segunda-feira, setembro 12, 2005

Apanhado(s)

... em tempo de rescaldo atear chamas é crime mas...
gostaria de perguntar a F. A. M. se quando fala em estudos «isentos e cientificamente à prova de bala» , tem a noção de que "o" estudo não existe, pelo menos que respeite a segunda qualidade. Isto por princípio. Tal estado de perfeição (a palavra é minha, eu sei) é impossível de alcançar. [Naturalmente que] falo sem saber, não li os estudos ou conclusões. Mas acho que não se pode negar que a acção humana, entenda-se: desenvolvimento industrial e derivados- não construções precárias em morros que provocam tragédias (sempre condenáveis- as construções), causa graves danos e influencia, sim, o ambiente. E mesmo não sendo provado não seria melhor sermos altruistas e procurar conservar a casa que nossos filhos habitarão amanhã? Ah, mas isso custa muito dinheiro; -E não são os E.U.A uma potência, e não é o desenvolvimento de energias alternativas um incentivo ao progresso tecnológico/científico? Desde a primária que ouço e aprendo a importância das energias renováveis, que o petróleo acaba... Tu não?
"O nosso poder cresce mais depressa que a nossa sabeduria", Estrela de pop-Rock e não o Dalai-lama.
Sou arredia às máquinas que os grandes partidos encerram. Por isso o PS por si só não é opção. Uma figura dentro do PS talvez leve o meu voto, mas acho que aprendi que não vale a pena. Obrigada pela lista de outras opções políticas.
O meu post sobre a bomba nuclear pretendia apenas partilhar o testemunho humano do que é sofrer na pele (nunca esta expressão foi tão adequada) «a imbecilidade humana». Não se trata de acusar a matança mas a arma usada, a falta de respeito e consideração. Fiquei a pensar: é certo que não se comemora o fim da guerra, apenas alguns momentos marcantes: desembarques, libertações, bombas... Acho que sendo uma falha é uma questão socio-cultural (não pretendo me desresponsabilizar fazendo como sempre a má-da-fita a sociedade) porque de facto não nos "ensinaram" isso na escola. Mesmo "os telejornais" abrem mais depressa com uma transferência clubística que com uma efeméride dessas.
Quanto ao Ché, não me apanha de certeza con t-shirts e todo o tipo de derivados comerciais. Já manifestei simpatia pela figura romântica, como por qualquer outra figura histórica. Declarei-me sonhadora não ingénua. Já defendi ditadores (do que me arrependo), festejei golpes de estado (um dos mais curtos da história, provavelmente) e penintencio-me por ter acreditado num caudilho. Não vou numa de esquerda porque quero as riquezas dos outros, quero um mundo mais justo; não se condenam os mortos provocados pelos americanos, condenam-se os mortos injustificadamente.
Aproveito para dizer que repudio todos aqueles parvos comentários sobre a tragédia provocada pelo Katrina: «um outro lado da América, a fragilidade, a pobreza, a miseria» essas pessoas só devem conhecer os E.U.A. das comédias românticas passadas em N.Y. Todo e qualquer país tem dois polos. E a comunicação social, que faz que não nos traz novas da reconstrução que impera após o Tsunami?
M.Q.

9 comentários:

celeman disse...

Há olhos que só conseguem ver o duas cores num mundo cheio de cinzentos...

António Pedro Ribeiro disse...

Venho menos aqui. Já vi que deixou ai algumas considerações sensatas, e ao mesmo tempo largou algumas farpas. Borrifo-me para o assunto. Porque hoje foi um dia histórico: o povo afegão mostrou alegria democrática e confiança no Futuro. Um dia, não muito longe no tempo, o mesmo acontecerá ao Povo iraquiano. Por isso, são rigorosamente irrelevantes as farpas e as críticas dos abutres pacifistas. Critiquem à vontade. O mundo avança. É só isso que interessa.

MRA disse...

É impressionante como se confunde o Bush com os Americanos!

Enfim...

às vezes apetece-me desistir de colocar na cabeça de certas pessoas que este planeta deve ser pensado em função das futuras gerações. Já foi pensado assim. algures, no passado!

Mas o autismo é já uma epidemia. Quase que apetece deixar cair tudo! Depois das tempestades, diz o ditado...esperemos que ainda haja tempo para o depois...

Beijinhos

António Pedro Ribeiro disse...

Esquerda Reaccionária e as Mulheres Afegãs
1. Ontem, no Afeganistão, uma mulher, com o corpo inteiro coberto com aqueles trapos que os multiculturalistas reaccionários tanto apreciam, disse o seguinte:

- Estou muito feliz por ter a possibilidade de votar.

Por cá, ninguém parece dar atenção à situação. É muito chato, de facto, falar da América enquanto factor de libertação. Para a maioria das esquerdas activas no mercado ideológico, a eleição de ontem deve ser ignorada ou rotulada como acto de agressão cultural ou coisa assim. Para algumas pessoas, a libertação de um povo através da força americana não é bem uma libertação, mas sim um acto de imperialismo cultural e político. Intolerável, pois então. A Democracia é uma invenção Ocidental, dizem. Curiosamente, uma invenção com provas dadas em todos os continentes e culturas...

2. Entre uma acção americana de libertação e a manutenção duma situação onde as mulheres são tratadas como gado, muitos preferem a segunda. Dizem: “É a tradição”. Pois é. E assim temos a esquerda transformada numa imensa maré reaccionária (outra curiosidade: é esta esquerda que não se cansa de lutar contra as tradições dos países europeus… coerências). Vivemos num ambiente intelectual revoltante: aos olhos da maioria, uma mulher anulada pela burka é algo menos ofensivo do que uma mulher moldada por um belo par de Levis.

[Henrique Raposo], O Acidental

António Pedro Ribeiro disse...

P.S: Os defensores de Quioto continuam a defender Quito com Retórica, e a ser ambientalistas sem factos. Mas, já agora, não reconheço a ninguém o direito de me julgar "inimigo das gerações futuras". Se não têm argumentos, é outra coisa. Mas partir para um debate com ideias pré-concebidas e insultos velados desses, é simples falta de seriedade. E sinal de arrogância que, já dizia a minha avó, é filha da ignorância.
P.S: Como sei que há defensores de Quito que não caem nestes simplismos, os meus reconheicmentos a eles. O problema é que isto aqui está cheio de radicais, que depois dizem que radicais são os outros, mesmo quando continuam sem apresentar um único facto, um único conjunto de ideias dignas desse nome.

António Pedro Ribeiro disse...

Ocorre-me Churchill: "façam o vosso pior, que nós faremos o nosso melhor".

António Pedro Ribeiro disse...

Quanto àquela de confundir os Americanos com Bush, só deixo perguntas:
- sabem com algum rigor quais os eixos fundamentais da política da admnistração Bush?
- Sabem em que difere essa política da de Clinton? Sabem, por exemplo, que Clinton assinou Quioto, mas não o levou ao Senado? Pois. Bush, ao menos, não foi cínico. Pois. Só que a Esquerda continua com a mania de, para apoucar Bush, venerar Clinton. Só que só mostra desconhecer Bush e Clinton.

António Pedro Ribeiro disse...

- e sabem quais as razões dadas para a não rectificação do protocolo?
- sabem quantos paises do mundo assinaram ou não o protocolo ou o cumprem ou não?
- conseguem dizer que a política ambientalista europeia é superior à americana? (conhecem uma e outra, ou só ouviram falar?)
- o que é que vocês já leram sobre o assunto?
É que a arrogância merece alguma sustentação teórica.

António Pedro Ribeiro disse...

Já sei que vão rir-se todos uns com os outros, que vão continuar todos a achar o pior de mim, e que vocês é que são o máximo, os "bons", e que só não vê quem não quer que, etc, e tal. É pá, já sei isso tudo, e se calhar, repito a mim mesmo que só perco tempo nisto. Mas quem não se sente não é mesmo filho de boa gente. O problema é que quantos menos ideias, factos e argumentos se tem, mais fácil é cair na piada e na arrogância. Ora, sebo. Vá, continuem, têm razão. Vocês, mesmo mostrando pouco conhecimento, são gajos porreiros que querem o bem do futuro, e eu sou um indivíduo nocivo que devia era estar calado. E devia. Até aqueles outros que mostraram alguma compreensão para com Bush sairam de cena. É pá, continuem a acharem-se os melhores á vontade.Se isso os faz feliz, força.
P.S. à Senhora Manuela: vejo em si a humildade democrática que falta nos outros (até, telvez, em mim). Salve este blogue, ao menos você.