sexta-feira, fevereiro 25, 2005

PONTAPÉS NA GRAMÁTICA E NÃO SÓ IV

1. No Elo Mais Fraco, Júlia Pinheiro pergunta:
“ – Como se chama a namorada do pato Donald?”
Responde prontamente o concorrente:
“ – Mickey.”

Comentário: Estou sem palavras. O que vão dizer a seguir? Que o Pai Natal não existe?

2. Morador de Canas de Senhorim, entrevistado no Jornal da Noite:
“ – Estamos na boca do mundo, desde o Minho ao Algarve.”

Comentário: O mundo é muito pequeno.

3. Insigne professor de Literaturas Orais e Marginais da Faculdade de Letras do Porto, concluindo um pensamento:
“ – A isto chamou-se lusofonia.”
Em seguida, ouve-se uma aluna:
“ – O que é isso? Um espectáculo de luzes e som?”

Comentário: Para esta aluna brilhante, festas como a passagem de ano são uma verdadeira lusofonia.


4. Telespectador do Via Aberta, ao telefone, falando de disfunção eréctil:
“ – Tive um problema, mas que não chegou a afectar a prosta!”

Comentário: Desde que a doença fique longe dos principais órgãos, como o estô, o figa ou o cora, está tudo bem.


Maria Ortigão

CELEBRIZAR A ESCRITA

Já não bastava termos de levar com programas de qualidade tão baixa que dá vontade de emigrar para a Suazilândia, agora temos também de apreciar os dotes literários de quem participa em tais boçalidades televisivas.
Deste modo, nos últimos tempos, alguns concorrentes do Quinta das Celebridades têm-nos brindado com livros que prometem ser interessantíssimos e de uma qualidade extática. Lá vai Lobo Antunes perder o Nobel, outra vez.
O que é interessante é que mais de metade daquelas celebridades são desconhecidas e as que ainda vamos conhecendo têm como profissão e modo de vida aparecer em revistas, um trabalho exaustivo certamente. Pois bem, apesar do frenesim do seu dia-a-dia, ainda arranjam tempo para escrever um livro. Conclui-se que, dado o trabalho que tiveram de enfrentar na quinta e dada a qualidade da sua escrita, aquelas páginas foram com certeza inspiradas pela… pelo húmus.
Porém, o público português ainda espera ansiosamente pelo livro do carismático José Castelo Branco. Posso adiantar que tal códice nunca passará pelo prelo, porque se se chegou à conclusão que a musa inspiradora dos outros concorrentes foi a… o húmus, “o conde”, como nunca mexeu literalmente uma palha, nunca tomou contacto com a… o húmus, jamais publicará um livro.

Maria Ortigão

VIDA DURA DOS POLÍTICOS


1. Menezes, o homem dos sete ofícios
Luís Felipe Menezes quer ser deputado, líder do PSD e presidente por mais um mandato da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Que os técnicos das análises “anti-doping” estejam a postos, porque o social-democrata anda a ingerir substâncias ilícitas que aumentam o desempenho político.
A verdade é que o pobre do homem, como muitos portugueses, para juntar mais umas patacas ao fim do mês, tem de se submeter a mais do que um emprego precário. Se aumentar o seu guarda-fatos e pôr comida na mesa da família, tem de se sujeitar aos rigores da vida. Foi ao saber das dificuldades em que a família Menezes vivia, que uns amigos políticos sugeriram a acumulação de empregos. Disseram-lhe que não se tinha de preocupar com a quantidade, porque, na realidade, aqueles empregos eram fantásticos, ou seja, pouco trabalhosos e muito rentáveis.
Já agora, sugere-se que o presidente da edilidade gaiense participe na próxima edição do Quinta das Celebridades. Certo é que teria de trabalhar a sério, de mexer na… no húmus, mas iria ganhar muito dinheiro e ainda poderia escrever um livro.


2. Fátima Felgueiras, o crime compensa
Em entrevista à Grande Reportagem, Fátima Felgueiras afirmou que não fugiu à justiça portuguesa e que foi preciso muita coragem para deixar o país, a família e os amigos e rumar ao “exílio”.
Concordo plenamente. Essa senhora não fugiu, limitou-se a sair sorrateiramente do país, quando soube que ia ser detida, o que é muito diferente. E, de facto, é preciso muita coragem para não assumir as suas responsabilidades, ir para o Brasil, viver bem e rir da justiça portuguesa. Fátima, és um modelo que deve ser seguido. Ainda por cima, vive sem trabalhar, o que quer dizer que o dinheiro cai do céu. Milagre! Milagre! Oremos à Santa Fátima Felgueiras:
Ave Fátima Felgueiras, cheia de lata, o segredo de justiça é convosco. Bendita sóis vós entre os corruptos. Bendito é o fruto do vosso saco azul.


Maria Ortigão


Depois de o Benfica ter sido eliminado da competição da Taça UEFA, o treinador Trapattoni, extremamente irritado com as críticas dos jornalistas, reiterou que a sua equipa “jogou muito, muito, muito bem.” Isto só demonstra que o italiano precisa muito, muito, muito de ir rapidamente ao oftalmologista, uma vez que, com o avançar da idade, é provável que os olhos do senhor estejam enfraquecidos devido às cataratas.
Mas ainda foi mais longe e disse que ao glorioso só faltou sorte. Sim, não teve sorte, não teve pontaria, não teve organização, não teve garra e não teve uma boa defesa. Será que o treinador não viu isto?

Maria Ortigão

terça-feira, fevereiro 22, 2005

PONTAPÉS NA GRAMÁTICA E NÃO SÓ III

1. Manuela Queirós, indignada:
“ – Isso foi uma piada de mau humor!”

Comentário: Tem toda a razão, porque uma piada é intrinsecamente bem-humorada. A não ser que a piada tenha uma bílis assassina…

2. Eu (porque os génios também se enganam), antecipando um “derby”:
“ – Os jogadores do Boavista já saíram do autocarro de dois lugares!”

Comentário: Vamos lá cambada, todos à molhada…

3. Eu, quando começo, não consigo parar:
“ – Virou-se a gata contra o caçador!”

Comentário: Quem não tem cão, caça com gato.

4. Amigo, falando sobre o Teatro Nacional S. João:
“ – Aquela coisa amarela, onde se bate palmas!”

Comentário: Eventualmente, todos acabaram por saber do que se tratava. Depois de muito, muito, mesmo muito tempo.

Maria Ortigão

ELEIÇÕES TÉPIDAS

1. Todos tomaram calmantes
Fiquei muito desiludida com o domingo se eleições, porque foi tudo demasiado morno, não houve acontecimentos de maior interesse… marasmo generalizado. Não fosse a demissão de Portas e as imagens de um jota popular em lágrimas a salvar o dia, não ia haver farpa.
Aguentei estoicamente a maratona televisiva, de caneta em punho para tirar notas, que posteriormente suportariam muitas farpas, e acabei por ficar com uma folha em branco, enquanto ressonava e babava a almofada. De facto, as imagens e comentários transmitidos eram mais pobrezinhos que S. Francisco. Marcelo Rebelo de Sousa estava apagadíssimo, muito politicamente correcto, analisava com lisura, quando toda a gente sabia que o homem, por dentro, dava pulos de contentamento. Por esta altura, já estava muito desanimada, mas ainda havia esperança: Alberto João Jardim preparava-se para discursar. O que acabou por ser um novo balde de água fria. Foi um discurso demasiado calmo, derrotista, sem chama. Onde está o velho “bull-dog” português?
No dia seguinte, apostava num derradeiro trunfo – Odete Santos iria ao Prós e Contras. Os deuses estavam zangados comigo, com certeza. Até parece que Odete tinha perdido o seu ar grogue e a sua voz de bagaço! Não é justo!
Talvez a única coisa que salve a honra do convento seja o facto de o segundo nome de Louça ser Anacleto. Podia fazer uma piada, imaginando a mãe dele irritada: “Chiquinho Anacleto (quando irritadas, as mães sentem necessidade de chamar pelos dois primeiros nomes ou, em casos extremos, pelo nome completo), que ervas esquisitas são estas que aqui tens no quarto?” Mas sinto-me demasiado desanimada para o fazer.


2. Ainda não conseguiram nada
“Conseguimos! Conseguimos!” Foi assim que Sócrates festejou a vitória do seu partido. No entanto, o PS ainda não conseguiu nada, porque o povo português queria era a coligação PSD-PP fora do poder. Para conseguir alguma coisa, têm de trabalhar muito, tomar as decisões certas, evitar os populismos estroinas dos antecessores e fazer recuar a crise. Todos estão de olho no novo governo e à pequena escorregadela não vai haver cicuta que Sócrates possa tomar.

3. E os vencedores na categoria de piores governantes do ano são…
O drama, a emoção, o desespero apareceram, na noite eleitoral, pelas caras fechadas e discursos dos derrotados. Das palavras que proferiram, o que mais me impressionou foi que Portas e Santana acreditavam mesmo que não seriam vencidos! Será que sabem de que cor é o cavalo branco de Napoleão?
Entretanto, esperava-se que ambos se demitissem, mas Santana não o fez. Por um lado, até acho heróico este gesto, pois mostra que já que meteu água, tem todo o direito de se afogar nela. Quando se é incompetente, é-se incompetente sempre. Todavia, à data desta farpa correm rumores de que, afinal, vai mesmo colocar o seu lugar à disposição.
Por seu turno, Paulo Portas foi muito mais interessante. A voz tolhida e a lagrimazita quase a cair valeram bem as eleições. Ia jurar que por muito pouco não se genuflectiu, gritando: “Pai, porque me abandonaste?” Pois é, tinha de comer muita hóstia para chegar aos 10%.
E a consternação da assistência? Divinal!!! Aquele rapaz inconsolado com a demissão do seu líder, qual Maria Madalena, deixou-me desarmada. Por isso mesmo, quero mostrar a minha solidariedade e dizer ao jota popular que a vida continua, que não se pode deixar abater. Olha, amigo, tipo pega no carro desportivo que o teu pai te deu, tá? Vai até a um sei lá, bar em Cascais, tás a ver? Ou talvez possas ir tipo a uma festa, tipo na Quinta da Marinha, sei lá, tipo, tá?

Maria Ortigão


domingo, fevereiro 20, 2005

Previsibilidade humana

E lá ganhou o José Socrates. Socras p'ra os amigos.
Manuela Queirós.

O supermercado e a epifania

Em quanto a operadora de caixa tentava registrar as sacas de pão por multiplicação, tentativa frustrada, pensei: Esta caixa é pouco católica, não faz a multiplicação dos pães!!!
Manuela Queirós
Estou ansiosa pelos resultados de domingo, queria contar com a imprevisibilidade do previsível. À todos os q votam e deveriam votar, não tenham medo.
Isto era um tímido apelo à não vitória do PS porque o PSD já estava vencido à partida, mas afinal há quem tenha sido mais directa na blogosfera.
Manuela Queirós

Santana num certo programa da Dois

respondendo a interpelação do jornalista acerca do facto dele se dizer de fora do sistema na referida missiva que pretendia motivar os indecisos: -Quem é que diz? os Srs. q escrevem! eu tenho que acreditar naquilo que escrevem...
Aí se isto fosse verdade, o Sr. tinha ficado de fora dos mais variados sistemas há muito tempo. Mas este homem é um poço sem fundo de tolices, de desconversa! Já alguém escreveu "O difícil é senta-los"; o impossível é faze-lo responder, calar esse seu discurso oco.
Manuela Quierós

... e o (M)anel

Lembro com particular ênfase um conto de um dos livro de Literatura do meu primeiro ciclo que narrava o seguinte: Um sobrinho era julgado em tribunal porque tinha destratado um tio que o tinha criado como um pai, chamando-lhe de elefante. Em sua defesa, o sobrinho disse que não tinha intenção, que a letra "G" se tinha extraviado sendo substituida pela "F". Suponho q o lembro pelo acontecimento estapafurdio em si, e por me ter ensinado o real valor das letras em si, e dos problemas q podem advir de simples trocas. E assim, estava eu, no domingo passado, ouvindo, na Antena1, uns comentários ou crónicas desportivas acerca do SLB quando uns dos intervinientes diz q um certo jogador do clube se deveria preocupar menos com a fitinha do cabelo, com o facto da bola não cair direitinha no seu pé e com dar menos beijinhos no anel- enquanto continuava a falar- um outro interrompe para perguntar: no Manel? No anel, no anel-diz o primeiro.
Parti-me a rir com o filme q esa malvada da letra M desencadeou na minha cabeça.
Manuela Quierós

Já alguém reparou...

que as perguntas "difíceis" do programa "Um contra todos" são de facto mais fáceis que as que ostentam este adjectivo?!

Manuela Quierós

E ainda o Carnaval

Por cá, entre Gaia e Espinho, ainda se encontram os restos de serpentinas nas ruas de certas vilas. Natural, tendo em conta que o Carnaval se extendeu até ao dia 18!!!
Manuela Queirós.

Acho mal...

o Bloco usar excertos do melhor que o cinema português alguma vez produziu e produzirá, pelas amostras das últimas (duas) décadas, para ridicularizar os candidatos. Há coisas que são sagradas!

O Cinema.

Manuela Quierós

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

A CULPA É SEMPRE DO JORGE

Interrogado sobre a percentagem de desemprego, que disparou nos últimos quatro meses, o nosso ex-primeiro teve a brilhante resposta de que nada disto teria acontecido se o presidente da República não tivesse dissolvido o governo. Apesar de tudo, há que admitir que o homem até tem piada!
É uma boa táctica culpar o Jorge por todos os males da nação. Conclui-se, portanto, que fiascos como a colocação de professores, as portagens nas SCUT, os hospitais SA, as constantes subidas dos preços dos combustíveis – acho melhor não continuar, porque não quero ser acusada de contribuir para a depressão nacional – estão directamente relacionados com a incompetência do presidente, pois não deu oportunidade a Santana de mostrar o que valia.
Além disso, o líder do PPD ainda se mostrou orgulhoso de ter havido, no mandato laranja, um acentuado decréscimo nas greves. Ora, se há cada vez mais desempregados, é lógico que há cada vez menos greves, porque, exactamente, não há pessoas que as façam. E os que ainda têm emprego, ao olhar para a conjuntura do país, estão demasiado assustados para protestar, não vão mas é ficar sem o pouco que têm. Pedrinho, isto é tão certo como Chopin tocar piano!
No entanto, tenho a impressão que a culpa é do presidente que não deixou o governo dar um novo alento às greves!
Aliás, por este novo prisma, não tenho dúvidas de que a coligação PSD – PP foi guilhotinada pelo presidente, quando se preparava para enobrecer a nação. Assim, Jorge Sampaio é culpado, entre outras coisas, de:
- haver seca em Portugal;
- o campeonato de futebol estar bastante equilibrado;
- a carta de Santana não ter chegado até mim, o que é um óbvio indício de que os CTT não funcionam bem;
- a selecção portuguesa ter perdido o Europeu de futebol;
- a Terra girar em volta do Sol;
- D. Afonso Henriques ter proclamado o reino de Portugal;
- os cães ladrarem e os gatos miarem.
Ah, não houvesse intervenção presidencial e Santana teria mudado o mundo!!!
Brincadeiras à parte, Sampaio tem culpa, sim, e muita. Isto de fazer Santana primeiro-ministro, quando a maioria da nação pedia eleições, era digno de prisão perpétua. E justificar a sua decisão em nome da estabilidade… Jorge, estamos a falar de Pedro Santana Lopes, certo? Até Lobo Antunes disse que pior que este executivo era impossível!
No fim de contas, o que o dirigente laranja precisa não é de colo nem de carinho, como ele gosta tanto de referir, precisa é de uns bons tabefes, que, às vezes, educam mais que umas palmadinhas nas costas.

Maria Ortigão

PONTAPÉS NA GRAMÁTICA E NÃO SÓ II

1. Insigne professor de Latim da Faculdade de Letras do Porto, durante uma aula em que se ouve um telemóvel tocar:
“ – O telemóvel é para se deixar em casa!”

Comentário: Sei que é muito aborrecido ser interrompido por um barulho estridente, quando se está a dar uma aula, mas e se fosse dar uma espreitadela ao significado da palavra móvel?

2. Insigne professora de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras do Porto:
“ – Não podemos beber o chá sem beber a chávena!”

Comentário: Nos tempos que correm, há que aproveitar tudo!

3. Depois da queima do Judas, no Porto, um jornalista da RTP vai inquirindo os transeuntes:
“ – Sabe quem era Judas?”
Responde um homem:
“ – Eu não sou de cá! Vim de Lisboa!”

Comentário: Confirma-se a teoria do sistema, lançada pelo presidente do Sporting, ao descobrir-se que Judas era portuense e que, provavelmente, vai ser interrogado no caso do “Apito Dourado”.

4. Durante a transmissão da inauguração da barragem do Alqueva, um jornalista questiona um alentejano sobre a desertificação no interior do país:
“ – Há muita gente que foi para o estrangeiro, não foi?”
Responde um alentejano:
“ – Para o estrangeiro foi muita gente, mas foram sobretudo para o Brasil.”

Comentário: Para quem não sabe, o Brasil é independente desde 1822.

Maria Ortigão

terça-feira, fevereiro 15, 2005

A CRUZADA DOS EUA

Eu adoro os EUA. Adoro os filmes, o MacDonalds, o “baseball”, as perseguições filmadas, os psicopatas que, de vez em quando, desatam aos tiros… Viva o Novo Mundo!
De há quase dois anos para cá, o governo americano, mais uma vez, deu provas do seu altruísmo, da sua vontade de proteger esta bolinha azul e de dar sem esperar nada em troca. Falo, evidentemente, da guerra no Iraque. Nós, amantes da liberdade, não esperávamos outra coisa dos ianques. E também não percebemos as razões dos anti-americanos. Cá para mim, é tudo dor de cotovelo.
Como é que um país do calibre dos States poderia não intervir, deixando aquele povo à mercê de uma ditadura? E o espírito de cruzada ainda agora começou. O presidente Bush está empenhadíssimo em acabar com todos os déspotas. Em linha de espera já estão China, Coreia do Norte, Cuba, praticamente todos os países do Médio Oriente, mais um punhado de nações africanas.
Aliás, já estava tudo organizado para a libertação de Timor, quando a ONU (essa metediça apoiante da ética) resolveu fazer um referendo! Tanto tempo desperdiçado e só eram necessários uns ataques aéreos, relatados pelo Carlos Fino.
Mas contrapõem logo os anti-americanos com as perguntas do costume: Onde estão as armas de destruição maciça?; E a população que está a sofrer danos colaterais?; Só estão de olho no petróleo!; E como é que nem sequer assinam o tratado de Quioto, sendo o país mais poluidor do mundo?
Com todo o respeito, vocês andam a ver filmes independentes europeus a mais.
Os militares norte-americanos já descobriram as armas de destruição maciça. O que pensam que era aquele bigode de Saddam? Sempre que aparecia na televisão, os tios e tias do mundo inteiro entravam em depressão por causa do bigode. Tratava-se de um descarado ataque à decência e bom-gosto. Aquele facínora tinha de ser detido, se não provocaria a devastação no mundo civilizado da “socialight”.
A população está a sofrer danos colaterais por sua própria culpa. Há pouco tempo, a Euronews, em “No Comments”, mostrava uma inspecção a uma casa iraquiana. Os militares entraram de rompante, mandaram sair a mulher e os filhos, enquanto prendiam o pai. Os primeiros, com uma arma apontada à cara, foram convidados a irem para o jardim. Aqui, os soldados diziam-lhes, com delicadeza, “Get down! Get in the floor now!” E os iraquianos ali parados, a chorar… Eles é que são uns ignorantes, porque toda a gente sabe que o inglês deve ser a segunda língua de cada um. Não estudam e depois choram!
Os americanos não estão nada de olho no petróleo, são até uns ecologistas fervorosos. Vão-me agora dizer que não sabiam que os EUA ainda não assinaram o protocolo de Quioto, porque muitas árvores foram abatidas para que se fizesse o papel em que repousa o citado protocolo? Shame on you all!
God bless America!

Maria Ortigão



AFINAL, MORANGOS COM AÇÚCAR NÃO ENGORDAM!

A série juvenil Morangos com Açúcar é deveras intrigante. Provavelmente, os argumentistas, de tanto escrever, não saem à rua desde o século passado. É que a ficção não poderia na esmagadora maioria dos casos, estar mais longe da realidade. Por isso, até podem retirar aquelas palavras do genérico, que dizem que qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
Em primeiro lugar, desafio quem quiser a provar o contrário da minha próxima afirmação: é humanamente impossível que, num colégio privado de Cascais, co-existam betinhos e “dreds”/metaleiros/arruaceiros. Toda a gente sabe que, neste tipo de escolas, só há cabelinhos penteadinhos, camisas aos quadrados, mangos e madeixas.
Aviso a quem quiser provar o contrário: só acredito, vendo!
Outra coisa que acho fascinante é a quantidade de alunos por turma: 16!!! Fantástico! Deve ser a única escola do litoral em que essa directiva do bom funcionamento da sala de aula existe.
Mas vamos ao que interessa, porque tenho consciência de que muito boa gente só se deu ao trabalho de ler esta farpa por causa do título. De facto, num país em que problemas como o excesso de peso começa a fazer manchetes, o Colégio da Barra deve ter um ginásio muitíssimo bem apetrechado e a cantina e o bar só devem servir fruta com vegetais. Assim, todos os actores e figurantes são magros, ou melhor, magérrimos. Curiosamente, a única actriz que não é tão magra, interpreta um papel marcado por distúrbios alimentares. Por favor, alguém que diga àquela rapariga que ela não é gorda, os outros é que são demasiado magros.
Todavia, desenganem-se todos os que pensem que aqueles alunos fazem desporto e têm uma dieta equilibrada. Aqueles actores parecem modelos, porque são, na realidade, modelos. Daqui resulta que temos uma série de pessoas que dizem os textos, não os interpretam. Só a protagonista é de uma expressividade que envergonharia a Meryl Streep. Até eu à beira dela (da actriz da novela, é claro) ganhava um “Óscar”!
Ó senhores produtores ou a quem de direito, vou ser simpática e contar-vos um segredo, que só os abençoados sabem: há conservatórios, cuja função é formar actores a sério! Façam-lhes uma visita e notem as diferenças.
E já agora, que raio de professores são aqueles que não fazem absolutamente nada fora das aulas? Ler documentação e livros, preparar as aulas, elaborar e corrigir provas escritas, procurar novas formas de motivar os alunos… Estas tarefas levam tempo, muito tempo.
No entanto, eu compreendo… são as audiências…

Maria Ortigão

AS APARIÇÕES DE FÁTIMA

Antes de escrever qualquer coisa sobre o tema, aviso já que não acredito em Deus nem no Diabo, não acredito nas aparições de Fátima e não acredito na Igreja Católica.
As dúvidas que levantar, ao longo da presente farpa, são apenas isso mesmo – dúvidas, e não recorrerei a qualquer tipo de ironia, sarcasmo ou segundos sentidos. Pretendo, antes, lançar a discussão sem nunca colocar a fé dos outros no nível da chalaça.
Vós, fanáticos religiosos, podeis descansar. Não, não olhem assim para mim! O que é que têm atrás das costas? São archotes? A inquisição já acabou, não se pode queimar mais ninguém!
Morreu Lúcia, uma das videntes de Fátima. Como país católico, Portugal está de luto. Respeito-o.
O problema é que o meu espírito herege inundou-me de perguntas. Aqui as deixo, na esperança de que alguém me responda.
a) Se os três segredos eram segredos, por que foram revelados?
b) A morte da irmã Lúcia num dia 13 é vista como mais um sinal dos céus, uma vez que as aparições se repetiram, em 1917, por seis meses sempre no dia 13. Se assim é, por que os outros pastorinhos não morreram num dia 13? Eu nasci num dia 13. será que sou mais abençoada do que as outras pessoas? Não se teme que se marquem cesarianas e suicídios para dias 13?
c) Se Nossa Senhora estava tão empenhada politicamente com os russos, por que não avisou que, em breve, Portugal se iria tornar num regime repressivo, cujo principal pilar seria o catolicismo?
d) Se se acredita num Deus misericordioso, por que mostrou Nossa Senhora àquelas pobres crianças visões infernais para os infiéis? Quem são os infiéis? Muçulmanos, budistas, hindus, protestantes, judeus, ateus ou simplesmente o beatério que sabe todas as orações de cor, mas que, fora da igreja, são o Demo em pessoa?
e) Se Nossa Senhora pediu às crianças que espalhassem a fé, por que Lúcia se enfiou num convento, só saindo para ir votar e ir ao médico? Basta rezar para melhorar o mundo? E as acções missionárias servem, então, que propósito?
Onde quer que Lúcia esteja, espero que esteja bem.

Maria Ortigão



HISTÓRIAS DA VIDA REAL

1. Eu e João Teixeira Lopes

É verdade, eu e o bloquista somos velhos companheiros, conhecemo-nos de ginjeira, já passámos por muito juntos. De facto, aqui deixo o testemunho da nossa camaradagem.
Nunca poderei esquecer aquela tarde de Primavera de 2002. Estava numa sala de aula da Faculdade de Letras do Porto à espera que uma aula começasse. Eis que, de repente, qual miragem no deserto, de tão irreal que parecia, surge uma cabecita interrogadora à porta da sala. Sim, era o João, o amigo João. Seguiu-se um diálogo, quiçá premonitório, que passo a transcrever:
João: Que aula vai haver aqui?
Eu: Literatura Portuguesa.
João: Obrigado.
Que eloquência, que orador nato, que segurança nas palavras… Por momentos, pensei que tivesse recuado no tempo e, à minha frente, gesticulava Cícero!
Como podem ver, há uma ligação muito forte entre mim e o amigalhaço João.



2. Eu e a comitiva do PSD
Nos últimos dias, o PSD veio fazer campanha eleitoral para o Porto e arredores.
Domingo, dia 13 do corrente mês, dia solarengo como os deste Inverno, fui a um café à beira-mar. Como seria de esperar, o estabelecimento estava apinhado, havendo mesmo quem entrasse e saísse logo a seguir por falta de lugar.
Passado algum tempo, uma onda gigante inundou o nosso descanso. Contudo, a destruição não veio de Ocidente, do mar, veio antes de Leste. Sem ninguém contar e desconhecendo a enorme força daquele fenómeno artificial, gerou-se um pânico crescente, pois cerca de dez militantes do PSD resolveram fazer campanha ali mesmo no café. Enfim, já nenhum lugar, por mais agradável que pareça, é seguro.
Apesar de tudo isto, tenho de realçar a organização e a cabeça fria da populaça em pânico, porque mantiveram sempre a calma e evacuaram ordeiramente o edifício. Todas as normas de segurança foram cumpridas, as saídas de emergência funcionaram em pleno, não há registo de feridos, ficou apenas um grande susto para contar, mais tarde, aos netos.
De facto, enquanto os militares distribuíam coletes reflectores, os habituais panfletos e canetas, bem como cachecóis laranjas e porta-chaves (Santana Lopes já avisara que sacos plásticos é que não), algumas pessoas levantaram-se e foram embora. Num café que antes estava repleto, ficaram algumas mesas vazias.
Por isso, aqui fica uma dica. Quando tiverem de enfrentar transportes públicos a abarrotar, quando se dirigirem a um qualquer balcão de administração pública com a senha número 90 e o “placard” indicar o número 23 ou quando quiserem chegar à fila da frente de um concerto, saquem de uma bandeirinha de PSD r vão ter a solução para os vossos problemas.

Maria Ortigão