quinta-feira, agosto 04, 2005

E agora?

Na véspera da última edição do "Comércio do Porto" [acho eu] um bloquista [acho] apela a que se esgote a edição. E pergunto eu, para quê? Acaso isso demoveria a administração de fechar a dita redacção? Comprá-la sim, por respeito e solidariedade, colecção.... Agora, demagogia pura e dura?! Sou de esquerda sim, não necessáriamente bloquista como está na moda afirmar. Vou acreditando em algumas pessoas. Nunca nos partidos. [O paradoxo, se é que existe devate-se depois.] O Bloco vai perdendo o seu estado de graça. Não posso fazer parte do PCP porque me nego a ser "funcionária" e não poder objectar contra sua estructura, ser chamada de renovadora (o que muito me apráz) , levar com um processo disciplinar ou ser expulsa de algo que escolhi! Fiquei sem opções à esquerda. E agora?
M. Q.

Coisas que eu aprendi em Portugal

Que existe mesmo um céu de fumo, um azul-cinza.
Que os eucaliptos são como as Fénix.
Que a cinza cai na cidade (quase) como flocos de neve.
Que o dourado que transforma a paissagem num Outono forçado por força do dramatismo só pode perder o seu encanto.
Isto não é uma manifestação contra o país que me da guarida; se eu não aprendi isto no meu é porque não estou lá, não porque eles sejam melhores que vocês, embora me pareça que a dimensão catastrófica dos acontecimentos não têm esta dimensão "lá".
M.Q.

domingo, julho 31, 2005

Coisas que arruinam uma tarde de domingo

bela tarde de domingo, vamos até à ribeira, território ainda não dominado por mim- passo de certeza por lá no S. João, mas durante o ano....- sentada num banco tendo como pano de fundo a sua "irmã mais nova" e olhando para as façanhas dos miúdos locais que se atiram ao rio, sou brutalmente tranportada para esta "nossa" realidade da falta de educação e civismo: cospem no chão! Nesse dia, ainda noutros locais, assisti à repetição do acto. Um horror!
M.Q.

Passatempo de verão

Neste país de imigrantes olhar para as matrículas de automóveis e "coleccionar" algumas; Luxemburgo, Dinamarca até mesmo um espanhol que, sendo aqui ao lado, é menos frequente que um francês.
M.Q.

sábado, julho 30, 2005

F.M.A., ESTA É PARA TI!

Ó F.M.A., desiludes-me... Não sei reparaste que por trás do humor, há uma crítica, por vezes, bastante cerrada. Já uma importante senhora metodóloga nos ensinou que o humor abre mais portas e é amigo do leitor. Eu, pelo menos, não resisto a umas piadas, bem ao jeito dos nossos amigos Eça e Ramalho.
Quanto ao Bush, esse "democrático", que queres que diga... As acções dele falam por si, não preciso de esgrimir nenhum tipo de argumentos válidos. basta acompanhar o "trabalho" que ele tem vindo a realizar.
Ah, os meus comentários no vosso "blog" não foram nenhuma crítica. Deixei bem claro que gostei mais daqueles textos, porque são mais o meu estilo, logo, é natural que os tenha apreciado. E também deixei bem claro que os outros também eram bons ou não terias sido citado por estas bandas.

sexta-feira, julho 29, 2005

CELEMAN, ESTA É PARA SI!


1. “Mulholland Drive”

Ultimamente, tenho tido alguns problemas informáticos em casa. Para além de já ir poucas vezes à Internet, descobri que não consigo deixar nenhum comentário nos “blogs”, porque, quando carrego em “comments”, não abre nenhuma caixa para escrever. Não sei se o problema é do computador, se é de mim, embora esteja mais inclinada para a segunda hipótese. Tenho uma relação muito especial com a informática, no mesmo nível da de Tom e Jerry ou de um pequeno batel no meio de um furacão.
Portanto, tenho acompanhado, de uma maneira geral, os textos dos “blogs”, mas guardo os comentários para mim.
Assim, não me esqueci que estou a dever a Celeman a minha teoria sobre “Mulholland Drive”. O problema é que já não me lembro muito bem (foi há bastante tempo que vi o filme), mas fazendo um esforço de memória, deixo aqui a minha ideia. Ao contrário de si, nem sei o nome das personagens, pelo que referir-me-ei a elas como loira, morena e loira do café. Não dá muito jeito, mas penso que seja perceptível.
Resumidamente, a loira do café tinha uma relação amorosa com a morena. Quando esta última acabou tudo, a primeira, bastante despeitada, resolveu contratar alguém para pregar um susto à morena. Resulta daqui um acidente de automóvel, em que a morena perde a memória e é recolhida pela loira, que quer ser actriz. Depois de seguirem algumas pistas, na tentativa de descobrirem a verdadeira identidade da morena, dirigem-se a uma casa, na qual encontram a loira do café morta. O problema é que, após esta macabra descoberta, as três estão juntas no café!
Espero não me ter enganado em nada, mas, de uma maneira geral, seria esta a história do filme. Sem falar ainda na tal caixa, pois não percebi nada disso!



2. “Húmus”
Não pude deixar de reparar que, no seu “blog”, tem uma imagem deste livro de que gostei muito. Até faz lembrar o filme de David Lynch, na medida em que também não é de leitura fácil.
Gostaria de lhe perguntar qual a edição da obra de Raul Brandão que aparece no “A Luta Contínua”.

3. Cenas-chave
Um anónimo corrigiu-lhe e bem o plural desta palavra, porém esqueceu-se do hífen. Sendo uma palavra justaposta (duas palavras juntas que formam um único sentido, mantendo a acentuação própria e a forma gráfica) é obrigatório o emprego do hífen. Há, todavia, algumas palavras justapostas (por exemplo, girassol) que não são hifenizadas, mas isso é outra história!

Maria Ortigão

O “ATELIER” DO ZÉ


Estou emocionada até hoje. Amigos leitores, eu andei a bisbilhotar no “atelier” de José Rodrigues, um dos maiores escultores portugueses da actualidade. Fiquei tão contente, feliz, entusiasmada, eufórica e todos os adjectivos que são sinónimos de alegre! A Cristina é testemunha da minha excitação.
É melhor começar pelo princípio (passo o pleonasmo) e contar tudo direitinho. Sei que o texto vai ficar grande, mas, desta vez, vai valer bem a pena!
A Cristina perguntou-me se eu não queria ser “lanterna” num espectáculo de poesia, dança, canto e música, dirigido por Ruben Marks. Ser “lanterna” implica estar num canto da sala com uma lanterna na mão e ir iluminando os intervenientes que se encontram em palco. Já tinha assistido a um espectáculo do género, também com a direcção artística do mesmo Ruben Marks e sabia, mais ou menos, como tudo se ia passar.
Na véspera da apresentação, dia de ensaio, fomos até a uma antiga fábrica, no Porto, que está a ser reutilizada e que, mais tarde, fiquei a saber ser a Fundação José Rodrigues. Logo à entrada do portão, estava um grande cão que, à primeira vista, seria o guardião do edifício, mas que, no fundo, era mais o guardião dos mimos.
Como chegámos um pouco mais cedo, fomos incentivados (estávamos com um outro amigo) a explorar o local. Tirando o edifício principal, que servia de sala de espectáculos e que estava minimamente recuperado, os restantes eram um pouco ruínas, polvilhados de entulho, no meio do qual, havia algumas estátuas. Foi, então, que, ao passarmos a um outro edifício, reparei numa placa de ferro com esta inscrição: “Escultor José Rodrigues”. O José Rodrigues? O escultor José Rodrigues? Agora percebia o significado de algumas palavras soltas que tinha ouvido e se reportavam a um “atelier” e a um “Zé”! Meu Zeus, eu ia entrar no espaço de trabalho do escultor José Rodrigues!
Aquele edifício era constituído por três divisões, sendo duas salas de trabalho e a terceira, mais pequena, um escritório com uma secretária cheia de papelada com desenhos. Afastei-me logo dali, porque sei que se entrasse, não me ia controlar e acabava por mexer em tudo! Por isso, centrei-me nas salas de trabalho que tinham mesas e enormes estantes. Tudo repleto de grandes e pequenas estátuas, umas já concluídas, outras não. A variedade era imensa! Havia uma ave com as asas abertas, talvez em pleno voo, tão perfeita!; uma grande estátua de uma mulher deitada que era um nu belíssimo; um pequeno leão em busca da presa; até um busto de Mário Soares! Fui tocando a medo em algumas peças, sobretudo naquelas que não estavam acabadas e em que era possível ver as marcas por onde ia nascer uma obra de arte. Que emoção!
E a desorganização? Bocados de pedra por todo o lado, materiais ao monte, instrumentos de escultura espalhados… ai, se a minha mãe visse aquela confusão!...
No entanto, o melhor ainda estava por vir. Antes de começar o ensaio, tive vontade de ir à casa de banho. E onde havia uma casa de banho nas imediações? Sim, utilizei os lavabos de José Rodrigues!!! Eu sei qual é a marca de papel higiénico, mas não digo, pois estaria a ser demasiado indiscreta!!! Por falar em indiscrição… não resisti e acabei por abrir a porta do frigorífico que o Zé (acho que, dadas as intimidades por mim forçadas, já o posso tratar assim!) lá tinha, contudo, não revelarei o seu conteúdo que foi deveras surpreendente! Ah! Já me ia esquecendo de dizer que limpei as mãos à toalha do Zé!
Quando saí da casa de banho, reparámos que havia um esqueleto pendurado na parede. Houve alguém que disse que parecia ser humano, porque tinha algumas irregularidades e manchas escuras pelos ossos. Como estávamos rodeados pelo lusco-fusco, mais fusco do que lusco, eu preferi pensar que era apenas um esqueleto de plástico carregado de pó!
Mais tarde, compreendi que as estátuas, que vi no meio do entulho, eram o lixo do Zé. Ora, eu não me importava nada de ter um pouco de lixo de José Rodrigues em minha casa. O problema é que se colocássemos uma daquelas obras na mala do carro, íamos embora com as rodas dianteiras no ar!
No dia seguinte, dia da grande estreia, aconteceu o clímax da minha emoção. Não é que o Zé falou connosco? Perguntou-nos onde se ia sentar! Teve de ser a Cristina a responder, porque naquele momento eu estava tão embasbacada que nem conseguia falar! Realço, ainda, a figura interessante do grande escultor: mais baixo do que a televisão fazia antever e fralda metade dentro, metade de fora!
Foram duas noites fantásticas!!!


Maria Ortigão



PONTAPÉS NA GRAMÁTICA E NÃO SÓ XII


1. Teresa Guilherme em entrevista no “Herman SIC”:
“— Não fumo, não como carne morta…”

Comentário: Hannibal Guilherme Lecter!


2. Insigne professor de Cultura Clássica da Faculdade de Letras do Porto:
“— Por isso é que Zeus castigou os homens, dando-lhes a comer a mulher!”

Comentário: Deveras, um castigo demasiado cruel!

3. Amiga:
“— O Porto é Património Mundial da Cultura!”

Comentário: Só o Porto para conseguir ser tudo ao mesmo tempo, carago!


4. Insigne professor de Latim da Faculdade de Letras do Porto:
“— Se morreram, já não existem.”

Comentário: O contrário de estar morto é estar vivo.

Maria Ortigão

BUSH E O AMBIENTE


Depois de ler mais um excelente texto de Tomás de Montemor, na “Notícias Magazine”, não resisto a citar uma pequena parte de que gostei imenso.
O referido cronista é veterinário e assina todas as semanas uma secção que se chama “Páginas Verdes”. Para além do texto que escreve, tem também uma pequena coluna, “Barómetro do Planeta”, em que felicita algumas medidas (“… viva!”) e critica outras (“… buuuu!”), tudo no campo do ambiente.
Aqui vai um “…buuuu!” delicioso: “Numa reunião do G8 mais uma vez o presidente Bush decepcionou o mundo – continua com a velha desculpa de que ainda não se sabe o suficiente sobre o aquecimento para se poder tirar conclusões. Está à espera de quê? Que seja capaz de fritar ovos na testa?”

Maria Ortigão

quinta-feira, julho 28, 2005

Protesto

Os artigos de higiene pessoal têm um IVA de 21%. (Tentei fazer uma pesquiça mas as etiquetas de supermercados não explicitam a taxa, pelo talão os artigos que conheço detêm sim 21%). Já tinha roçado o assunto mas volto à carga: Proponho que iniciemos uma greve à higiene pessoal em sinal de protesto. Assim, deixe-mos de tomar banho, lavar a cabeça (pensam, vê-se logo que é uma mulher a escrever!), escovar os dentes... É certo que pode demorar um tempo até atingirmos o que pretendemos, mas as mudanças implicam sacrifício! Consigo imaginar todos mais escuros com a sujidade entranhada na pele -sempre evitavamos o risco de cancro de pel- os cabelos à rasta (não pretendo ofender ninguém, é apenas uma simplificação), pessonhentos... Deviamos começar já. Sucesso garantido agora no verão- quando houver sol outra vez- o cheiro intensifica-se não terão outra saida a não ser ratificar a taxa mínima.
Podemos sempre tomar banho com a bebida do nosso bom e velho amigo Baco. Banhos de leite de cabra já tinha ouvido- faz bem a pele! E usar cerveja como bronzeador, quem experimentou garante que funciona muito bem.
M.Q.

Não há pachorra...

... para "animadores de rádio" que utilizam a muleta da semana e fim-de-semana para dizerem umas palavras. «... é segunda vamos lá cambada, força!; é quarta-feira já só faltam dois dias para o fim-de-semana...»
... para o "último disco". Ó gente da minha terra, ah! esperem a frase fica bem na voz da Marisa, mas a terra não é minha! Ó gente... não se diz último disco, diz-se disco mais recente! Quero lá saber se dizem que sou supersticiosa ou apenas chata. Cá de o rigor?
... não gosto do programa da tarde da Antena3 que utiliza um blog e os seus comentários... Isso não deveria bastar para fazer um programa. Assim também eu; sim, já sei, estou com inveja. Fora a questão dos insultos/discordâncias dos visitantes para com o "animador" que ele resolve responder no ar, mesmo que educadamente, não era supoto ignorar-se...?
M.Q.

Cinemania

Vi no jornal que o filme "Madagáscar" tinha duas estrelas-asteriscos. "Sonho de uma noite de São João" tinha três. Não costumo, de todo, ligar ao que eles-"críticos de cinema" dizem, embora veja a tabela. Eis a minha classificação: "Madagáscar" duas. "Sonho..." estrela e meia. Como se coloca isto numa tabela, meio asterisco? Estão a ver aquela piada: um ponto é um asterisco com gel... É melhor parar por aqui, deve ser do verão. Esses, os críticos de cinema de jornais ou jornalistas que vão ao cinema... incomodan-me um bocado, cada filme deveria ter a tabela preenchida, completamente, para comparações... Não deveriam eles ver os filmes todos? Se o jornal pagar eu posso muito bem ir nos vossos lugares!
M.Q.

Merece ser visitado

Quer on-line quer fisicamente. Café Guarany. (Bolas espero que funcione agora). Já foram? Lindos os grãos de café! Não está o máximo? Bom, adoro estes sítios onde se respira, ou parece respirar, um passado histórico-cultural... o que eu não dava por um Sarau com o meu Eça, ou umas Conferências no Casino, uma Tertúlia... E ainda por cima alia a vida nativa do meu Amazonas. Já sabia das pinturas; tenho que lá ir, ouvir algo latino.
M.Q.

Partilho

Andei lendo: o que costumo ler, os outros que lêem o mesmo que eu e os blogues mediáticos e encontrei isto: gostei e muito bom. O primeiro é um excelente texto, mas isso já sabe quem conhece F. A. M. "O gajo" sabe escrever e tem ideias claras, bem estruturadas, concisas. Independentemente de eu "ser de esquerda" ou de concordar ou não com o texto. O segundo tenho pena de não ter sido eu a inventar, mas adorei ficar a conhecer a realidade. Estou mais rica! Não conhecia a piada, a hipótese...
M. Q.
P.P:. Parece que estou com problemas técnicos: Gostei de "Nomina sunt res?" e muito bom "Cláudia" em http://www.foradomundo.blogspot.com

quinta-feira, julho 21, 2005

O MELHOR DO MUNDO SÃO AS CRIANÇAS


Numa aula, a professora propõe a realização de uma Biblioteca de Turma. Logo a excitação percorre os pequenos petizes, ao ponto de um perguntar, só para ter a certeza:
— Isso implica ler, não é?

Maria Ortigão

PONTAPÉS NA GRAMÁTICA E NÃO SÓ XI


1. Insigne professora de Português da Escola EB 2/3 Arquitecto Oliveira Ferreira, dirigindo-se a um aluno:
“— Quando é que me mostras o teu material?”

Comentário: Costuma-se guardar o melhor para o fim!


2. Insigne professora de História de Portugal da Faculdade de Letras do Porto:
“— A maior dificuldade dos portugueses é a penetração!”

Comentário: É necessário contextualizar esta frase. A professora alude, OBVIAMENTE, às dificuldades de comunicação que os portugueses sentiram na Índia, durante o século XVI.
Logo, o facto de a senhora ser casada com um italiano só pode ser mera coincidência!

3. Está a chover. Pergunto a um amigo:
“— Então, não abres o guarda-chuva?”
Ele responde:
“— Não o quero molhar!”

Comentário: Chuva molha tolos!


4. No programa Passo a Palavra, Nicolau Breyner pergunta:
“— Qual o nome de um dos barcos da armada de Cristóvão Colombo?”
O concorrente aposta:
“— Nau Catrineta!

Comentário: Alvíssaras, capitão! Já vejo terras da Índia, areias da América!

Maria Ortigão

terça-feira, julho 19, 2005

AGUENTA-TE COM ESTA!


Resolvi escrever a presente farpa na sequência de um comentário de MRA e de um acontecimento recente por mim presenciado.
Antes de começar, agradeço a visita que MRA e que Celemen fizeram ao nosso cantinho, na grande rede.
No texto “Top 5 dos automobilizados”, as frases citadas são perfeitamente inocentes, no fundo, são pequenas piadas do dia-a-dia. Por outro lado, a que MRA nos deixou – após um acidente, há quem profira a pérola “Logo hoje que eu ia devagar!” – é mais preocupante, porque revela a má educação, o pouco cuidado, a irresponsabilidade, em resumo, a falta de civismo que, em Portugal, é sinónimo de condução. Conduz-se sob o efeito de álcool, em excesso de velocidade, acontecem manobras perigosas e, no fim, só há um culpado para os acidentes – as estradas, essas assassinas! Sim, sei que há vias em mau estado, mal sinalizadas e até mesmo com defeitos, mas é tapar o sol com a peneira ao não se admitir que é a imprudência que mais mata nas estradas portuguesas.
Eu, para além de ser pendura, sou uma pendura chata, melga, impossível de aturar. Resmungo quando o condutor atende o telemóvel, quando vai muito depressa, quando quer beber antes de conduzir, grito “Cuidado com o gato!”, quando o bichano está a um quilómetro de distância e a cinco metros da faixa de rodagem… Custa-me ter de fazer esse papel, mordo-me toda, pois sei que para os outros estou a ser histérica, talvez impertinente. Custa-me, mas a minha vida custa mais. Sempre fui muito sensível nisto de se conduzir com segurança e mais sensível fiquei depois de quase ter sido atirada para uma cadeira de rodas por alguém que estava com pressa e resolveu fazer uma manobra perigosa.
Recentemente, entre amigos, um condutor bebeu vinho ao jantar e depois mais um copo num bar. Aqui a Super-Melga alertou logo para o facto de ele ter de conduzir. Resposta brilhante: “Eu aguento bem!” Quando se fala em alterar o código da estrada, há sempre duas facções distintas: uns defendem que é necessário investir na informação e formação dos condutores, outros acham que se deve aumentar as multas. Pois bem, ao ouvir aquela resposta (de uma pessoa, ainda por cima, bem formada) só me apetecia aumentar as multas e depois perguntar-lhe: “E com esta aguentas bem?” E será que aguentará bem quando destruir o carro, quando for parar ao hospital, quando matar alguém ou se matar a si próprio? “Tá-se bem?”
Lembrei-me agora de um episódio mais antigo, em que, também num grupo de amigos, um espertalhaço resolveu, muito ufano, relatar as suas façanhas ao volante, nomeadamente, manobras perigosíssimas, macho que é macho não anda a menos de 100 km/h e outros atentados à sanidade pública. A referida pessoa até já tinha tido acidentes, mas, sabem como é, o verdadeiro herói não se deixa abater pelas contrariedades da vida. O mais engraçado de tudo é que a maior parte da audiência ouvia-o atentamente e achava-lhe imensa graça!!! É claro que eu estava de trombas e com vontade de transformar o copo de vidro que tinha à minha frente numa arma de arremesso. Para relaxar, deixo algumas frases que me devem ter passado pela cabeça:
- Quanto é que ele terá tirado na cadeira de Estupidez Aplicada à Condução?;
- Se a estupidez for contagiosa, posso estar descansada que ele está muito longe de mim!;
- Será que alguém repara se eu for lá fora esvaziar-lhe os quatro pneus?;
- O que vai ser o meu almoço amanhã?
Para terminar, deixo uma pergunta que me passou pela cabeça, quando estava deitada numa maca, num corredor do hospital, à espera de saber se tinha a coluna partida: Por que motivo os irresponsáveis que provocam acidentes raramente se magoam, enquanto os que levam com eles em cima é que ficam feridos?


Maria Ortigão



CURTINHAS


1. Andar para trás

Um brasileiro resolveu caminhar até Fátima de costas. Depois de ter conseguido chegar até ao santuário, prepara-se para, da mesma forma, ligar Lisboa ao Vaticano.
Ora, a minha mãe sempre disse que andar para trás é ensinar o caminho ao Diabo. O que aquele senhor faz em nome da fé é, na realidade, um acto sacrílego, é uma blasfémia. Está a pôr em causa toda a cristandade ao fazer um GPS dos principais locais católicos para o Demo! Aquele homem não precisa de um representante do Guiness, precisa rapidamente de um exorcista!

2. “Outdoors”
Tempo de campanha eleitoral, tempo de cartazes, tempo de poluição visual. De facto, os cartazes eleitorais estão cada vez maiores. E, como estão cada vez maiores, só agora é que percebi por que motivo se chamam “outdoors”. São tão grandes que “insidedoors” é que não cabiam!


3. As vitórias do Sporting
José Peseiro disse que, na próxima temporada, o Sporting vai ganhar mais do que conseguiu na temporada passada. Sinceramente, não me lembrava de o clube leonino ter conquistado nada na camada sénior de futebol. Porém, depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que o SCP:
- conquistou o terceiro lugar na última temporada;
- conquistou a derrota na final da taça UEFA;
- conquistou a eliminação da taça de Portugal;
- conquistou a simpatia dos geómetras por causa do losango;
- conquistou a presença assídua, na baliza, do rei dos frangos.

4. Dinheiro bem guardado
Longe vão os tempos em que as senhoras guardavam o dinheiro no seu “apara-seios”. Mas, pelos vistos, um dos ministros do presidente brasileiro, na falta do suporte feminino, resolveu esconder os dividendos das suas actividades ilícitas nas cuecas! Finalmente, a expressão dinheiro sujo faz sentido!


Maria Ortigão


Aquilo que só acontece nos filmes

Saimos do bar e fomos até aos carros, um deles tinha sido roubado. Estragaram as portas e levara o rádio. Telefonamos à polícia!
- Onde estão?
- Na rua X.
- Ah! Mas isso pertence a outra freguesia, têm que telefonar para o posto de lá.
- Pode dar-nos o número?!
Deu. Ligamos. Aparecem nas calmas. Quem é a dona do carro, o que levaram?
- Nós não tocamos nada.
- Ah, pode entrar não se preocupe.
- Pode apresentar queixa no posto. Mas agora só segunda feira, não vale a pena ir agora ou amanhã. Sabe, se fosse uma emergência... quer que façamos o quê? Pergunta o agente. Apanhá-los, pois. Quem foi? Não se sabe!
E assim, contactamos com a displicência habitual das forças de segurança. Dois gajos, nas calmas, que não preencheram sequer um papel. E que nos deram um banho de realidade: Apanhá-los!
Pergunto eu: a pessoa a quem telefonamos primeiro, não podia ficar com os dados e transmitir a quem de direito?
Mais, se lhe roubarem o carro ao fim de semana, não vá até um posto da GNR mesmo que seja o mais próximo, vá directamente à PSP mais próxima, porque nos postos a ocorrência fica à espera pela segunda feira. Recomendação de vários agentes.
Se lhe roubam o veículo pela segunda vez, esteja atento e ajude o agente a preencher os papeis, foi o que nós fizemos, porque ele não sabia.
E, se lhe roubarem a loja, não espere que eles tirem impressões digitais, porque não o fazem. E vá directamente à feira "da Bandoma" lá do sítio se quer recuperar alguma coisa, foi o que o agente disse.
O crime compensa! Deviam empenhar-se para delitos menores com a mesma gana com que pretendem caçar os culpados de atentados contra colegas.
Como pretendem que estás pessoas não fujam aos impostos? Se os valúrdios que pagam não lhes conferem garantias?
Manuela Queirós.

A médica de família desnaturada e outras tropelias.

Uma história da vida real*:
O sr. X esteve em sofrimento visível e incapacitante durante duas semanas antes de se dirigir ao centro de saúde correspondente. Vai para as urgências, isto é, a partir das 17h são atendidos por ordem de chegada pessoas que não têm consultas marcadas (consultas essas que implicam estar 2 ou 3 meses à espera). Explica-se e vai para casa com uma folha de exames e alguns medicamentos. Fazer os exames requer, no mínimo, uma semana de espera em sofrimento levemente aliviado por químicos. Vai novamente à urgência. - Que os exames estão incompletos porque no centro de saúde ficou a segunda folha. (Daí termos achado estranho que alguém que se queixa da coluna tenha feito apenas uma radiografia.) Leva novamente uma folha; mais uma semana de espera, resultados, urgência: - Não está bem, de facto, vamos fazer un TAC. A guia do exame precisa de aprovoção do director do centro, por tanto, dentro de dois dias pode vir buscar. Ao segundo nada. No terceiro, tenta marcar-se o exame mas estava no nome de um outro senhor cujo nome também é X mas de apelido diferente! (Agora compreendem com alguém pode ser operado por engano?!) O funcionario do laboratório aceitou marcar à mesma, mas era preciso rectificar a guia o que implica vltar duas vezes ao centro de saúde. Espera-se resultados e deixam-se na secretaria com um número de telefone para posterior conferência com a médica, solução apontada por ela. A falta de notícias leva o sr. X ao "verdadeiro médico de familia", ou seja, um particular conhecido de longa data que já tratou os pais do sr. X. Passam três semanas e vai-se ao centro de saúde buscar o TAC. A funcionária procura, -quando o deixou? Para a médica qual? Aqui não está nada...- estava num outro armário e ainda não tinha sido visto pela médica. Foi lá dentro mostrar, passados cinco minutos aparece a mesma funcionária dizendo que não tinha hérnias, razão pela qual tinha sido feito o exame para despistar a hipótese. O sr. X, sabiamos nós pelo outro médico, tem três hérnias: uma delas em estado incipiente mas que apresenta mais gravidade que as outra duas juntas.
O sr. X voltou ao sofrimento que antes tinha sido aliviado através de umas injecções e recorreu novamente ao centro de saúde. Um outro médico, porque nas urgências é assim, pode sêr-se atendido pelo médico de família que deveria estar a para do quadro clínico ou por outro que nunca viu o paciente e ao qual é preciso pôr à par da situação, tempo gasto.
O sr. doutor não percebeu como a colega deixou escapar a situação. - Vá pra casa tomar mais uma injecções e depois venha cá. Aguarda-se novos desenvolvimentos. Mas é de salientar que estas segundas injecções custaram menos de dois euros e fizeram o mesmo efeito que outras muito mais caras.
*A minha vaidade lembrou-se do epíteto: conto urbano (de horror) mas eu não escrevo bem.

Políticas não renováveis

Uma central nuclear?! Não quero fazer papel de ignorante histérica, mas é possível que se coloque esse tipo de hipótese quando não se explorou todo um conjunto de energias renóvaveis, naturais, cleen, verdes!? Prefiro ter o horizonte pejado de moinhos eólicos. Construam barragens (ao invés de estádios de futebol mas já vai tarde!), instalem placas solares gigantes no Alentejo mas façam alguma coisa, bem!
M. Q.

segunda-feira, julho 18, 2005

Comentários aos comentários dos nossos participantes

- O pensamento é "lindo": Filhos do Mundo! Mas nacionalidade é precisa para os direitos básicos: saúde, etc. Se bem que na minha "freguesia" ter médico de familia é igual a não ter. Assunto a desenvolver depois.
[P.P.: Se depois aparecer no "Comments" n estranhem.]
- Tentamos colocar os links. Seguimos as instruções mas nada. Obviamente fizemos alguma coisa mal. Podem gozar e dizer que somos de letas.
- Vou tentar esclarecer porque não coloquei entidades masculinas na referência ao método contraceptivo pílula: Não porque ache que é um domínio feminino, mas porque colocar entidades masculinas poderia desviar a discussão para o papel paternal e não era isso que se pretendia.
M. Q.

quarta-feira, julho 13, 2005

Yes Sir.

Piadas sobre o timimg da Cidade do Porto ter Metro e os atentados, ou, que giro seria virem os "gajos" dar cabo de tudo agora passaram pela minha cabeça. Mas não vou escrevê-las mas surgiu uma questão: os atentados de Madrid parecem ter uma escala muito mais bárbara que os perpetrados em Londres. Será que os terroristas respeitam mais "Londres" - (não escrevi londrinos por parecer incoerente, respeita-se mas rebeta-se?) - do que os sacanas dos castelhanos católicos que lhes sacaram a Anduluzia?
O Atentado de 11 de Setembro não serve de comparação.
Embora o titulo pareça provocação não quis "profanar" o local escolhendo "Londres"
M.Q.

Nacionalidades

Que país é este, que não dá a nacionalidade a quem nasce no seu solo? Fiquei estupefacta ao saber da noticia. Eu até percebo que é uma forma de resguardo dá-se a nacionalidade a uma criança e temos que aturar os pais e irmãos... Mas para que saibam, este país deu-me a sua nacionalidade "só" porque os meus país são portugueses! Filho de português, português é!* É certo que os meus habitaram este cantinho à beira-mar plantado até aos 20 e poucos- teria mais graça se nem sequer tivessem cá morado! (Não sei se é possível). Bom, mas eu, que fui sempre portuguesa (até na minha terra, colegas de escola podem ser infernais! ) não frequentei uma escola portuguesa como tantos filhos de imigrantes. Apenas conheci o país aos 10 anos de idade por uma única vez. É certo que até comprei um caderno onde rabisquei um glosário , mas nunca quis ser portuguesa! E até digo: vocês os portugueses... Q me perdoem os amigos de cá. Mas é a verdade, ninguém me perguntou, deram-ma! E a outros que de direito pertençe ou vos defenden melhor nega-se.
Isto não é um tratado anti- Portugal; eu gostei de aprender a vossa história; adoro a vossa literatura, vossa música, primeiros filmes... e o país é bonito, como são todos.
* Devem ter-me inscrito no Consulado português, mas percebem?
M.Q.

Aviso à navegação:

O Farpas* sente-se honrado com os novos visitantes e orgulhoso de vos poder receber. Gostariamos de poder colocar os vossos links numa coluna ao lado mas achamos complicado. Eis que me lembrei que podia remediar assim:
Muito pouco digno mas com muita boa intenção. Acho que não esqueci ninguém. Bem hajam!
* Síndroma de Jogador de Futebol: Fala-se na 3ª Pessoa.
M & M.

Um comentário

A Educação Sexual nas Escolas Portuguesas
Apetece-me escrever: O Estado laico tem à disposição dos alunos aulas de Religião e Moral; não tem qualquer outro tipo de "espiritualidade" à "disposição do freguês" que salvaguarde o direito à diferença ou que sacie a curiosidade. Por isso, educação sexual, sim! Eu tive pelo menos uma disciplina chamada Educação para a Saúde e falamos de sida, hepatites, métodos contraceptivos, gestação... faltou a prática: manusear, ter o à vontade, deixar assente que é preciso maturidade, seriedade, honestidade para aos 14/16 salvaguardar a confiança que o outro depositou em nós.
Educação sexual II
Acho que é óbvio que falta interiorizar a informação, lá porque ela anda aí, não quer dizer que seja assimilada. Toda a gente sabe que: 1.- a pílula evita gravidezes mas não há noção do rigor que implica a toma (horários, tempo de paragem...) as miúdas deviam ser acompanhadas pelas mães, irmãs,tias...(não coloco entidades masculinas de propósito); 2.- o preservativo, como colocar correctamente... Talvez devessem ser grupos pequenos, de seis alunos, escolhidos pelos próprios, já que não tens o mesmo à vontade com todas as pessoas da turma; ou consultas privadas com um técnicos de saúde.
Manuela Queirós.

quinta-feira, julho 07, 2005

OS AMBRÓSIOS DO SR. MINISTRO

Foi, ontem, primeira página de um jornal a notícia de que o ministro da Justiça tinha cinco motoristas à sua disposição. Muito me alegrei com este dado navo, porque, ao mesmo tempo, o ministro combate activamente o desemprego e é possuidor de um agudo sentido de responsabilidade e segurança, já que nem toda a gente tem igual apetência para conduzir nos diversos tipos de estradas.
Assim, um motorista só conduz nos itinerários principais; outro exerce a sua profissão nos itinerários complementares; outro nas estradas nacionais; outro nas locais; e finalmente aquele que é mais competente e com larga experiência no ramo conduz nos perigossímos e sempre incertos caminhos de cabras.

terça-feira, julho 05, 2005

TOP 5 DOS AUTOMOBILIZADOS


Sendo eu uma desautomobilizada (vulgo pendura), possuo a distância suficiente para ir reparando em alguns chavões que os automobilizados usam constantemente. De facto, há frases que, com mais ou menos variantes, estão sempre a ser citadas em determinadas situações. Há momentos em que me lembro do canito de Pavlov. O animal, de tão habituado a receber comida após o toque de uma campainha, mal a ouvia começava a salivar. De igual modo, há circunstâncias que quase obrigam os condutores a proferirem sempre a mesma maia dúzia de palavras. (Atenção e isto que fique bem claro: não estou a chamar cães aos automobilistas. Quem tirar conclusões precipitadas fica já avisado que eu mordo!)
Decidi, então, partilhar, por ordem decrescente de frequência, as cinco situações e correspondentes tiradas mais ouvidas dentro ou fora de um carro:
5.º lugar – É bastante recorrente ir à beira de pessoas que afirmam que, ao contrário dos outros, não se enerva nada a conduzir, mas “Aquele grandíssimo f***, não sabe que a m*** dos piscas é para se usar? C***!”
4.º lugar – Quando, num grupo de amigos, há alguém que está a tirar a carta, aparece sempre uma pessoa que se sai com esta: “Diz-me a que horas tens aulas para eu não andar na estrada!”
3.º lugar – Já reparam que, mesmo numa viagem longa, se só parar num sinal vermelho, o condutor diz sempre: “Caramba! Hoje só apanho vermelhos!”
2.º lugar – Depois de estacionar o carro, no caminho que tem de percorrer a pé até ao seu destino, o condutor não pára de repetir: “Olha, tinha lugar aqui!” ou “Tanto espaço aqui e eu fui deixar o carro tão longe!” ou “Se soubesse, não tínhamos de caminhar tanto!”
E o prémio para a frase mais repetida pelos automobilistas vai para…
1.º lugar – “Queres ir a pé?” Esta expressão é constantemente repetida por tudo e por nada, mas sobretudo, por nada! Não se pode fazer o comentário mais inocente sobre o percurso, o carro, a condução, qualquer coisita, que o condutor, do alto do seu volante, profere esta aterradora ameaça! É dura a vida de um pendura!

Maria Ortigão


MOURINHO COM AÇÚCAR



Umas farpas atrás, constatei o facto de que para se ser actor, hoje em dia, era condição “sine qua non” ser-se modelo. Corrijo-me agora: ser-se modelo ou treinador de futebol. Ao que tudo indica, o nosso Mourinho vai entrar na telenovela “Morangos com Açúcar”. Estou doidinha para o ver representar. Tão doidinha que não consigo deixar de imaginar como serão os episódios em que ele irá entrar.
Como estamos na série de Verão, é muito provável haver um torneio de futebol na praia, que irá opor o grupo dos “dreads” ao dos “betinhos”. Só falta saber qual das duas equipas irá o “mister” orientar. Vai ser uma escolha difícil, porque apesar do aspecto “abetado”, o treinador português tem uma personalidade bastante forte. De qualquer das maneiras, com certeza que vai dar um murro na areia e afirmar peremptoriamente: “Nós vamos ser campeões!”
Durante o torneio, orientará a sua equipa de calções sem, contudo, prescindir do seu sobretudo da sorte. Lá porque se está na praia, não se deve descurar a aparência. Por falar em aparências, ocorrerão algumas mudanças estéticas nos jogadores. Por exemplo:
- aquele rapaz da crista, que parece um galo ourado, vai ser incentivado a deixar crescer ainda mais o cabelo, pois, assim, quando estiver na barreira do livre, tapa mais a visão ao guarda-redes;
- os “betinhos” que não se atrevam a jogar com calções aos quadrados, sob pena de Mourinho pegar neles e rasgá-los, dizendo que este tipo de pessoa não merece jogar futebol e que deve morrer em campo;
- o menino das repas compridas deve usar uma fitinha no cabelo, se não, tal como Nuno Gomes, passará o tempo todo mais preocupado em prender o cabelo nas orelhas, não jogando nada de jeito e não marcando nenhum golo.

Caso as coisas estiverem a correr mal à equipa de Mourinho, no final do jogo, fará declarações bombásticas, afirmando que viu o árbitro, durante o intervalo, a comer gelados no bar da equipa rival.
Resta saber se o “mister” irá fazer par romântico com a mulher do líder da sua claque!

Maria Ortigão

OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS


Num curto espaço de tempo, perdemos importantes figuras políticas e culturais do país. Deixaram-nos Vasco Gonçalves, Álvaro Cunhal, Emídio Guerreiro e o poeta Eugénio de Andrade.
À excepção do líder histórico do PCP, penso que os outros não tiveram a merecidíssima homenagem. Na área da política, perderam-se grandes anti-fascistas, que em muito contribuíram para a liberdade em Portugal. Se hoje pode existir um “blog” como “Farpas XXI”, devemo-lo a eles. Se hoje eu posso ser quem sou, devo-o a eles.
E que dizer de Eugénio de Andrade? Mais do que dizer, devemos ler.
Por todas estas mortes, é que eu acho que anda tudo maluco no reino dos céus.

Maria Ortigão

ESTOU QUE NEM POSSO


Depois de José Sócrates ter jurado a pés juntos que não iria aumentar os impostos, o IVA subiu. Penso que a maioria do país nem reagiu muito mal. Afinal (literalmente) de contas, já estamos habituados a estas mentirinhas piedosas, durante a campanha eleitoral. Pois é, desde o início desta semana que os produtos, taxados com 19% de IVA, passaram para os 21%.
Nos dias que antecederam esta subida, aconteceu um fenómeno intrigante: a venda de automóveis subiu significativamente. Mas se pensam que a malta andou a comprar Fiatzitos e Cliozinhos, desenganem-se. Na realidade, os mais vendidos foram os carros de luxo. Fiquei siderada e garanto que vão ser apuradas responsabilidades. Isto não fica assim! Estou mesmo muito chateada! Então… a crise acabou e ninguém me disse nada?!

Maria Ortigão

AVES RARAS


Aqui há dias, um bando de idiotas de profissão e de parvalhões nas horas vagas (já sei que a palavra “idiotas” pode chocar as pessoas mais sensíveis, mas é exactamente o que eles são) resolveu fazer uma marcha nacionalista contra os emigrantes, numa tentativa de mostrar o seu orgulho branco, seja lá o que isso for.
Qual David Attenborough, andei a investigar os hábitos destes estranhos animais que, espera-se, estejam em vias de extinção. Cheguei a conclusões deveras interessantes. A saber:
a) A percentagem de cancro da pele, no seio daquele clã, é zero. Isto, porque odeiam o sol. Se se expusessem ao sol, poderiam ficar morenos, ou seja, a sua pele ia ficar mais escura. Ora, esta seria uma situação que não lhes conviria nada, uma vez que o seu ideal de beleza é serem todos branquinhos, loiros e de olhos azuis, tal e qual como o loiríssimo Hitler. Para isso, nas férias de Verão, trocam o Algarve, o Brasil e o Havai pela Finlândia, Islândia e Sibéria, numa migração secular.
b) Para eles, Charles Darwin é um importante médio da selecção inglesa. (Aliás, os fervorosos adeptos britânicos são os seus melhores amigos.) A evolução das espécies nunca aconteceu, pelo que aquilo de os primeiros hominídeos terem “nascido” em África é uma mentira atroz, que deveria ser retirada dos manuais de História. Foi Deus que criou o homem e sem carapinha.
c) Anatomicamente, o seu cérebro é do tamanho de um amendoim anão e está ligado ao intestino delgado.
Felizmente, nenhum político responsável compactuou com tamanha barbaridade. Contudo, para me estragar esta última frase, Alberto João Jardim veio a público dizer que não quer chineses nem indianos na sua ilha. Oh!... não estraga nada a minha frase, porque, afinal, escrevi “político responsável”!



Maria Ortigão

CANTA, CANTA, AMIGO, CANTA…


No passado dia 2 de Julho, aconteceu um grande espectáculo musical e uma grande lição de solidariedade. Chegou a hora (e já vamos muito atrasados) de dizer basta à miséria, às grandes diferenças sociais e à discriminação não só em África, mas também no mundo dito civilizado e mais rico. De facto, não é só no continente negro que nos deparamos com as tristes imagens de crianças esqueléticas, polvilhadas de moscas. Há cada vez mais sem-abrigo, pedintes e gente a quem as moscas sugaram o brilho do olhar. Do outro lado, estão os ricos que vão ficando cada vez mais ricos e mais egoístas e mais desinteressados.
Como é possível que ainda não se tenha perdoado as dívidas aos países mais pobres? Não é só por uma questão de solidariedade e de ajuda. É que aqueles países, simplesmente, não as podem pagar e de certeza que nunca o conseguirão fazer!
Como é possível que nenhum daqueles oito tenha pensado em desenvolver políticas de entreajuda e de verdadeiro desenvolvimento sustentável? Enviar peixe aos mais desfavorecidos é importante, mas mais importante é ensinar a pescar.
Como é possível deixar morrer uma criança a cada três segundos?
Como é possível que José Castelo Branco tenha um programa na televisão? (Esta pergunta pode parecer desenquadrada, mas tão chocante como as outras.)
Esperemos que os homens mais poderosos do mundo tenham escutado a música e a contestação cada vez mais crescente ao seu pequeno mundo. Infelizmente, tenho a impressão de que farão ouvidos de mercador e tenho a certeza de que Bush não tem nenhuma sensibilidade musical. Parece que lhe agrada mais o som de bombas e de aviões de combate do que uma boa música. É pena!
Pelo menos, ficará para sempre esta grande divisa: NÃO QUEREMOS CARIDADE, QUEREMOS JUSTIÇA.

Maria Ortigão



quarta-feira, junho 29, 2005

É tudo nosso

Uma certa manifestação pretendia chamar a atenção para a necessidade de devolver o país aos portugueses. (Isto soa a slogan de alguma coisa). Porque grande parte dos problemas advêm dos imigrantes. A certa altura fazem um minuto de silêncio pelos compatriotas mortos na África do Sul.
Alguém faz o favor de explicar a essa gente que os emigrantes portugueses são lá imigrantes! Que África do Sul não fez parte do império, apesar de ser um destino preferêncial, e que há muito África é "soberana" seja lá o que isso se traduza na prática em termos políticos, porque económicamente são outras as pendências...
Que são trabalhadores honestos... pensei que os recursos os recursos naturais e os postos sócio-económicos que se reclamavam para os de aqui fossem deles- os meus manos- por direito!
M. Q.

Tiago Monteiro

A vitória de T.M. dá um novo significado á anedota do: .... fiquei em 3º lugar! E quantos eram? Seis!
Não me levem a mal, não se trata de ser um dos Velhos do Restelo, nem a maledicência típica da "aldeia portuguesa"... eu agora até sigo os resultados da Formula1! E o gajo é giro! E simpático! E anda a fzer o que todos fazem: explorar os laços com a terrinha. É o mercado!
M.Q.

Ideias

No outro dia apercebi-me que há espaço para um canal temático de teatro, principalmente com as produções portuguesas, mas com pouca revista que as repetições da TVi já enchem! Com peças estrangeiras aqui representadas ou não. Se quiserem pode não ter um horário completo. Mas acho que há lugar!
M.Q.

Errata

Não estive muito atenta à programação televisiva mas parece que falhei a profecia, o que muito me agrada, porque um outro canal foi capaz de fazer algo que não pensava ver: a repetição da série "Até amanhã camaradas" e até exibiram filmes baseados na sua obra- que desconhecia. O que falta é fazerem um documentario/filme sobre a fuga.
M. Q.

Para quem já cá não anda:

Voltei! Seguramente gostariam de ler que andei em profunfas reflexões sobre as últimas pelejas e que surgiria dessas mesmas reflexões qual Fénix das cinzas renascida -muito gostaria eu que existisse esta ave- mas não: volto igualzinha, casmurra e cheia de defeitos, mas com a consciênciencia que desagrada.
De facto não temos leitores, para além de uns bons amigos; ultrapassada a desilusão inicial continuamos, porque nós as duas divertimo-nos para além disso, com a simples exposição de ideias! Das nossas ideias -disparatadas, aqui falo apenas no meu nome- que não pretendem ser verdades inabaláveis, ideias que servem pra expor alguma situação menos boa -afinal sou uma idealista-, ideias que servem como desabafos ou confissões... Falo sobre assuntos que não domino, certo, síndrome do cidadão mediocre que assola o mundo, sejam condescendentes com o bobo da corte.
Não tinha consciência de que o que desagaradava era o estilo da rubrica, talvez porque não o expressou directamente e se insurgia contra ela ou o que ela defendia!? Também não tenho que concordar, já aqui disse que somos responsáveis pelo que escrevemos e independentes! Já que não nos consultamos previamente; é sempre uma surpresa, talvez por isso funcione sem leitores, entre outras coisas como: uma megalomania qualquer e uma veia de escritora/humorista frustarada, mas feliz -passe o paradoxo.
Foi insultado porque insultou; porque não conseguimos estabelecer uma comunicação nos mesmos canais-deturpação de ideias. Agora, é certo, que é livre de ir, ficou porque quis. Não nos está a fazer um favor, nós conseguimos (sobre)viver enquanto nós as duas quisermos. Acho que a razão pela qual ficou tanto tempo, é pelo espaço concedido traduzido em respostas -não necessariamente boas ou correctas; os blogues são "objectos" individuais e pessoais e este não respeita muito essa característica. Quem somos nós? Já respondi, duas pessoas que iniciaram um projecto conjunto-não necessariamente bom e que se divertem a faze-lo! E você?
P.P.: Agradece-se aos leitores (gostei do isentismo da Cristina) que saíram em nossa defesa, que por acaso também são amigos e os únicos dois frequentadores assíduos. Ah ah ah.
Manuela Queirós

quinta-feira, junho 16, 2005

Sem título (não me lembrava de nada de jeito)

Pensei em fazer um grande texto sobre os últimos acontecimentos. Pensando melhor, acho até que não vale a pena. Não me apetece alimentar mais polémicas, porque, se o fizer, todo o espírito do "blog" perder-se-á. Nós gostamos de escrever, pois é uma forma de descomprimir e de nos divertirmos. Quem quiser lê, quem não quiser não lê. Têm todos direito a expressar a opinião, mas nós também temos todo o direito ao contraditório (parece que isto anda na moda) e, doa a quem doer, eu nunca deixarei de usufruir do meu direito.
No entanto, não poderia de dizer que Álvaro Cunhal, apesar das polémicas e de não concordar com muito do que defendia, merece toda a minha admiração por uns pequenos grandes detalhes: lutou afincadamente pela liberdade e foi sempre um anti-fascista.
Maria Ortigão

PONTAPÉS NA GRAMÁTICA E NÃO SÓ X


1. Insigne professora de Metodologia do Ensino de Português da Faculdade de Letras do Porto:
“— Vou contar o que me aconteceu ontem a mim própria!”

Comentário: Há pessoas que só olham para o seu umbigo!

Conselho

Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

Eugénio de Andrade, Os Amantes sem Dinheiro

2. Insigne professora de Metodologia do Ensino de Português da Faculdade de Letras do Porto:
“— Está in ou line?”

Comentário: Eu diria que está completamente out off line!

Paisagem

Entre pinheiros três casas.
Uma azenha parada.
Uma torre erguida
de fraga em fraga
contra o céu de cal.
E um silêncio talhado
para o voo de um moscardo
alastra de casa em casa
sobe à torre abandonada
e sobe a azenha parada
tomba desamparado.

Eugénio de Andrade, Primeiros Poemas

3. Amiga, durante uma viagem de carro:
“— Se estiver muito vento, diz, que eu apago os vidros!”

Comentário: Se o vidro for apagado, não vai entrar ainda mais vento?

Lisboa

Alguém diz com lentidão:
«Lisboa, sabes…»
Eu sei. É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus
e degraus até ao rio.

Eu sei. E tu, sabias?

Eugénio de Andrade, Poesia

4. O meu pai, falando sobre a sua vida no ultramar:
“— Fui para a aviação aérea!”

Comentário: Sempre foi um verdadeiro cabeça-no-ar, o meu papá!


As amoras

O meu país sabe a amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.

Raramente falei do meu país, talvez
não goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade, Poesia




Maria Ortigão

RAIS PAT’À MINHA SORTE!

Nota de abertura: Esta farpa foi escrita antes da polémica estalar.

1. Ainda sobre as Conferências Democráticas do Casino
Agora estou com um grave problema. Como eu e o Filipe nos encontrámos ontem e já conversámos, não me apetece estar aqui a repetir tudo o que lhe disse, pois já não há elemento surpresa. Porém, a polémica ainda não terminou por aqui.

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade, Coração do Dia

Deixo, apenas, alguns dos pontos, que, para mim, são mais importantes:
a) É obvio que não consultei só uma Enciclopédia;
b) A Diciopédia foi o único “livro” que me deu uma resposta clara. Perante a afirmativa que recolhi, penso que a atitude mais correcta não seja a de bater com o pé no chão, dizendo que não, que está errada, mas a de tentar procurar e perceber por que razão há alguém que, pelos vistos, fez um comentário diferente. É por isso mesmo que, neste momento, estou a tomar algumas providências (que frase tão ministerial!!!);
c) Gloriosa Faculdade de Letras do Porto? Está bem, tem algumas coisas boas, nomeadamente a biblioteca. Mas confesso que aprendi muito mais num ano fora dela do que em quatro lá dentro. Não, é mentira! Aprendi que dar duas horas de aulas sentado, com um olhar distante e sempre com um tom de voz de fastio; ou ler, durante as mesmas duas horas, uma resma de folhas amarelas (também há a variante em “post-it”!); ou assassinar textos é altamente anti-pedagógico e é preciso gostar muito daquilo para aguentar certas aulas. Felizmente, houve excepções; infelizmente, não foram muitas.

Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade, Poemas



2. Ainda sobre alguém, que anda por aí
Ó homem, pare, de uma vez por todas, de subverter o que escrevo! A minha farpa sobre Belmiro de Azevedo, não tinha nada que ver com política, nem com esquerda nem com direita. Era, apenas e só, um texto satírico, com o objectivo de fazer rir.
O senhor está constantemente a ver esquerdalhada em tudo o que escrevo. A caça às bruxas já terminou! Eu nem sequer me interesso por política em termos ideológicos, não tendo, por isso, um partido. Interesso-me, sim, pelas acções que os partidos tomam ou não fôssemos nós governados por eles.
Começo a ter medo de escrever. Se algum dia, colocar no “blog” um texto com a palavra “Ah!”, parece que já estou a ver o seu comentário inflamado: “Eu já desconfiava, mas agora tenho a certeza, porque essa exclamação é típica de uma esquerda radical, sem visão, que quer esfrangalhar os país…”
Resumindo, não procure o Wally onde ele não está. Já percebi que sou o seu saco de boxe preferido, mas bata quando tiver razões para isso. Quando não as houver, não as invente!

Andanças do Poeta

Pelo céu cor de violeta,
que lindo,
que lindo vai o poeta.

Pôs uma camisa branca
e sapatos amarelos,
as calças agarradinhas
são da feira de Barcelos.

Pelo céu vai o poeta.
Sobe, sobe de bicicleta.

Eugénio de Andrade, Aquela Nuvem e Outras

E digo-lhe mais, aqui a “esquerdóide”concorda plenamente com as medidas que o PSD e/ou a direita têm para a educação portuguesa. Só não percebi a que diz respeito ao concurso de professores. Se se acabar o concurso, como se vai colocar o enorme número de professores? Qual é a alternativa? Por que razão o governo de coligação não as implementou?

Não quero, não

Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

Quero um cavalo só meu
seja baio ou alazão,
sentir o vento na cara,
sentir a rédea na mão.

Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

Não quero muito do mundo:
quero saber-lhe a razão,
sentir-me dono de mim,
ao resto dizer não.

Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.

Eugénio de Andrade, Aquela Nuvem e Outras

P.S.: Antes que se tirem conclusões precipitadas e disparatadas, quero informar que a inclusão de poemas de Eugénio de Andrade no meio dos textos é arbitrária, não tem nenhuma ideologia escondida. É simplesmente a minha maneira de homenagear o poeta.

Maria Ortigão

quarta-feira, junho 15, 2005

Palavras para quê?*

Lá fui eu consultar o dicionário, muito gosto eu deste livrinho, embora prefira o antigo suporte de páginas amarelecidas- e não me falem em desactualização que isso resolve-se, e encontrei:
hagiografia
do Gr. hágios, santo + graph, r. de graphein, descrever
s. f.,
estudos de textos que relatam a vida dos santos;
descrição.
O Filipe escreveu:
«... os grandes homens nunca são tão maus quanto os pintam os adversários, nem tão bons quanto os pintam os aliados. No caso de Cunhal, é certo que haverá muito de condenável na sua vida.(...) »
António-é verdade Feliz Dia, atrasado- obrigada por ter aumentado o meu vocábulário, você tem mesmo um problema com a esquerda, um caso agudo de alergia, ou algo assim. Fora os outros por mim diagnósticados! Cunhal faz parte da história, e confesso uma admiração enorme-romântica ou não- por todos aqueles que viveram na clandestinidade.
«Mexia ... destacado jovem intelectual da Direita portuguesa» memos gostando de algumasa crónicas!
À cris e ao Filipe, a Bomba teve já uma rubrica de etimologia, daí a (leve) referência.
M.Q.
P.P.: p titulo foi escolhido antes de ler o seu texto.

terça-feira, junho 14, 2005

E EU SEM SABER DE NADA!

Ausentei-me por uns dias e, de repente, há uma revolução. Tão grande que eu até cancelei o que ia colocar no "blog" e vou refazer o que escrevi. Para já, faço algumas considerações.
O único comentário decente que eu vi em toda a carreira do "FarpasXXI" foi o do Filipe, tentando analisar a situação de um ponto de vista imparcial.
Se o senhor António se sente insultado, não faz ideia de como nos sentimos aos ler os seus textos. Se não gosta do nosso "blog", pode sempre deixar de o ler. Pessoalmente, não me importo com o número de visitantes, afinal, "FarpasXXI" só tem quatro meses de existência.
Nós escrevemos o que queremos e da maneira que queremos. Vai haver sempre gente que vai gostar e gente que não vai gostar.
Voltarei...

segunda-feira, junho 13, 2005

Efemérides

Nasce em Lisboa, no largo de São Carlos, a 13 de Junho de 1899 Fernando António Nogueira de Seabra Pessoa.
Biografia retirada do Livro do Desassossego, Visão.
Por isso fui à procura de algo... do Mestre. Eis, senão, quando me apercebo que, o que mais gosto é de: Bernardo Soares*, ajudante de guarda livros na cidade de Lisboa. Assim que fui à procura do ortónimo e gostei mais deste, livre de provocações:
António de Oliveira Salazar
António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular...
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.

Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, com os diabos!
Parece que já choveu…

Coitado
Ddo tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho…

Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.

Coitadinho
D Tiraninho!
O meu vizinho
Etá na Guiné,
E meu padrinho
N Limoeiro
Aui ao pé,
Ms ninguém sabe por quê.

Mas,enfim, é
Ceto e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do Tiraninho
Não bebe vinho
Nem até
Café.
Fernando Pessoa, Poemas satíricos e de humor.
* Que é tudo Pessoa... que fiz bem em procurar... não interessa!
M.Q.

Haja paciência

Ouça lá, alguém que anda por aí, lí e relí o post e não vejo onde "se fala numa censura do CDS-PP à masturbação masculina". Há um título e a parte que o autor mais gostou, e que eu gostei também- pela ideia estapafurdia, não com alguma pretensão moral. Bolas! Não era essa a intenção- censurar a masturbação! Você deturpa mesmo aquilo que lê. Ou então sofre mesmo de analfabetismo funcional, sim, porque má vontade contra nós tem mesmo, ou contra a nossa esquerda!
Lí e relí para que esta minha irritação não fosse infundada; não me venha fazer queixas "magoado" pelo tom. Irra!
M.Q.
Post Post: Reacção emocional, conscientemente publicada.

A questão pertinente da semana...

A Cristina questionou:
Razões para não votar no Menezes novamente?
Ó meus amigos, aquela célebre frase de que precisa de ganhar bem, para comprar muita roupa, porque se têm muitos compromissos oficiais... Chega e sobra! A Câmara falida! A proliferação de rotundas. (A negociata com o FCP e o centro de estágio?)
Já sei que alguém -e não pretendia referirme ao António, mas como não há mais ninguém- vai já corrigir a frase deturpada pela memória, e quem sabe alguma animosidade.
À Favor:
Há as praias de que tanto gostamos e usufruimos, a requalificação/ criação do Cais de Gaia- que parece andar menos concorrido. As novas estradas- que para mim são um mamarracho de engeheria- mas se já vou gostando da casa da música... -tudo pode acontecer.
Mas ficamos a espera dos prós e contras.
M.Q.

Manifesto

Lá porque nos insurgimos contra uma guerra (neste caso o Iraque- 'tou tão farta disto!) baseada em mentiras fomos promovidas a porteiras de campo de concentração na Sibéria. Fomos sempre brindadas com "os piores" adjectivos. Sou acima de tudo sonhadora, utópica mesmo, ainda que a ideia da palavra e o conceito remetam para impossíveis.
-Que o sonho não constrói, é preciso medidas concretas!
- O que seria de nós sem o sonho?!
«... I wish i was a neutron bomb... for one i could go off (...) i wish i was a messenger and all the news was good...» Pearl Jam. Just Rock!
O texto de Antonio Barreto faz uma constatação de factos acerca da Educação; muito bem, conclusões aceites; até algumas sugestões como «Fim do concurso nacional de professores-falta a alternativa, o que falta mesmo é a garantia de honestidade para contratações-, Privatização considerável das escolas»- já referi a importância de maior autonomia e de integração da comunidade... a tal competição saudável é louvável... mas o que defendo sempre é a igualdade (de oportunidades até), liberdade... o que mais abomino é a ideia de que uns são de factos melhores que outros- por isso não sou monárquica- (em condições desiguais ainda por cima, sem os mesmos recursos- qualquer pessoa sabe que essa experiência está viciada à partida), abandonar a ideia de poder construir uma sociedade sem "senhores"... Texto repetitivo com fraco vocabulário? É porque a igualdade é mesmo importante!
Li, reli, a secção gramatical da Maria e não percebo a razão de tanto fel. É porque ela goza através dos seus comentários?! Está bem, isso é pouco católico, mas se há uma coisa que nós não somos, muito menos pretendemos ser, é católicas! Já disse à Cristina, não acho, de todo, que a Maria faça do dicionário um bicho-papão. ( Comentário pessoal, talvez despropositado: ) -> Aliás não há livro mais fácil de consultar que um dicionário, já interiorizar a gramática tem outras nuances. As correções são sempre necessárias, passamos a falar melhor, o que nunca pode ser mau. [ É preciso- eis o tom de empreendiento napoleónico- corrigir todos aqueles que ainda dizem "prontos" e "destrocar"]. Pode não se gostar de ser corrigido, mas isso fica entre os dois intervenientes: ou aceitam, proibem ou andam a porrada. Se alguém que anda por aí concorda que não podem ser ignoradas... têm que ser ensinadas. Pode replicar que não é uma secção gramatical educativa, pois de aqui vai a sugestão: Maria, amiga, escolhe uma regra gramatical- de aquelas que a maioria erra- e devasta-a. António: «As preocupações gramaticais da pobre Ortigão aproximam-se visivelmente da loucura.»!!! BUHHH! Mas como sou generosa, e citar Pessoa é sempre bom... eis: « ... a gramática é um instrumento, e não uma lei.» (in Livro do Desassossego, texto 84) É claro que a Maria já a conhece. Mas se querem tanto rigor, não há nada mais rigoroso que o "rigor mortis"* dos cadáveres!
Para mim a arte, manifestações artísiticas,etc., para mim!, não têm direcção; naturalmente que se estamos a combater alguma coisa, são os que se identificam connosco, os que nos tocam, que se aproximam do que sentimos que fica gravado. Não são «tiradas pseudo-revolucionárias com a lagrimazinha ao canto do olho», são versos! Isto é uma verdade: «Ser pobrezinho e honesto,É maior honestidade.» e depois?
M.Q.

* Expressão latina à confirmar.
O dia em que eu nasci, moura e pereça,
Não o queira jamis o tempo dar,
Não torne mais ao mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.


A Luz lhe falte, o Sol se lhe escureça,
Mostre o mundo sinais de acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.


As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida.
Cuidem que o mundo já se destruiu.


Ó gente temerosa, não te eespantes,
Que este dia deitou ao mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!

M.Q.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.


Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.


O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.


E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.


M.Q.

Ainda a lírica camoniana (corrente renascentista)

Agora sim, os meus favoritos (3): [retirados dos apontamentos do 12º ano]



Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho, logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.


Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.


Mas esta linda e pura semideia,
Que, como um acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha senhora se conforma.


Está no pensamento como ideia;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.

M.Q.


Futurologia

Quanto apostam, que a RTP repõe a "última entrevista" de Álvaro Cunhal e tem uma grande audiência?
M.Q.

sexta-feira, junho 10, 2005

Verdes são os campos,
Da cor do limão;
Assim são os olhos
Do teu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendeis:
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís Vaz de Camões, Lírica I

Isto é muito bom

Desculpem lá mas não resisti mesmo!

« A masturbação masculina...
... e os espermatozóides desperdiçados ainda vão virar dia de luto nacional - na perspectiva dos popularuchos. Senão, reparem: «O CDS-PP propôs hoje a criação de um "dia mundial da criança por nascer."» Se estes tipos não existissem tinham de ser inventados... ou então criava-se o "Dia Nacional da Ausência do PP para animar as hostes em tempo de crise". Qual Malucos do Riso qual quê?! A malta precisa é desta animação.
Publicado por claudio.vieira.alves em 07:35 PM »

M.Q.

Dia de Camões

ESPARSA AO DESCONCERTO DO MUNDO


Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais mo espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pra mim
Anda o mundo concertado.
Luis Vaz de Camões.
Era este o poema que trazia comigo por outras razões quando me lembrei que não poderiamos deixar passar o dia em branco. Gosto muito deste. Que ninguém me venha dizer que é de esquerda, pelo amor "de Santa Maria Madalena", não é provocação, são apenas versos.
M.Q.

quinta-feira, junho 09, 2005

Boas Iniciativas

(Atrasada)

VIVA Serralves!

VIVA o Cinema Fora do Sitio!

VIVA, VIVA, VIVA!

M&M.

terça-feira, junho 07, 2005

Mea Culpa

imbernar teria passado despercebido se tivesse sido colocada entre-aspas ou em itálico; quem me conhece achou que poderia ter sido piada, mas não: enganei-me, feio. É o que acontece quando se é fluente numa língua e se fala outra!
De qualquer modo, peço ao Filipe, por exemplo, visto que a
bomba-inteligente é muita areia p'ra a minha camioneta, que procure, porque eu acho que essa palavra mesmo que em desuso -ou muitos outros des- deve existir na língua portuguesa- deveria existir. No meu dicionário- que é como quem escreve na minha Pátria, que o pobre tem sido tão vilipendiado- existem as duas formas: hibernar e invernar; Afinal, hiberna-se no inverno. Eu pequei por escrevê-la "à norte" mas reparem que coloquei bem um "M", esta regra gramatical deve ser das primeiras que aprendi, muito gosto eu dela.
M. Q.

sábado, junho 04, 2005

RESPONDÍVEL

1. Sobre as Conferências Democráticas do Casino


Quando decidimos criar um espaço virado para a literatura, o grande desafio foi encontrar um título adequado. Teria, pois, de girar em torno da nossa causa farpeana (olha, olha, quem diria, um neologismo!!!) e dos nossos mentores. Foi, então, que nos lembrámos de Conferências do Casino XXI, uma vez que se enquadrava perfeitamente com a temática que iríamos abordar. Porém, surgiu um problema: teria Ramalho Ortigão participado nas Conferências? Apesar de tudo indicar que sim, porque foi um homem próximo da Geração de 70 e porque partilhava as mesmas ideias dos conferencistas, não tínhamos a certeza.
Obviamente, era necessário investigar e foi o que fiz. Bastou uma rápida consulta à Diciopédia da Porto Editora para tirar as dúvidas. Tanto no artigo sobre as Conferências, como no artigo sobre Ramalho é referido que este escritor tomou parte integrante do movimento, que visava uma lufada de ar fresco nas letras portuguesas. Retiro a seguinte citação, como prova: “… logo com a sua actividade de jornalista se integrou na acção do grupo que promoveu e realizou as Conferências Democráticas do Casino.”
Não obstante o facto de não ter assinado a proclamação, em que se exprimia a finalidade das Conferências, de se ter batido em duelo com Antero de Quental por causa da Questão Coimbrã e de ser um pouco mais conservador do que os seus pares, não tenho dúvidas de que a sua pena encontrou-se com as grandes ideias daquele grupo.
Qual foi exactamente o seu contributo? Quais as suas acções? Quais os seus passos no seio daquele movimento? Não sei. É uma questão de investigar melhor, consultando bibliografia mais específica. Por isso, Filipe, daqui a algum tempo, dar-te-ei uma reposta mais apropriada. Se quiseres, também podes ajudar! Sabes que és muito bem-vindo!






2. Sobre os economistas em “A deficiência portuguesa”

De facto, depois de reler algumas vezes aquela farpa, reconheço que não ficou bem explícito que não me referia à população portuguesa de economistas, mas sim aos economistas que têm responsabilidades governativas e àqueles que, por estarem perto do governo, deviam aconselhar melhor os ministros, quando estes se preparam para uma qualquer intervenção no país. Por outras palavras, refiro-me aos senhores directores e presidentes e vice-presidentes e executivos e mais uma data de cargos que não se sabe exactamente para o que servem da Caixa Geral de Depósitos e do Banco de Portugal, que não fazem nada e ainda são bem pagos. Se algum dia, o Hélder do Praça da Alegria perguntar a uma criança o que ela quer ser, quando for grande, não se admirem se obtiver como resposta a seguinte frase: “Quero ser presidente reformado da Caixa Geral de Depósitos!” Como diria Garrett, “Um lugar magnífico! Verdadeiramente dos rendosos e pouco trabalhosos!”
Diz o nosso amigo, que anda por aí, que rigorosamente o défice ainda não atingiu os 6%, que, se nada mudar, esse número só será uma realidade em Dezembro. Se o diz com tanta certeza, quem sou eu para não acreditar. Mas o que ouvi o presidente do Banco de Portugal dizer não foi nada disso, por isso baseei os meus comentários nas suas declarações. Aliás, ao contrário do que possa pensar, só dou palpites na minha área de formação. Nas outras áreas, faço comentários e reflexões como cidadã preocupada com o rumo ziguezagueante do país.


3. Sobre merda e neologismos

Lá vou eu contar, outra vez, a história da merda… Há muito, muito tempo, quando os Romanos governavam a Terra, usavam, para se entenderem uma língua (nada morta, porque o português, o castelhano, o italiano, o francês e o romeno não são mais do que a sua natural evolução), chamada Latim. Ora, qual era a palavra mais comum para designar excremento e estrume? Merda! É verdade, apesar da sua evolução semântica ter um carácter pejorativo, trata-se de uma palavra bastante erudita! Por isso, recebamos todos a merda de braços abertos!
Confesso que, às vezes, fico um pouco triste com as conclusões que se tiram sobre o que escrevo. Devem-me imaginar de cabelos brancos, com um olhar carrancudo e uma régua na mão, pronta a zurzir em quem foge ao Classicismo! A imagem não podia ser mais errada. Gosto dos meus amigos já mortos e bolorentos, porque são rigorosos e conhecem a língua como ninguém. “Haja rigor” alguém, que anda por aí, disse e eu concordo plenamente. Mas também não sou uma conservadora caduca e gosto de inovação, de preferência, quando é bem feita. Assim, gosto muito mais daqueles livros poeirentos do que algumas modernices, que se arvoram em grandes pioneiras de uma nova literatura. Podem crer que vou a correr para os primeiros, mesmo sendo alérgica ao pó! Posso mesmo afirmar que, nestas coisas, não há coincidências!
E adoro neologismos. Um dos melhores neologistas da actualidade é Mia Couto, um escritor moderno, sem pó e sem bolor, divertido, interessante e, sobretudo, inteligente naquilo que faz.

4. Sobre os poemas que recebemos
A todos os que nos lêem, aqui fica o convite: podem enviar os poemas, as frases, as prosas que quiserem. Não os vamos colocar no “Conferências do Casino XXI”, porque é um espaço só nosso, mas estarão sempre disponíveis nos vossos comentários.
Devo dizer que foi bonito ver que, após a “publicação” de um pequeno poema, recebemos logo outros. Na realidade, ninguém fica indiferente a uns versos, não é?

5. Sobre alguém, que anda por aí
Ó senhor Santana Lopes, mui muito nos apraz a sua visita! Quando disse que ia andar por aí, nunca imaginámos que o aí fosse aqui, no nosso humilde “blog”.
Então, e como vão as coisas? Bem, esperamos! Afinal, o túnel do Marquês vai ou não vai? Os seus pequenos estão bem? Soubemos que foi operado recentemente… está a recuperar bem, não está? Olhe, o que se quer é muita paz e saudinha! Sem isso, não se faz nada!
Vá lá, seja bem-vindo (outra vez!).


Maria Ortigão


NOVO PROGRAMA ESCOLAR – UMA PROPOSTA PARA O FUTURO DE BELMIRO DE AZEVEDO



Numa conferência recente, Belmiro de Azevedo afirmou que os professores portugueses deseducavam e que os jovens não eram preparados para a vida profissional. De uma maneira geral, concordo com estas afirmações. Não sei muito bem onde o empresário queria chegar com aquilo dos professores portugueses deseducarem (hoje em dia, os professores tentam desesperadamente educar!), mas, de facto, os currículos escolares estão desajustados.
Depois de muita insistência, “Farpas XXI” conseguiu aceder ao currículo alternativo, elaborado pela Sonae. Aqui ficam algumas propostas:

- Português:
a) erradicação total do estudo de poemas, essas mariquices que não servem para nada;
b) livro de leitura obrigatória: O Príncipe, de Maquiavel; é importante, desde tenra idade, inculcar, no espírito dos alunos, a máxima: não olhar a meios para atingir os fins;
c) novos dicionários, compostos pelas seguintes palavras: dinheiro, lucro, mais-valia, capital, percentagem, acções; palavras banidas: humanismo, altruísmo, solidariedade, ética, moral.

- Trabalhos Manuais:
a) técnica de repor “stocks” nas prateleiras das grandes
superfícies;
b) técnica de recolha de cestos para compras;
c) formação de operador de telemóveis.

- Latim: consistirá apenas de uma aula de dez minutos, em que os alunos aprenderão, de uma vez por todas, a pronunciar correctamente “optimus”, ou seja, o [p] deve ser pronunciado, porque se trata de uma palavra latina.


- Matemática:
a) resolução intensiva de equações, cujo resultado seja sempre positivo;
b) conteúdo especial: Como enganar o estado, através da declaração de rendimentos?

- Geografia:
a) alunos ricos: realização de trabalhos, ao longo do ano, sobre paraísos fiscais e ilhas igualmente paradisíacas (por exemplo, Bora Bora e Seychelles), onde passarão as férias com o dinheiro ganho à custa dos mais pobres;
b) alunos pobres: realização de trabalhos, ao longo do ano, sobre os países asiáticos e outros subdesenvolvidos, onde se trabalha como escravo, se recebe muito pouco e não há lugar para queixas.

- Educação Física:
a) exercícios localizados nos membros superiores para facilitar a passagem das compras nas máquinas registadoras;
b) aulas de colocação de voz para se atingir aquele timbre especial das meninas, que pedem a alguém que se dirija à informação.

- Filosofia: rapidamente retirada do currículo, porque não gera dinheiro.

Maria Ortigão


CONFERÊNCIAS DO CASINO XXI

Algumas quadras de António Aleixo

‘stá na mão de toda a gente
A felicidade, vê lá!...
E o homem só ‘stá contente
No lugar onde não está.

És rico e sério? Protesto!
Nisso tens facilidade.
Ser pobrezinho e honesto,
É maior honestidade.

É tão engraçada a vida…
Sem que a gente a veja assim,
Volta ao ponto da partida,
Quando está perto do fim.

Se o mundo inteirinho risse,
Não existia amargura;
E o que seria a fartura
Se a fome não existisse?

António Aleixo, Este Livro que Vos Deixo...