atenção, por favor.
F.A.M
Nota: A publicação deste texto foi devidamente autorizada pelo seu autor.