quarta-feira, abril 25, 2007

O MELHOR DO MUNDO SÃO AS CRIANÇAS


Quando questionado sobre o que se comemorava no 25 de Abril, um jovem de 16 anos disse:
— Sei lá! O que interessa é que é feriado!


Maria Ortigão

quinta-feira, abril 12, 2007

COMO É POSSÍVEL?


1. Daqui, ninguém nos tira!
Descreverei um caso real e igualmente absurdo que foi presenciado pela minha mãe. Qualquer similitude com a realidade é pura realidade.
A peixeira, que anda com uma carrinha pela freguesia (e que, muitas vezes, quis esganar um bocadinho por me acordar às 7 horas da manhã de sábado com “grandíloquas e sonorosas” buzinadelas), sentiu-se mal, quando se encontrava às portas da Junta, que é paredes-meias com o Centro de Saúde. A senhora desmaiou, portanto, a 20 metros da entrada do posto médico. Obviamente, as pessoas que estavam perto acorreram ao dito posto e pediram assistência para alguém que estava caído na rua. Agora, vem a parte gira, que até destaco:
Funcionários, enfermeiras e médicos recusaram prestar ajuda a um ser humano inerte, porque…
Só agora é que vem a parte verdadeiramente gira, daí que a destaque a dobrar:
Não acudiram uma pessoa, porque não têm autorização para sair das instalações. Que ligassem para o INEM!
Ora, cá está, que se lixe o juramento de Hipócrates e que se lixe quem teve a pouca sorte de cair redonda a poucos metros do alvo, pois o que importa é obedecer estupidamente a regras estúpidas.
Felizmente para a doente, as pessoas reagiram com indignação e tanto pressionaram os verdadeiros doentes (mentais) que uma enfermeira se dignou a infringir a lei para fazer o seu trabalho.
Neste momento, a senhora peixeira encontra-se a recuperar.
O que concluímos depois deste episódio? Dois aspectos importantíssimos: primeiro, vou ter algum sossego aos sábados de manhã; segundo, para nossa segurança, convém dar-nos o badagaio dentro do consultório médico.

2. É preciso policiar a polícia.
Num dos vários passeios por onde caminho diariamente e que costuma estar ocupado por automóveis, dificultando muito a passagem de peões, tive a agradável surpresa de ver alguns agentes a multar aqueles invasores de espaços alheios.
“Já não era sem tempo!” – pensei eu, enquanto atravessava a estrada na passadeira. Só que, antes do final do trajecto, tive de contornar o carro da polícia que estava estacionado em cima daquela passadeira!


Maria Ortigão

quinta-feira, abril 05, 2007

O MENOR PORTUGUÊS DE SEMPRE



Não vejo grande interesse em eleger o maior português de sempre, mas fui acompanhando o programa televisivo. Pelo menos, produziram-se documentários que deram a conhecer algumas das nossas mais importantes figuras. Apesar de, por exemplo, a biografia de Fernando Pessoa ter sido emita depois da meia-noite por causa de um jogo de futebol. Trocar o horário da bola é que não! O futebol é sagradinho! Escritores que só servem para nos dar cabo dos neurónios no 12.º ano e que, ainda por cima, não sabem muito bem que personalidade assumir, ficam lá para os confins da madrugada! Se calhar, foi o amor (quase doentio) dos lusos pelo futebol que deu a vitória a Salazar, ou não tivesse este “grande” português celebrizado a máxima “Fado-Futebol-Fátima”.
Quaisquer que sejam as razões que levaram a esmagadora maioria das pessoas a votar em Salazar:
- boicote ao programa;
- manifestação de desagrado pelo estado do país, quando já lá vão 33 anos de democracia;
- admiração pelo “senhor”;
- pura ignorância…
considero vergonhoso considerarem-no o maior português de todos os tempos. E arrepiante também!
Entretanto, andei a pensar e, caso algum estrangeiro me perguntar sobre esta figura, resumi-la-ei assim:
- a única coisa boa que Salazar fez foi cair da cadeira;
- uma das piores coisas que fez foi não ter caído da cadeira mais cedo.

Permitam-me, para finalizar, a inclusão de um poema de Fernando Pessoa, ele, sim, um verdadeiro grande português:

António de Oliveira Salazar

António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular…
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.

Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c’os diabos!
Parece que já choveu…

Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho,
Nem sequer sozinho…

Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.

Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.

Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé,
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho
Nem até
Café.


Maria Ortigão